sexta-feira, 1 de maio de 2026

1º de Maio: carregado do sangue da classe trabalhadora. Nunca esquecer. Nunca desistir. Nunca recuar.

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Editora Merda na Mão inflamando a insurgência do gueto. 

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PRIMEIRO DE MAIO, LUTA ANARQUISTA

Por: Gutemberg F. Loki


O silêncio dos inocentes

Vejo como um grande desmaio

Ninguém fala mais o porquê

Do Primeiro de Maio


Comemoram apenas

Como mais um feriado

Não contam a história

Do sangue derramado


Não falam da opressão

E da repressão bruta

Não falam que os anarquistas

Organizaram a luta


Contra as jornadas de trabalho

Tão prolongadas e abusivas

Que ao próprio trabalhador

Eram caras e nocivas


Hoje oito horas de trabalho

É uma coisa tão comum

Mas naquele tempo não era aceito

Por patrão nenhum


Por décadas a fio, sempre querendo,

Lutando e mobilizando

Anarquistas mais trabalhadores

Foram conquistando


E violenta sempre foi

A voz do Estado e dos patrões

Aos trabalhadores sobravam

Mortes e prisões


França, Austrália, Europa, Estados Unidos,

As greves aconteciam

Oito horas de trabalho

Todos queriam


Primeiro de Maio,

De 1886

Nas ruas de Chicago, muito barulho

Ali se fez


Novas manifestações no dia 4,

Na Praça Haymarket uma bomba explodiu

Foi a própria polícia buscando a justificativa

Da violência que se seguiu


O saldo desse brutal confronto

Mais de cem mortos e muitas prisões

Mas ainda haveria mais covardias

Para agradar os figurões


Parsons, Fischer, Engel, Spies,

Lingg, Schwab, Fielden e Neeb,

Presos, julgados, para dar exemplo:

Condenados!


O sonho atrás das grades

Lingg na cela se matou

Parsons, Fischer, Spies, e Engel

Na forca o destino não os calou

August Spies:

“Virá o dia em que o nosso silêncio

Será mais poderoso do que as vozes

Que hoje estrangulais!”


Os Mártires de Chicago

Símbolo contra o Sistema imundo

A sua luta se espalhou

Por todo o mundo


Seis anos mais tarde

A condenação foi anulada

Quem ainda estava preso

Teve a liberdade decretada


Mais à frente o Primeiro de Maio

Foi adotado como feriado ilegal

Conflitos e repressão

A violência era oficial


Foram décadas de lutas

Onde os trabalhadores não recuaram

Os ideais anarquistas

Sempre os motivaram


E quem sonha sempre alcança

O feriado entrou no calendário civil

Um após outro, cada país

Ao feriado aderiu


Somente os Estados Unidos

Como arrogante opressor

Até hoje se recusa reconhecer

O Dia do Trabalhador


E tanta História

E tanta luta

E hoje o povo

Do feriado desfruta


Só não sabe por que

E nem busca informação

Para ele é só um feriado

Pra sua diversão


E comemora o Estado e o patrão

Por tanta popular distração

Mas esse feriado é dos que lutam

E nunca dispensam a reação!


Viva aos Mártires de Chicago!

Viva aos movimentos Anarquistas!

Viva aos trabalhadores

E as nossas conquistas!


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Editora Merda na Mão: 6 Anos Inflamando a Insurgência do Gueto

  


 

https://editoramerdanamao.blogspot.com/

23 de abril — Dia Mundial do Livro

Hoje é o tal do Dia Mundial do Livro.

23 de abril.

Escolheram essa data porque morreram uns nomes phudidos da literatura, tipo William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

Mas vamos direto ao ponto:

a gente caga pra qualquer tipo de data.

Só que também não dá pra ignorar completamente num país que caga ainda mais pra cultura do que a gente pra calendário.

Então fica esse registro atravessado mesmo.

Porque se tem uma coisa que ainda não conseguiram domesticar direito é a leitura.

Ler é perigoso.

Ler dá trabalho.

Ler desmonta certezas idiotas.

Leitura é antídoto contra burrice, contra mediocridade e contra esse looping infinito de conteúdo vazio que empurram goela abaixo todo dia.

E é nesse meio desse caos que a Editora Merdas na Mão segue de pé.

Abril de 2026: seis anos de existência e resistência.

Seis anos fazendo livro na marra.

Seis anos sobrevivendo na insana disciplina, na insistência e na teimosia.

Quem acompanha o blog sabe: a gente tenta postar todo dia. Nem sempre rola. A realidade atropela, o tempo esfarela, a sobrevivência cobra.

Desde o dia 12 de abril, nosso aniversário, a gente abriu outra frente: juntar vídeos de leitores, autores, parceiros e parceiras que somam com a editora.

A galera mandou salve. Mandou força. Mandou palavra.

foi phodaaaaaaaaa!!!!!!!!

Isso virou combustível.

E por isso o blog deu uma respirada esses dias — não por desistência, mas porque a gente tava trabalhando nisso.

Os vídeos estão saindo no Instagrado da editora e no YoTubodigestivo.

Depois vem um material maior, juntando tudo.

Hoje não dava pra ficar em silêncio.

Porque livro ainda é trincheira.

E a Editora Merdas na Mão segue no subterrâneo: publicando o que incomoda, o que cutuca, o que não pede autorização.

A gente não pede licença.

A gente não se adapta.

A gente cospe no status quo.

Se você tá aqui, é porque você é exceção!! 

Só segura um pouco a ansiedade: já já a gente volta com as postagens diárias.

Até lá, seguimos.

Nós por nós.

Coletividade.

Autogestão.

E livro como arma.

sábado, 11 de abril de 2026

3ª LIVE INFLAMANDO O 5º ELEMENTO DO HIP HOP — Episódio com Diego El Khouri



3ª LIVE INFLAMANDO O 5º ELEMENTO DO HIP HOP


Apresentação: Rodrigo Ktarse e Igor CDO 


Diálogos sobre arte subversiva e subterrânea, com o convidado Diego El Khouri, artista visual e protagonista da Editora Merda na Mão. 


🔥 Esta edição acontece em uma data simbólica: no mesmo dia em que a Editora Merda na Mão completa 6 anos de existência e resistência, publicando os impublicáveis e fortalecendo a cena independente.


Data: 12/04/2026

⏰ Hora: 15h

Instagram: @igorrocha_rap


“Conhecimento é resistência!"

sábado, 4 de abril de 2026

Construtores de cabeças

 Por: Edu Planchêz Pan Maçã Silattian Caramuru


Construtores de cabeças

---------------A natureza se vinga,

Gesta o vento de cem mil pés,

Arrasta duas mil cidades por segundo

A onda gigante come as pernas e os braços dos continentes

E aquele que apodrece o céu, o mar e a terra

Clama inocência

                                                                                                                                                                                                              Caixões feitos de dinheiro

Cobrem os vastos campos

Minhas lágrimas não irão secar

Junto com as nascentes

                                                                                                                                                                                                                Tempo de desespero de planetas e homens,

O tiro saiu pela culatra,

Nada tem detido a avalanche,

Nem deuses, nem internautas

                                                                                                                                                                                                                     Sou poeta, homem de fé inquebrável,

Cavalheiro de infinita esperança

Como Bob Dylan e outros construtores de cabeças

Ergo taças de sangue

Atirando dardos de coragem

Aos que estão perdendo a batalha

                                                                                                                                                                                                                           O poeta príncipe de metal

Acorrenta os cães

Dos dentes de estricnina a sua cintura,

Arranca do pâncreas das águas o tumor

                                                                                                                                                                                                                          Ele, o Rei de marfim, sustenta congressos de sóis

Nos corredores do intenso

E espalha especiarias orgânicas

Dizendo aos seus irmãos que façam o mesmo

                                                                                                                                                                                                              Orquídeas imensuráveis precipitam-se

Dos furos das pedras e das cavidades vermelhas

Alargando pétalas sobre os corpos

Das estrelas que esqueceram que são estrelas




quarta-feira, 1 de abril de 2026

Onde tudo começou: o quadrinho punk lisérgico na casa da professora que despertou o pensamento crítico

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Dessa vez, O Filósofo da Maconha aterrissou em um lugar muito especial — um espaço que faz parte da formação de um dos envolvidos nessa história em quadrinhos  punk lisérgica, nascida para incomodar e libertar a mente: a casa da professora Sandra Silveira.

Professora de português, sempre incentivou a leitura e o pensamento crítico. Filha de outra docente, hoje falecida, Dona Malta, Sandra construiu uma forma de comunicação inteligente e diferenciada com os estudantes. Sempre se atualizando, observando novas tendências e evitando se prender ao passado.

Diego El Khouri, roteirista da graphic novel chapada, é grato por todo o incentivo e tem grande respeito por essa professora que tanto o instigou ao longo do ensino médio, no Colégio José Rodrigues Naves, em Goianira — uma cidade do interior de Goiás e que marcou profundamente sua jornada.




Na primeira página da HQ, como de costume, quem adquire  o quadrinho ganha uma caricatura, e com a professora não foi diferente. Diego já tinha a desenhando anos atrás, aos 16 anos de idade; um desenho recentemente resgatado.




E abaixo a caricatura feita na HQ:


...Uma professora adquirir um quadrinho com esse peso mostra a cabeça boa que ela tem...






Valeu, professora!!!!!

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Título: O Filósofo da Maconha 

Roteiro: Fabio da Silva Barbosa 

Desenho: Diego El Khouri 

Formato: 29,5 x 21 cm 

Páginas: 126 

Ano: 2024

terça-feira, 31 de março de 2026

Da sarjeta ao acervo: O Filósofo da Maconha agora na coleção do vocalista da clássica banda punk Cama de Jornal

  



https://editoramerdanamao.blogspot.com/

Chegou a Vitória da Conquista (Bahia) um verdadeiro arsenal pesado vindo do subterrâneo, direto da casa de uma lenda viva do underground: Nem Tosco Todo, vocalista da clássica banda Cama de Jornal e uma das figuras mais importantes da cena independente brasileira.

Nem é um grande parceiro da Editora Merda na Mão. Inclusive, em seus dois últimos livros — Estamos Mais do que Vivos e Diálogos Imaginários e outros escritos (lançados pela Editora Dando a Letra e Tosco Todo) — fomos apoiadores contraculturais dessas obras surpreendentes, que também revelaram ao mundo seu lado literário.




Seu primeiro livro foi a biografia de 352 páginas intitulada Vagando por Aí, publicada em 2023. Em sua turnê por Goiânia, Nem trocou materiais com a Merda na Mão, na pessoa de Diego El Khouri — ocasião em que a editora expôs sua banquinha punk lisérgica no evento promovido pela Two Beers or Not Two Beers Records.



Foi nesse encontro que surgiu o convite para que a editora ajudasse Nem a impulsionar essa nova linguagem pulsante de sua existência: a literatura.



* Na foto Diego El Khouri & Nem Tosco Todo


Nem ficou muito interessado em adquirir a HQ O Filósofo da Maconha. Enviamos pra ele, passou dias e dias, semanas e nada do material chegar. No site do correio só informava a data que saiu de Goiânia... Até que no rastreamento  apareceu uma informação absurda: o remetente autorizou destruir. Fui no correio e os próprios funcionários nunca viram nada parecido. Não consegui resolver isso. Tive que reenviar e enfim felizmente dessa vez chegou.






A Editora Merda na Mão respeita pra caralho a trajetória desse maluco, que faz da própria vida uma forma de resistência artística e cultural. Um agitador cultural de verdade, dos mais foda.

Pra gente, essa parceria é uma honra. Uma puta honra.


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No Youtubodigestivo o show que celebrou o encontro da Editora Merda na Mão com a banda punk Cama de Jornal:






Nascido em Vitória da Conquista, Bahia, Emanuel Moraes, conhecido como Nem Tosco Todo é vocalista da banda de punk rock Cama de Jornal e tem um projeto paralelo chamado Nem Tosco Todo e as Crianças Sem Futuro.

sábado, 28 de março de 2026

Ruas e Cores: Hip-Hop em Tela — o impacto no Museu das Bandeiras levou à prorrogação da exposição

 


 

A exposição Ruas e Cores: Hip-Hop em Tela segue em exibição na Cidade de Goiás até o dia 17/04 — e, devido ao sucesso da mostra, teve seu período prolongado — ampliando esse ciclo potente de encontros, trocas e atravessamentos entre arte, ancestralidade, museu e rua.




A mostra mergulha na força do hip-hop goiano, atravessando memória, identidade e transformação — uma expressão que nasce na rua, reverbera na arte e ocupa espaços, tensionando estruturas e abrindo novos caminhos.


Ainda dá tempo de sentir essa presença pulsando de perto.


Artista: Diego El Khouri

 Produção cultural e curadoria: Lívia Batista



 Site oficial com a pesquisa e as obras do projeto disponível:

 https://laborarteunicamp.my.canva.site/hip-hop-em-tela-site


















* No Museu das Bandeiras, antigo espaço de repressão e encarceramento, ecoa uma história brutal marcada pela violência contra corpos escravizados. Hoje, essa mesma estrutura abriga vozes que resistem — e o hip-hop se inscreve ali como continuidade dessa memória: denúncia, ancestralidade e permanência.

quarta-feira, 25 de março de 2026

O Filósofo da Maconha agora integra o acervo de Anita Costa Prado, criadora da Katita, personagem clássica dos quadrinhos brasileiros

 

O Filósofo da Maconha pousou no caos de São Paulo, no lar de uma roteirista relevante da cena dos quadrinhos nacionais: Anita Costa Prado, criadora de Katita, personagem clássica das tiras brasileiras — e não chegou sozinho. Levou consigo alguns zines publicados pela Editora Merda na Mão, além do zine O Berro, publicado pelo camarada Winter Bastos, que fazemos questão de  espalhar por aí.






Título: Blasfemo nr. 2
Editor: Diego El Khouri
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 12
Arte da Capa: Diego El Khouri
Ano: 2022




Título: Blasfemo nr. 3
Editor: Diego El Khouri
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 12
Arte da Capa: Diego El Khouri
Ano: 2024



Título: Religare

Autor: Ningu3m

Prefácio: Fabio da Silva Barbosa 

Formato: 14 x 21 cm 

Páginas: 12

Ano: 2024

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Título: O Berro nr. 36
Editor: Winter Bastos
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 16
Arte da Capa: Winter Bastos
Ano: 2024


* Katita, personagem roteirizado pela Anita, se afirma como uma personagem de resistência: lésbica, crítica e direta, que usa o humor para tensionar preconceitos e confrontar posturas homofóbicas. É aí que reside a importância do quadrinho — não apenas como entretenimento, mas como ferramenta de enfrentamento e posicionamento dentro da cena dos quadrinhos brasileiros.


Esse viés mais provocativo aparece, inclusive, no zine “Fala aê, porra!!! nº 1”, de Diego El Khouri, publicado há cerca de uma década, onde uma dessas tiras explicita essa postura combativa:





E vale lembrar: quem adquirir O Filósofo da Maconha — um quadrinho de fôlego, com 126 páginas, roteiro de Fabio Barbosa e desenhos de Diego El Khouri — recebe uma caricatura personalizada na primeira página, espaço pensado justamente para esse tipo de intervenção artística, acompanhada de uma dedicatória.

E, claro, não poderia ser diferente: no exemplar recebido por Anita, está lá a caricatura dela:



E é uma honra para nós, da Editora Merda na Mão, ver um quadrinho feito com tanto suor e dedicação integrar o acervo de uma figura tão importante no cenário da arte brasileira. Pra a gente, isso é uma grande satisfação!