Ficar em silêncio foi importante, inspirar outros ares. Pensar realmente o que sou e o que fazer nessa porra de mundo. Aqui não falo só pela Editora Merda na Mão. Sempre tive cuidado de separar bem as coisas. Mesmo quando fiquei sozinho nessa empreitada. Sempre tive isso bem claro nesse horizonte. Mas aqui peço licença pra falar através de Diego El Khouri.
Em alguns momentos, achei que era fundamental passar um longo período longe da arte. Não produzir arte. Não pensar em arte. Não respirar arte. A minha arte (dedicação, estilo, temática...) me impede de adentrar o mercado de trabalho, me faz vivenciar na pele esse espírito do artista maldito. Nunca quis esse estigma. Não tenho vocação nem apreço pela ideia de mártir. Estou cagando pra isso. Mas esse ano foi bem pesado, apesar do respiro que foi passar 10 dias acampado na beira do rio, num rolê surreal (mas aí é outra história, um dia escrevo sobre)... Estive sufocado no abismo várias vezes... Ninguém tem noção o quanto foi pesado...
Por mais que a racionalidade me diga pra eu largar essa parada de arte, e até mesmo pessoas próximas, ao longo do tempo, venham me dizendo e me "aconselhando" a esconder minha arte como quem esconde um crime, dizendo que seria realmente melhor para mim enterrar de vez isso... mas a obsessão é grande. Quando falei com o Nem Tosco Todo, da banda punk Cama de Jornal, numa entrevista que concedi ao blog dele (https://toscotodo.blogspot.com/2026/09/entrevista-com-o-multiartista-diego-el.html ), que o cerne da minha criação artística era a obsessão, eu estava falando muito sério. O bagulho é louco mesmo! É mais forte que eu!
Bastaram 5 dias, apenas 5 dias afastado da arte para meu corpo se contorcer todo. Fiquei perdido, deu crise de identidade, vazio cortante, tédio, um tédio absoluto... Acostumado há quase 20 anos ter uma vida ativa em média de 15 a 18 horas diárias (por mais que isso pareça surreal) brecar duma vez foi igual arrancar um braço. Com grana ou sem grana... fudido ou não... saudável ou doente... a arte tem que ser meu centro principal... por mais que o senso comum diga que isso é errado, egoísta ou criminoso... buscar um equilíbrio também é fundamental... É preciso sempre se reencontrar...
E, embriagado pela obsessão que alimenta meu espírito, estou de volta, igual FÊNIX QUE RENASCE DAS CINZAS. A arte sempre será o eixo fundamental da minha vida.
Vou indo aqui aos poucos, tateando, mas em 2027 vou chegar chutando a porta!!!
Vamos lançar a antologia Subversivas, a HQ A Vida do Homem Medíocre, de Edson Baptista, além da graphic novel Frida Carla – A Advogada Mais Ousada do Brasil (roteiro de Fabio da Silva Barbosa e desenhos de Diego El Khouri).
O sistema tentou me calar. A carência de grana tentou me calar. A fome tentou me calar. O capitalismo tentou me calar. MAS NADA VAI ME CALAR!
A Editora Merda na Mão vai continuar publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo. Esmagando a cabeça dos idiotas e inflamando a insurgência do gueto.
Acompanhem as novidades aqui no blog
E foda-se os parasitas!
Diego El Khouri - outsider da galáxia de parnaso





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