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PRIMEIRO DE MAIO, LUTA ANARQUISTA
Por: Gutemberg F. Loki
O silêncio dos inocentes
Vejo como um grande desmaio
Ninguém fala mais o porquê
Do Primeiro de Maio
Comemoram apenas
Como mais um feriado
Não contam a história
Do sangue derramado
Não falam da opressão
E da repressão bruta
Não falam que os anarquistas
Organizaram a luta
Contra as jornadas de trabalho
Tão prolongadas e abusivas
Que ao próprio trabalhador
Eram caras e nocivas
Hoje oito horas de trabalho
É uma coisa tão comum
Mas naquele tempo não era aceito
Por patrão nenhum
Por décadas a fio, sempre querendo,
Lutando e mobilizando
Anarquistas mais trabalhadores
Foram conquistando
E violenta sempre foi
A voz do Estado e dos patrões
Aos trabalhadores sobravam
Mortes e prisões
França, Austrália, Europa, Estados Unidos,
As greves aconteciam
Oito horas de trabalho
Todos queriam
Primeiro de Maio,
De 1886
Nas ruas de Chicago, muito barulho
Ali se fez
Novas manifestações no dia 4,
Na Praça Haymarket uma bomba explodiu
Foi a própria polícia buscando a justificativa
Da violência que se seguiu
O saldo desse brutal confronto
Mais de cem mortos e muitas prisões
Mas ainda haveria mais covardias
Para agradar os figurões
Parsons, Fischer, Engel, Spies,
Lingg, Schwab, Fielden e Neeb,
Presos, julgados, para dar exemplo:
Condenados!
O sonho atrás das grades
Lingg na cela se matou
Parsons, Fischer, Spies, e Engel
Na forca o destino não os calou
August Spies:
“Virá o dia em que o nosso silêncio
Será mais poderoso do que as vozes
Que hoje estrangulais!”
Os Mártires de Chicago
Símbolo contra o Sistema imundo
A sua luta se espalhou
Por todo o mundo
Seis anos mais tarde
A condenação foi anulada
Quem ainda estava preso
Teve a liberdade decretada
Mais à frente o Primeiro de Maio
Foi adotado como feriado ilegal
Conflitos e repressão
A violência era oficial
Foram décadas de lutas
Onde os trabalhadores não recuaram
Os ideais anarquistas
Sempre os motivaram
E quem sonha sempre alcança
O feriado entrou no calendário civil
Um após outro, cada país
Ao feriado aderiu
Somente os Estados Unidos
Como arrogante opressor
Até hoje se recusa reconhecer
O Dia do Trabalhador
E tanta História
E tanta luta
E hoje o povo
Do feriado desfruta
Só não sabe por que
E nem busca informação
Para ele é só um feriado
Pra sua diversão
E comemora o Estado e o patrão
Por tanta popular distração
Mas esse feriado é dos que lutam
E nunca dispensam a reação!
Viva aos Mártires de Chicago!
Viva aos movimentos Anarquistas!
Viva aos trabalhadores
E as nossas conquistas!
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