terça-feira, 11 de junho de 2013

TÍTULO DO QUADRO: ALLEN GINSBERG


(Por Diego EL Khouri)



A barba messiânica do poeta bêbado numa festa báquica. olhos embriagados de subversão. A escuridão da madrugada-tempestade revelando personagens. Visões de santo drogado. Allen Ginsberg, profeta beat, nu em corpo e palavras. Desbunde e misticismo oriental. Meditação. Bardo louco que abriu “as portas da percepção” como Blake fizera; visionário Ginsberg plantou e colheu a flor delirante da (r)evolução. Derrubou castelos com sua anarquia. Tudo isso antes que a mente despertasse, "atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite, fantasmas desnudos buscando-se no silêncio." (Diego EL Khouri)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

ÊXTASE-DAMASCO (PÉS ENTREGUES A NOVOS PASSOS)



(Por Diego EL Khouri)



pela longa estrada dos amores
a cereja translúcida, a maçã-tesão
o aroma bucólico-íntimo
se lançam em meus lábios
todas as vezes que passo
nas raízes brutais
das voluptuosas carnes
que se transformam em fogo
tempestade poética
toda dança que incita
e excita
as estradas dos amores
num campo aberto de delírio

o êxtase-damasco
no vermelho lábio, quente
entre as pernas da musa
floresce mil campos de flores
que se fazem cama, orgasmo
 para a cristalidade dionisíaca do amor

musa fatal que me faz ser poesia
e  cria luzes orgíacas nos olhos vermelhos
dentro da íris diáfana
no calor intenso
que o sol  já queimou

me esquenta em teu colo
esfrega tua vulva em minha face
a poesia me atravessou de fato
farto estava do mundo comum

e rompi  céus,  estrelas
lancei do mapa o rato ordinário

aquele que me travava os passos
se perdeu nas zonas banais
(verme sem rumo)

cá estou dentro do teu corpo
encaixado e louco

você dentro de minha mente
rainha intensa

quero te sempre nua
nesse banquete a dois

 ardendo em febre
sempre seu bardo louco
questionador do mundo

“ a lira do delírio cambaleia
entre os fantasmas”
da velha fantasia

ouço os passos alucinados
de john coltrane, nick drake,  miles davis
e a explosão báquica de lautreamónt
que se confunde com desregramentos rimbaudianos

vejo muito além do que a maioria vê
o despertar filosofal
a sabedoria dos que atravessam pontes
vento suave, tempestades terríveis

só há carros barulhentos na minha alma
carros que berram e poluem
serei o cego que dirige
e ultrapassa feridas em alta velocidade

a corrente ígnea que se rebentou
me sonda, sempre à espreita...
observa fagueira
os barquinhos de papel
que lanço ao mar
rabiscados de poesias inúteis
e algumas frases roubadas

“longe o alvo, e perto a seta”
Sua poesia resgata o felino
Que há em cada um de nós
gladiadores sem nenhuma ordem
(sociedade-rivotril)

o arrepio na nuca-vertigem
é porque estou aqui
e você está aqui

desnudos na freguesia
no seu quarto desnudo
nas maçãs quentes do desejo
chupando sem medo
a beleza sublime-infernal
que há em teu seio


quinta-feira, 6 de junho de 2013

PERANTE MEUS OLHOS

(Por Diego EL Khouri)

Eu fui feito para ser a tormenta, a calmaria jamais
Odeio-a, embora ela seja prenuncio de tempestade.
                   Luiz Carlos Barata Cichetto



o silêncio  me veste
me seduz
me faz pensar, refletir
no tempo
no ar seco de nossa atmosfera

nas folhas verdes
da primavera
nos garotos abandonados
nos subúrbios

nos cancerosos
nos hospitais
que pagam caro pra morrer

na lepra absurda
que dança frenética
na alma dos mesquinhos
que escondem o pão
e não dividem o vinho

nos receios implantados
por uma minoria nojenta
escravizada pelo poder centralizador
dos ególatras moribundos
donos da grana 
que salva e coibi

penso nas criancinhas vítimas na Palestina
com seus olhares de pranto e força
não sabem mais o que é brincar

olho para todos os lados
afim de  ver (me)
mas há um batalhão 
de fantasmas repugnantes
dividindo o mesmo sangue comigo

eles não sabem o quanto eu os odeio

os odeio profundamente
com todas as vísceras revoltas
o olhar no sangue
a boca em fogo intenso

não sabem o quanto
 não sabem...

agarro desesperadamente tua mão
não quero que minha maneira
ridícula de existir nos afaste

e nem  que o meu fracasso
te corte os pulsos
ou te oprima com meu
modo estranho de falar

caminho esguio  sobre teu dorso
renego a última esmola do poeta
na forma mais esdruxula possível

eu sou a regra torta e complexa
o último elemento da razão
 louco peregrino
dragão sem rabo que come teu rabo

pele e pelos se ramificam
através de mim
crio as paisagens mais sombrias
com meu pincel-camaleão

hoje calado porém nunca cego
mijo nos copos dos bares
atravesso  estrelas maiores
voando baixo nos becos, bocas e bordeis
ouvindo ressoar a poesia que corre
nas paredes de suas casas, em suas janelas

in silent Way - miles davis penetrando fundo
bomba que faz sucumbir nações

minha mente quando componho, bebo, trepo, fumo
é guerra nuclear
choque de infinitos decibéis

eu anjo vulgar de falo rijo
me intitulo o rei do universo
o mais forte dos perdedores
o menos idiota dos loucos
deus punheteiro
perdido nas páginas amareladas de Sade
antonin artaud enjaulado
Rimbaud traficante
Ginsberg, LSD,  morfina
toda falange dourada
que sobrevoa por aí
fora do meu alcance

tento inutilmente
que meus braços
me envolvam e sintam
o calor que emana da luz criativa
que produzo nas pinturas

mas é tudo  em vão

as pétalas não tem mais as mesmas cores
o vento não sabe mais o que é o silêncio
a voz emudeceu  de raiva
dos ventres saíram flores
que só baco consegue ver

alexandre grande é minúsculo
perante meus olhos vazios
sou veneno que escorre
das bocas mais famintas e sacanas
de todas as cidades, espaços
- desregrado  sexual
(numa taça de vertigem)

Não... não sou mais o mesmo
que caminha portando dinamites
no letes do esquecimento
ou o delinquente fodendo bucetas
perto da policia truculenta

sou antes de tudo
o transeunte do pensamento
alguém que teve mil vidas
e sobreviveu a todas elas

“perdulário do caos
esbanjador de palavras preciosas”

cachorro louco
filho da puta
miserável, inútil
no rio borbulhante
do sabor concentrado
de sal e pimenta

a luz flamejante dos faróis
tecem bucetas coloridas
desenhadas na pele dos homens
na famosa vila mimosa
recheadas de carne e groselha

nesse banquete já me fartei

certa noite a vista de todos
enquanto chupava meu pau
todo mundo de bocage
veio a tona em minha pele lasciva
sentidos à flor da pele
raios solares
e só em silêncio, nu, de olhos fechados
percebo agora
a voltagem dos sentimentos
de forma livre
anti convencional
sacana
       divinamente sacana
entendo, penso e digo:
meu falo encontrou casa
mas só contigo abrigo


meu falo encontrou casa
mas só contigo abrigo

meu falo encontrou casa
mas só contigo abrigo.


TÍTULO DO QUADRO: CLOWN NA OUTRA NOITE

(Por Diego El Khouri)


Picotados raios dialogam violentos na espátula que com o vermelho sangue e o preto noite esboçados está na tela. Edvard Munch é uma das vozes que lembro e reinvento. A sensação louca e torpe do momento também. Verde árvore da vida se embrenhando no meio das trevas. O grito desbragado. O desespero que precisa berrar. Clown novamente no centro dos raios. A espátula insistente em vários trabalhos. (Diego El Khouri)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

DIANA, A SETA, O ALVO



(Por  Samira Hadara)

De longe o alvo, e perto a seta
Caço a distancia, desnudo a presa
A boca que saliva de desejos antes a ceia
Alquimias e misturas perturbam o abatimento
Predo como rapina, em segundos...
Desmantelos e palatos desvelam segredos e apelos que somente meus anseios comportam, sobrevivem
Em pretérito, fogo, lucidez, embriaguez, me tomam por antecedência
Diana a seta, o alvo
Colecionadora de pelos, apelos, desesperos que apraz os insaciáveis 
Prazeres, orgasmos e totalidades
Satisfez suas vontades
Agora é dada a hora de sonhar com o vespertino
Reproduzir  a seta, afinar o alvo para novos desejos sorver.

TÍTULO DO QUADRO: A DANÇARINA

(Por Diego El Khouri)




O olho da dançarina. Mãos e braços desenhando ângulos. O vermelho-tesão segurando o crânio espantado e excitado na nova dança. Vermelho em demasia. Fogo supremo. Um olho-junkie a pequena face do homem revela. Olho-poeta em extrema loucura. O corpo denuncia a sensual dança. Dança frenética que não pára. Árvore da vida sobre a moça. Amor em desejo extremo. Samira Hadara representada no sonho. Olhos negros. Mil símbolos identifico no teu corpo. (Diego E Khouri)


terça-feira, 4 de junho de 2013

TÍTULO DO QUADRO: CAMINHO

(Por Diego EL Khouri)



 O caminhante, representado em muitas telas que pintei, aqui representado como o fio condutor da luz. O sépia na rédea do movimento aparentemente tranquilo. Campo florido e nebuloso que só as cores traduzem. A existência modelando formas, criando possibilidades. (Diego El Khouri)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: A MOÇA QUE SONHA

(Por Diego El Khouri)


O sonho do êxtase. A mesma cor da alvorada daquele dia que me impressionou. Desde então nunca vi nada igual. Aquela sensação foi única, intraduzível. A pintura tenta resgatar isso. O impossível. A moça dorme num sono profundo. Parece morta. Talvez viva. Viva ou morta? O sonho perdura. E a fantasia como fica? A cachoeira ao fundo. A água lava deformidades da alma. Higieniza as chagas. Ela ao fundo fica. Apenas o que se vê é movimento vertical. Um pouco distante da moça. Silêncio (...). Essa moça. Mãe-natureza, sonho, poesia. (Diego El Khouri)

terça-feira, 28 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: CLOWN



(Por Diego El Khouri)



Clown (identidade humana) no centro dos raios. Menino na roda viva do caos. A espátula ardente lançada sobre a tela de forma voraz, orgíaca, elétrica. Traços rápidos. Fusão de cores quentes e frias. Nietzsche dizia que homem se esconde atrás de máscaras. Os raios sensorialmente percebidos como cortes na pele, na alma. O menino que quer se libertar de um futuro medíocre. A espátula criando os raios como faca na carne. Gigantesco coração negro sustentando a cabeça. Um coração costurado bem no meio. A boca representando algo que os olhos desmentem. (Diego El Khouri)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: O OLHO DE LÓTUS

(Por Diego El Khouri)


olho vivo de lótus no seio do universo. O vermelho da alvorada sempre presente. Tinta a óleo, colagem, desenho, pintura. O caminhante novamente representado. Cada quadro uma técnica diferente que trabalha a mesma ideia. Aquele que caminha para voltar (em pesamento, busca) e aquele que caminha para continuar (em passos, corridas). O olho-luz, o olho-d’água, o olho-amor, o olho-poesia. O olho é uma mão revestida de volúpia e sarcasmo. O olho te abraça e beija. O olho produz o escarlate do coração, o vermelho do desejo. A moldura em colagem representando o caos urbano em contradição com a meditação bucólica, a iluminação (o sonhado budhi). Mas Siddartha Gautama já dizia, “só há um tempo que é fundamental despertar. Esse tempo é agora”. (Diego EL Khouri)