Hoje recebi a notícia da partida do poeta Andrei, e ela me atingiu profundamente.
Tive a honra de vé-lo recitar poemas em alguns saraus pelo Rio de Janeiro, mas uma das lembranças mais vivas que guardo dele é da FLIP de 2019, em Paraty. Embora já o conhecesse dos saraus, foi lá que realmente começamos a conversar.
Ficamos hospedados no mesmo hostel. Eu costumava virar as madrugadas perambulando pelas ruas de Paraty enlouquecendo, pirando, absorvendo aquela atmosfera da cidade. Já o Andrei dormia cedo. 10 da noite já estava deitado. Ainda assim, quando eu acordava, ele já estava no quiosque de frente para a praia, depois do café, fumando um cigarro. Eu tomava meu café, acendia outro cigarro, e dali surgiam longas conversas sobre poesia, literatura, processo criativo e vida.
Sempre achei interessante esse contraste. Eu vivia a madrugada; ele vivia a manhã. Havia nele uma disciplina silenciosa que contrastava com uma escrita intensa, forte e pulsante. Talvez fosse justamente dessa tensão que nasciam seus poemas.
Também dividimos os mesmos palcos durante a FLIP, ao lado do pessoal da Fio Cultural Produções.
Andrei era um daqueles raros seres humanos que enriquecem qualquer conversa. Ele partiu, mas um poeta nunca morre. Enquanto seus versos forem lidos, sua voz continuará ecoando.
Valeu, Andrei, meu camarada. Nunca irei esquecer aqueles papos interessantes sobre poesia, processo criativo, arte, resistência cultural...
Diego El Khouri







