segunda-feira, 29 de junho de 2026

Em memória do poeta Andrei ( 1955 - 2026) - Enquanto seus versos forem lidos, sua voz continuará ecoando

  



Hoje recebi a notícia da partida do poeta Andrei, e ela me atingiu profundamente.

Tive a honra de vé-lo recitar poemas em alguns saraus pelo Rio de Janeiro, mas uma das lembranças mais vivas que guardo dele é da FLIP de 2019, em Paraty. Embora já o conhecesse dos saraus, foi lá que realmente começamos a conversar.

Ficamos hospedados no mesmo hostel. Eu costumava virar as madrugadas perambulando pelas ruas de Paraty enlouquecendo, pirando, absorvendo aquela atmosfera da cidade. Já o Andrei dormia cedo. 10 da noite já estava deitado.  Ainda assim, quando eu acordava, ele já estava no quiosque de frente para a praia, depois do café, fumando um cigarro. Eu tomava meu café, acendia outro cigarro, e dali surgiam longas conversas sobre poesia, literatura, processo criativo e vida.

Sempre achei interessante esse contraste. Eu vivia a madrugada; ele vivia a manhã. Havia nele uma disciplina silenciosa que contrastava com uma escrita intensa, forte e pulsante. Talvez fosse justamente dessa tensão que nasciam seus poemas.

Também dividimos os mesmos palcos durante a FLIP, ao lado do pessoal da Fio Cultural Produções.

Andrei era um daqueles raros seres humanos que enriquecem qualquer conversa. Ele partiu, mas um poeta nunca morre. Enquanto seus versos forem lidos, sua voz continuará ecoando.

Valeu, Andrei, meu camarada. Nunca irei esquecer aqueles papos interessantes sobre poesia, processo criativo, arte, resistência cultural...


Diego El Khouri 



domingo, 28 de junho de 2026

RAIVA

  Por  Lí Rubra


Carniceiros.

Vermes imundos.


Malditos famintos de atenção,

moscas podres zumbindo

no limite do meu ouvido

até sangrar a razão.


Hipócritas.

Falsos moralistas.


Pregam virtude com a boca suja,

mas só cultuam o próprio umbigo

enquanto o resto afunda

na lama.


Eu tenho raiva.


Raiva que arde,

que corrói,

que rasga.


Raiva de existir nesse mundo

machista, nojento, apodrecido —

onde ser mulher

é lutar até pra respirar.


Raiva de gente oportunista,

de olho faminto em vantagem,

de almas baratas

que se vendem por um prato vazio —

ou por menos.


Por nada.


Mentem como respiram.

Traem como vivem.


Não têm espinha.

Não têm rosto.


Só restos.


E você —

o que sobra de você?


Além do vazio,

além da carcaça,

além do dia inevitável

em que vai ter que encarar

a podridão

que chama de vida?


— Lí Rubra, em ruptura

domingo, 21 de junho de 2026

SOLIDARIEDADE AO RAPPER BGBYGO

   



A Editora Merda na Mão vem tornar pública uma campanha de solidariedade em apoio ao artista BGBYGO, rapper, cantor, compositor, beatmaker e ativista social e cultural ligado ao movimento hip-hop.

Presente na cena desde 2003, BGBYGO utiliza a música como ferramenta de conscientização, denúncia e resistência. Suas letras dão voz aos excluídos, abordam as desigualdades sociais e raciais e retratam as contradições de uma sociedade marcada pela injustiça, pela falta de ética e pela concentração de privilégios.

Ao longo de sua trajetória, transformou vivências, improvisos e observações do cotidiano em composições que dialogam com a realidade das ruas, da periferia e daqueles que lutam diariamente para sobreviver em um sistema que frequentemente abandona os mais vulneráveis.

Neste momento, porém, o próprio artista enfrenta uma situação extremamente difícil. Desempregado, sem renda fixa e passando por sérias dificuldades financeiras e estruturais, BGBYGO precisa de apoio para manter suas necessidades básicas e seguir desenvolvendo seus projetos musicais.

A cultura independente sobrevive graças à solidariedade. Quando um artista comprometido com sua comunidade atravessa um período de crise, apoiar sua caminhada é também fortalecer a arte, a resistência e a liberdade de expressão.

Quem puder contribuir, qualquer valor é bem-vindo.

PIX: 021.050.340-80

Se não puder ajudar financeiramente, compartilhe esta publicação. Muitas vezes uma simples divulgação pode alcançar quem tem condições de colaborar.

A Editora Merda na Mão acredita que a arte não pode ser deixada para trás. Resistir também é construir redes de apoio.

Força ao irmão BGBYGO. Que tempos melhores cheguem em breve.



* youtube: https://youtube.com/@bgbygo?si=RN2wYSf8l9RRhHBR


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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Em Memória de Tia Badra: Uma História de Afeto e Resistência

 Por Diego El Khouri 




Você foi uma referência de atitude, inteligência, leitura voraz e ativismo em defesa da causa palestina. Parte do sangue árabe que corre em minhas veias veio de você, e isso sempre será motivo de orgulho.


Meu avô Jamil, seu querido irmão, certamente a recebe de braços abertos. E o tio Naim, tão importante na minha formação humana, também estará ao seu encontro.


Desde a minha infância, você respeitou minha profunda ligação com a arte. Eu, muitas vezes a ovelha negra da família, incompreendido por tantos, sempre encontrava em você palavras de incentivo. Você dizia admirar meu talento e, com seu jeito intenso, afirmava não saber por que gostava tanto de mim. 


Essa semana você partiu, mas deixou lembranças vivas que jamais serão apagadas da minha memória. Sua presença, sua força, suas histórias e seu afeto continuarão comigo para sempre. Shukran (obrigado por tudo).


Viva a Palestina!

Viva o Líbano!

Viva tia Badra!


Hoje realmente é um dia triste...

domingo, 7 de junho de 2026

CONTATO IMEDIATO.

  Por Gutemberg F. Loki.


Primeiro foi uma luz intensa

Bem no meio da madrugada,

Um show de luzes coloridas

Deixaram a gata assustada


Depois foi um barulho lá fora

E os cachorros todos latindo,

Até que eles fizeram silêncio 

E do escuro então, veio saindo


Uma criatura horrível 

Um bicho feio pra cacete,

Levantei só de cueca

E lhe apresentei o porrete


O bicho então, apanhou tanto

Que a gata interviu para parar

Ele correu com muito espanto 

Que acho que não vai voltar


As luzes voltaram a brilhar,

E um vento forte soprou

Só vimos então, que do mato,

Alguma coisa decolou


Se queriam invadir a Terra

Agora sabem do perigo,

Eles que não voltem mais

Ou vão se ver comigo!



quinta-feira, 4 de junho de 2026

Marjane Satrapi (1969–2026), autora de Persépolis: símbolo de resistência e luta

 

A Editora Merda na Mão lamenta a morte de Marjane Satrapi (1969–2026), quadrinista, escritora e cineasta iraniana, autora de Persépolis, relato autobiográfico sobre a Revolução Islâmica no Irã e uma das obras mais importantes da história dos quadrinhos contemporâneos.


Sua voz, sua coragem e sua arte seguirão inspirando leitores, artistas e editores em todo o mundo. Em tempos marcados pelo avanço do autoritarismo, da censura e da intolerância, sua obra permanece atual e necessária, lembrando que a memória, a liberdade e a resistência também são formas de revolução.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Fabio da Silva Barbosa em mais um poema escancarando a desgraça humana

 políticos corruptos

em nome da mentira

pra violentar

mantendo o poder

sobre corpos e mentes

são escravos e marionetes

de algo bem maior

que cheira a ganância e podridão 

iludindo o sabotado 

com o show das eleições 

onde dão a impressão 

da participação 

falam de progresso

enquanto sugam nossas vidas

vampiros parasitas

nos ameaçam com as armas e o inferno 

onde o diabo tem todos os dentes

dita normas e usa terno

seus asseclas ignorantes

brindam com detergente sobre a terra plana

só pra comemorar

oligofrenia

decadência intelectual

nem ética nem moral

rezam pra pneu

pedem a ditadura pra deus

egoismo é o princípio 

dos cérebros lavados

das mentes vazias

tédio e monotonia

domingo, 31 de maio de 2026

NA LUZ DAS ESTRELAS.

Por Gutemberg F. Loki

Penso nas pessoas 
Desencarnadas
São memórias boas 
Bem guardadas

Já senti toda a dor
De terem partido
E a gratidão por as terem 
Conhecido

E na luz das estrelas 
Eu sei que posso esperar
O momento certo 
Da gente se encontrar!

sábado, 23 de maio de 2026

3ª LIVE INFLAMANDO O 5º ELEMENTO DO HIP HOP — Episódio com Diego El Khouri

  


Hoje  vamos transmitir a reprise do programa “Inflamando o 5º Elemento do Hip Hop”, realizado originalmente no dia 12 de abril de 2026, data em que a Editora Merda na Mão completou 6 anos de existência e resistência. 


A conversa foi conduzida por Rodrigo Ktarse e Igor CDO, tendo Diego El Khouri como convidado, em um diálogo sobre arte subversiva, cultura underground, produção independente e resistência artística.


O bate-papo já foi repostado no canal do YouTubedigestivo da Editora Merda na Mão e ficará disponível para assistir neste link a partir do dia 23/05/2026, às 16 horas.


Nós por nós, coletividade e augestão.







domingo, 10 de maio de 2026

Flores para as Mães, Ódio ao capitalismo

  



Hoje, 10 de maio de 2026, Dia das Mães, a Editora Merda na Mão celebra toda reflexão que possa se transformar em força contra a apatia e a brutalidade do mundo.

Foda-se o consumismo desenfreado, as propagandas vazias e as datas reduzidas a vitrines. A gente cospe nesse espetáculo. Mas algumas datas carregam sangue, memória, luta e sobrevivência — e não podem passar despercebidas.

Num país onde mães da periferia enterram filhos assassinados pelo Estado, onde falta saneamento, alimento e dignidade, fica evidente que ainda existe uma guerra cotidiana sendo travada contra os desassistidos.

Então fica aqui nosso salve para todas as mães que sustentam o mundo nas costas.

As raízes importam. Sem memória não existe futuro. Ignorar o passado é condenar tudo à repetição da mesma banalidade de sempre.

A Editora Merda na Mão seguirá publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo.


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 Poema e voz: Diego El Khouri

Flauta e edição do vídeo: Ivan Silva 

Vídeo gravado originalmente em 2014