quarta-feira, 22 de agosto de 2012

POEMA DE DIEGO EL KHOURI, VIOLÃO IVAN SILVA

NA PORTA DO FUNDO

(Por Diego El Khouri)

Falei tudo que tinha que dizer,
ninguém me ouviu.
Estive perdido em náufragos absurdos
e ninguém me encontrou.
Agora aqui, imundo e só,
escuto vozes que não eram para serem
escutadas,
encontro seres que não eram
para serem encontrados,
molesto corpos que não eram para serem
molestados.
No fundo sou vil, desesperançado,
ingênuo
e isso ninguém me tira.


INFÂNCIA 

(Por Diego EL Khouri)

Lençóis na cama
janela dourada
paredes brancas
de um veludo que encanta...

Colchão limpo
roupas no varal
o beijo na face
na manhã dominical...

O sonho de outrora
nos braços de agora
que se ergue e se move
na densidade afora...

barulho de meninas
límpidas como haxixe
onde a beleza marca o rosto
na volúpia que não vistes.

Na fronte que o peito chora
beijo que morde e cora
há uma agonia que sofre
ao lembrar da inútil ordem.

Vales no campo do quarto
nudez na parte contrária
sombras que emergem do nada
na infância imaculada.

Infância de um tempo perdido
sentida na fome cortada
ainda havia beleza
mesmo que uma beleza toda errada.

Fotografia olhada de esgueio
fraticida momento de sonho
cheiro de bolo corrói a fome
estraçalha, seduz e some.

Aos "tabernáculos da fé"
que o vício devora e conduz
há portas fechadas que se esmeram no acaso
a ponto de cessar toda a luz.

Por isso devoro o Agora
na dança vulgar da memória
divertindo a formidável Morte
como meretriz, como deus, como sorte.

Cicatrizes na barriga violentada
arcanjos submissos ao Nada
ontem como anjo vil sem lei
bebi toda bebida roubada.

Agora só sem memória sem passado
a infância me foi outorgada
não tive nenhum amigo
que libertasse essa alma aprisionada.

Agora só sem memória sem passado
o medo me foi usurpado
falo do meu tempo, dos meus vícios
das paredes que me foram mostradas.

Agora só sem memória sem passado
tenho na bílis os venenos mais tóxicos
na face o sorriso mais mórbido
e na alma um deus vomitado.

Amores eu tive, alguns eu fingi
e tudo vai se clareando
na correnteza sutil
que o pensamento vai levando.

Agora só sem memória sem passado
o que eu vi não está errado
era sim um menino inventivo
que se violentava em seu delírio.

Era sim um menino cheio de chagas
no deserto sujo da alma

colhendo os dejetos da alma
colhendo os dejetos da alma
comendo as fezes da alma
molestando o ventre da alma
perdendo a essência da alma
brincando no eterno da alma
sonhando a liberdade da alma
tendo no efêmero da calma
a certeza que o universo caminha sem passos.

Esse é o deserto da alma
e os lençóis que se evaporam no Saara
há janelas douradas
"que sempre voltam para casa".

Há Maomé de joelhos
enganando uma nação abastada
crianças na praça a gritar
não sabem que a felicidade é um peito aberto a gritar.

E EU GRITO EU GRITO EU GRITO!!!!
o último apelo dos vícios
não me limito ao abismo
antes ser deus do que ser faminto.

EU GRITO EU GRITO EU GRITO!!!!
a nudez se despe de cinismo.

O último apelo ao amigo
: deixa eu cravar em ti
essa minha melancolia!
Deixa eu ser pra ti
o anjo que se aniquila!

Lençóis na cama
janelas douradas
paredes brancas
roupas no varal
o beijo na face...
... enfim
a infância foi encontrada...


http://zinevertigem.blogspot.com.br/2012/01/na-porta-do-fundo.html 

http://molholivre.blogspot.com.br/2012/08/infancia.html  

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

AO CACHORRO MALDITO

Poema escrito  por Diego El Khouri.
No violão, Ivan Silva.


AO CACHORRO MALDITO

(Por Diego EL Khouri)

(Ao Marcos Alves Lopes)

Da merda que Marcos fala
a merda pura
e concentrada
é merda real e abstrata
essa merda que ele fala.

Merda com feijãosinho preto
cagada em noites de luar
e desejo.
Merda com pedacinhos de milho
mastigada pelo seu próprio filho.

Merda que fala Poesia
aquela que ele chama  Vida.
Na chama que chamisca o dia
Merda pendurada
do lado de uma solitária pia.

Ó Merda que vos fala
ó Merda que ele fala
ó Merda que eu falo
semelhante ao meu falo.

Falo que não fala o que falo
que eu cago e cago na lata
cagar porçãosinhos de amor
do cú desabrochando a flor.

Merda assim merda assada
a Merda que o Marcos fala
é poesia abstrata
terreno profético dos dias
essa merda cantada.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

NAS PLAGAS CINZAS DESSA TORPE CIDADE



(Por Diego EL Khouri)

De olhos fechados ignoro o mundo

vislumbro os escombros
que a minha alma sobrecarrega.
Visão turva dentro de mim.
Espaços vazios...
Me espanto com tanto vazio!
Terra imensa, vasta a se perder de vista.
Porém tão devastada.
Terra querida,
doente e amada.
Essa é a vida que percorre no seio da cidade.
Às plagas cinzas uma verdade:
políticos sanguinários
(marionetes)
Nos mutilam as vontades.
Terra linda, devastada...
Deixo-te no peito a saudade.
Terra bonita, deflorada
A melancolia me invade a alma.
Relés desertor da verdade
Poeta das esferas
Que atravessa o inferno escaldante para iluminar
Os instintos e esquentar as vontades

terça-feira, 14 de agosto de 2012

AOS POETAS QUE AQUI CIRCULAM




(Por Diego EL Khouri)

já me vi dentro desse colo abafado
na subtendida palavra
até o útero onde me abrigo e embriago
cada gota de pecado
quero a tentação do meu lado explorada
cintilante paisagem
permaneço sereno em seus olhos apaixonados
não me vendo ao acaso
faço do meu tempo, da minha história
uma viagem inimitável
(atitude inevitável)
Abro os braços...
tá vendo de camarote, ó linda paisagem?
(olhares ríspidos, conveniências, miragens)
 e a hipocrisia que escapa de alguns poetas
que a cada dia transformam seus poemas-porradas
em meras bonitinhas palavras.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

INFÂNCIA

(Por Diego EL Khouri)

Lençóis na cama
janela dourada
paredes brancas
de um veludo que encanta...

Colchão limpo
roupas no varal
o beijo na face
na manhã dominical...

O sonho de outrora
nos braços de agora
que se ergue e se move
na densidade afora...

barulho de meninas
límpidas como haxixe
onde a beleza marca o rosto
na volúpia que não vistes.

Na fronte que o peito chora
beijo que morde e cora
há uma agonia que sofre
ao lembrar da inútil ordem.

Vales no campo do quarto
nudez na parte contrária
sombras que emergem do nada
na infância imaculada.

Infância de um tempo perdido
sentida na fome cortada
ainda havia beleza
mesmo que uma beleza toda errada.

Fotografia olhada de esgueio
fraticida momento de sonho
cheiro de bolo corrói a fome
estraçalha, seduz e some.

Aos "tabernáculos da fé"
que o vício devora e conduz
há portas fechadas que se esmeram no acaso
a ponto de cessar toda a luz.

Por isso devoro o Agora
na dança vulgar da memória
divertindo a formidável Morte
como meretriz, como deus, como sorte.

Cicatrizes na barriga violentada
arcanjos submissos ao Nada
ontem como anjo vil sem lei
bebi toda bebida roubada.

Agora só sem memória sem passado
a infância me foi outorgada
não tive nenhum amigo
que libertasse essa alma aprisionada.

Agora só sem memória sem passado
o medo me foi usurpado
falo do meu tempo, dos meus vícios
das paredes que me foram mostradas.

Agora só sem memória sem passado
tenho na bílis os venenos mais tóxicos
na face o sorriso mais mórbido
e na alma um deus vomitado.

Amores eu tive, alguns eu fingi
e tudo vai se clareando
na correnteza sutil
que o pensamento vai levando.

Agora só sem memória sem passado
o que eu vi não está errado
era sim um menino inventivo
que se violentava em seu delírio.

Era sim um menino cheio de chagas
no deserto sujo da alma

colhendo os dejetos da alma
colhendo os dejetos da alma
comendo as fezes da alma
molestando o ventre da alma
perdendo a essência da alma
brincando no eterno da alma
sonhando a liberdade da alma
tendo no efêmero da calma
a certeza que o universo caminha sem passos.

Esse é o deserto da alma
e os lençóis que se evaporam no Saara
há janelas douradas
"que sempre voltam para casa".

Há Maomé de joelhos
enganando uma nação abastada
crianças na praça a gritar
não sabem que a felicidade é um peito aberto a gritar.

E EU GRITO EU GRITO EU GRITO!!!!
o último apelo dos vícios
não me limito ao abismo
antes ser deus do que ser faminto.

EU GRITO EU GRITO EU GRITO!!!!
a nudez se despe de cinismo.

O último apelo ao amigo
: deixa eu cravar em ti
essa minha melancolia!
Deixa eu ser pra ti
o anjo que se aniquila!

Lençóis na cama
janelas douradas
paredes brancas
roupas no varal
o beijo na face...
... enfim
a infância foi encontrada...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

DOUGLAS HONÓRIO HIPPIE

(Por Diego EL Khouri)

douglas bêbado atravessa a esquina
seus olhos se escurecem na avenida
douglas sóbrio toma estre-quinina
seus olhos se entorpecem na clínica
douglas católico reza na latrina
seus olhos atravessam a avenida
douglas católico reza na latrina
seus olhos atravessam a avenida
douglas monódico anda sozinho
seus olhos não enxergam um amigo
douglas honório mora sozinho
seus olhos aprisionam o abrigo
douglas menino vive perdido
seus olhos no amor tem se esquecido
douglas honório bêbado na esquina
seus olhos nbão reconhecem a avenida
douglas farofeiro invade as esquinas
seus olhos protegem a mochila
douglas hippie está com larica
seus olhos procuram muita comida
douglas hippie está com labirintite
seus olhos não tem mais vinte
douglas hippie está na velhice
seus olhos parecem dois alpistes
douglas bêbado toma a sua pinga
seus olhos na cachaça se abrigam
douglas no flower power insiste
seus olhos no amor ainda persistem
douglas hippie atravessa a esquina
seus olhos se escurecem na avenida
douglas hippie estatelado na esquina
seus olhos enxergam o carro em cima
douglas hippie perdeu sua vida
seus olhos embrulham toda a utopia.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ACCUSAREI RECEBIMENTO

(Por Glauco Mattoso)



Diego, avisarei quando receber outro enveloppe seu. Tambem enviarei
algo.
 Até! 
GLAUCO

 DIA 13 DE SEPTEMBRO GLAUCO MATTOSO PARTICIPA DO
"PRIMEIRO ENCONTRO DE LITTERATURA DIVERGENTE"

 PROGRAMMAÇÃO

 De 12 a 14 de Septembro de 2012
Local: Bibliotheca Thematica de Poesia Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777 (Pinheiros) 

 Quarta-feira (12/9): Da pesquisa ao conceito

 19h - Abertura: A Litteratura Divergente e as razões do encontro
Berimba de Jesus (Edições Malloqueirista / São Paulo) 
Nelson Maca (UCSal - Sarau Bem Black / Bahia)

 19h30 - Palestra 1: Litteraturas às margens do canone
Heloisa Buarque de Hollanda 
(UFRJ)- Aeroplano Editora / Rio de Janeiro

 20h30 - Mesa redonda 1: Alguns conceitos correntes
Nelson Maca - Litteratura Divergente (UCSal - Bahia)
Erica Peçanha - Litteratura Marginal x Peripherica (Pesquisadora / São
Paulo)
Victor Hugo - Litteratura e desvio do canone (UERJ / Rio de Janeiro)
Mediação: Nelson Maca

21h - Sarau Divergente - Abertura - Componentes da mesa + microphone
aberto + convidados

Quincta-feira (13/9): Auctores e autodefinição

19h - Palestra 2: Litteratura e transgressão
Glauco Mattoso (Escriptor / São Paulo)

 20h - Mesa redonda 2: Auctores e autodefinição
Berimba de Jesus (Poesia Malloqueirista / São Paulo)
Allan da Rosa - (Edições toro/ São Paulo)
Marciano Ventura (Cyclo Continuo / São Paulo)
Guilherme Zarvos (CEP 20.000 / Rio de Janeiro)
Mediação: Berimba de Jesus 

 21h30 - Sarau Divergente 2 - Componentes da mesa + microphone aberto

 Sexta-feira (14/9): A cadeia da litteratura divergente 

 19h - Palestra 3: Dos saraus alternativos às festas litterarias
Marcellino Freyre (Escriptor / São Paulo)

 20h - Mesa redonda 4: A cadeia da litteratura divergente
Welinton de Mello (Urros Masculinos/Recife)
Karina Rabinovitz (Escriptora / Bahia)
Alessandro Buzo (Suburbano Convicto / São Paulo)
Mediação: Nelson Maca 

 21h30 - Sarau Divergente 3 - Componentes da mesa + microphone aberto

///

domingo, 5 de agosto de 2012

Flores Pubianas


(Por Diego El Khouri)


O olho é uma luz revestida de desejo
palavras alheias perdidas no tempo.
Terra selvagem, cabelo desfeito
você parada na minha frente
corpos em desalinho, noites inquietas.

Marinheiros perdidos no barco
à margem de uma existência vã,
crianças submersas em pútridos desfiles
lances de jóias e albergues fúnebres
à lua que se vai solitária
pelo tempo o todo se forma ao Nada.

Tonto e enlouquecido de nostalgia
livros dispersos sobre a escrivaninha
páginas destruídas de ira e tensão
só você em minha mente
só seu sorriso brilhando na escuridão
só seus lábios vermelhos e sensuais
na vasta imensidão.

Corpos contraídos, desencontrados
a chuva inundando gerações
agarro tua coxa, escondo meu passado
“A Morte ressurge” e a xingo
:essa nefasta dama que devora ilusões...
e a abandono e continuo contigo
livre de todo temor e raiva...

Gametas unidos, você linda
xamã em transe mediúnico
arcanjo em desejo e ventura
plácidas regiões de paz e carinho...
Flores pubianas

só o teu sorriso e nada mais!
só teus lábios, teus lábios
e nada mais!

Flores pubianas, noite quente
sempre um verso no bolso da calça
ontem não dormi, aliás permaneço
alheio as ordens e costumes
não dormi e isso é tudo!

Com uma faca te esquartejo,
arranco tuas tripas e teu talento
ó Morte, jovem dama nefasta...
A abandono e continuo contigo (só contigo)
Livre de todo temor e raiva
Livre até de mim mesmo.

Setembro, 2009