O talentoso músico Renato Oliveira recebeu essa semana, no seu trampo no Correios em Goianira, interior de Goiás, um pacote nada comum.
Dentro dele: O FILÓSOFO DA MACONHA.
Além dos zines de brinde, recebeu também a caricatura personalizada e a dedicatória na primeira página — porque aqui quem adquire entra na obra.
E não é qualquer publicação.
126 PÁGINAS de fôlego.
Roteiro de Fabio da Silva Barbosa, desenhos de Diego El Khouri e prefácio de Ciberpajé.
Tem algo simbólico nesse trajeto: Goianira também atravessa a formação de um dos envolvidos no quadrinho, o outsider Diego. Parte da vida foi vivida ali — e agora a história retorna em papel, circulando justamente pelas mãos de quem trabalha fazendo mensagens viajarem.
A Editora Merda na Mão segue publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo.
Devido à insana luta pela sobrevivência — essa tragédia cotidiana que atravessa quem insiste em criar fora do sistema — o lançamento da HQ XXI será adiado em 1 mês.
Não é recuo.
É resistência.
Trata-se de um trabalho de fôlego: 220 PÁGINAS sobre o século sinistro.
Um mergulho brutal no nosso tempo, sem concessões, sem anestesia.
Roteiro e desenho: Diego El Khouri,
o outsider da galáxia de Parnaso.
A arte continua. Mesmo sob escombros.
EDITORA MERDA NA MÃO
Publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo.
Partiu o ser mais sábio que conheci. Invadiu o lar sem pedir licença. Fez bagunça na casa. Alegrou tudo com sua estripulia e energia de vida. Embelezou a existência como nenhuma poesia é capaz (na verdade, ela era a própria poesia).
Quando a gente fala que ela era diferente, não é mero jogo de palavras. Ela, de fato, era diferente. Desde o olhar profundo, atravessando a íris, até a elegância natural que esbanjava. Um ar de graça e elevação. Sua postura fazia com que as discussões cessassem. Todo mundo que a conhecia tinha um certo pudor em sua presença.
Ela veio ensinar o amor. Inclusive ensinou amor a quem achava impossível amar animais. Era uma cachorrinha de rua, adotada ainda filhote pela minha mãe (que não acreditava no amor pelos animais e mudou completamente). Uma artista sensível.
Eu pude conhecê-la já com 8 meses de vida, pois, na época, eu estava morando no Rio de Janeiro, enquanto ela permanecia no centro do país — portanto, já uma adolescente. Não pude ouvir o telefone tocar nesta madrugada, pois estava medicado devido a um probleminha de saúde. Acordei com a notícia. Foi difícil trabalhar hoje.
Fazia um tempo que eu não a via, mas as lembranças ficam.
Durante um período, me vi totalmente excluído de tudo, indesejado e odiado. Quanto mais próximas estavam as pessoas, mais ódio e asco eu recebia. Ser um artista totalmente mergulhado no seu ofício não é nada fácil.
Meg, eu nunca vou te esquecer. Treze anos de vida que duram para sempre.
Obrigado por estar ao meu lado no período em que mais me senti só na minha vida.
Soneto de Queiroz Filho, escrito em 2012, inspirado na arte de Diego El Khouri, o outsider da galáxia de Parnaso e um dos criadores da lisérgica punk Editora Merda na Mão:
Publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo
* Novidades da lisérgica punk Editora Merda na Mão *
Este ano vamos cuspir no mundo um novo álbum em quadrinhos — já em produção avançada — de Edson Batista.
O título não pede licença nem desculpa: A Vida do Homem Medíocre.
O título é um vômito, uma catarse asfixiante do homem moderno, da sociedade que esmaga pessoas e torna a vida um abismo pungente: uma obra que rasga a superfície da sociedade, um retrato cru de uma sociedade que tritura pessoas, empurra o cotidiano para o abismo e chama isso de normalidade.
Com cerca de 60 páginas, a obra rasga a crosta da civilização e joga o leitor direto no campo de batalha: o traço seco, nervoso e marcado pela ideia do não branco no papel trazendo um ar sombrio e abismal numa arte sem romantização e esperança alguma. Em Edson, o vácuo não existe — cada mancha, cada sombra, cada excesso sufoca o respiro e transforma a página num território de conflito. O desenho enfrenta de frente o desespero, a tragédia e a rotina brutal do proletariado.
O trabalhador braçal, o corpo exaurido, o CLT soterrado num tempo impiedoso, num mundo que não oferece saída — apenas repetição, cansaço e colapso.
Edson Batista é do Rio de Janeiro e, antes de tudo, leitor voraz e poeta. A espinha dorsal de seus roteiros nasce dessa fome literária que atravessa Edgar Allan Poe, Allen Ginsberg e Bukowski, misturada ao ruído extremo vomitado por bandas violentas e críticas — som de quem não aceita o silêncio imposto.
Soterrado em empregos massacrantes e com pouquíssimo tempo livre, ainda assim Edson mantém uma produção contínua, obsessiva e resistente, à margem do mercado convencional das artes. E é exatamente por isso que ele representa a alma da Editora Merda na Mão.
Entusiasta da editora desde o seu nascimento, parceiro de trincheira, volta e meia é flagrado por aí vestindo a camisa da editora e adquirindo nossas publicações desde sempre. É um grande parceiro.
Este ano, sem data prevista — pois o trabalho está em andamento, mesmo que adiantado —, vamos publicar essa ode ao trabalhador massacrado neste sistema escravocrata. Serão pequenas histórias curtas, uma espécie de contos em quadrinhos que se erguem como fragmentos narrativos de um mesmo colapso social, lampejos de dor, resistência e exaustão, onde cada capítulo aprofunda o retrato brutal do homem comum esmagado pela engrenagem do mundo contemporâneo.
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Aqui algumas páginas aleatórias desse quadrinho para já sentirem o peso do trampo: