domingo, 9 de dezembro de 2018

POR: EDU PLANCHÊZ

morei em Suzano numa chácara ( no bairro Chácara Mea ), ia de Suzano a Arturo Alvim de trem ), lá pegava o Metrô e descia na Paulista...muitas vezes tive q pular o muro da estação de trem em Suzano pq n tinha grana, lembro q o lado de dentro do muro q dava p estação era cheio de graxa p tentar evitar q as pessoas pulassem ele + a "gente" ligava o foda-se e pulava mesmo, n tinha outra alternativa, graxa, lama, merda n mata, o q mata é viver sem o teatro.
                        ( edu planchêz )






quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A FORÇA MÍTICA DO CANGAÇO

— Percepções sobre a HQ Mulher-Diaba no rastro de Lampião, HQ escrita por Ataíde Braz e ilustrada por Flavio Colin 

Por: Diego El Khouri




O meu nome é Virgulino
O lagarto nordestino
Ouça bem o que lhe digo
O cangaço é meu quintal
Meu sobrenome é perigo

Sandro Kretus


     Justiceiro para alguns, bandoleiro para outros. A imagem agreste e desoladora do nordeste. Bela por si só e rica em cultura e história. Óculos de 15 quilates na face queimada pelo sol. Cabelos à altura dos ombros. Aproximadamente 1.79 de altura em um corpo magérrimo. Fala mansa. Exímio sanfoneiro nos acampamentos. Poeta de olhar febril e intenso. Dançarino das rodas de boemia. Em alguns momentos era rápido e em outros momentos, devagar. Dedos enfeitados com anéis de ouro. Armado até os dentes. Estilista de sua imagem. Cabra macho e amante de belas mulheres. Justiceiro e politicamente incorreto. Religioso e supersticioso. A imagem mítica de um Brasil que se perdeu, ou melhor, se esqueceu de sua própria história.
O cangaço (que é o “nosso parnaso no universo”) trás em si características marcantes e que foi muito retratada pelo cinema. Quem não assistiu, por exemplo, o filme “O auto da compadecida” dirigido por Guel Arraes e baseado na obra do Ariano Suassuna? Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, carrega em seu peito a aura cultural do Brasil.
     Mulher-Diaba no rastro de Lampião, HQ escrita por Ataíde Braz e ilustrada por Flavio Colin retrata de forma fantástica todo esse mundo repleto de poesia, violência, magia e intensidade. O traço do desenhista parte de sutilezas, recriação do espaço, geografia e poética. A dita “língua errada do povo” perpassa pela obra dando uma carga fidedigna ao trabalho. Bom mesmo é a “língua errada” do povo, já o que fazemos é “apenas macaquear a sintaxe lusíada”.
     Colin acredita na pesquisa. Acha inclusive que é fundamental para se criar qualquer tipo de arte. Segundo ele, “a pesquisa te leva, não só a valorizar o trabalho e passar uma informação mais precisa e correta, como também a aprendemos. É subsídio para nossos futuros trabalhos”. Há um diálogo forte nessa HQ em parceria com Flavio entre o verbal e o visual. A expressão dos personagens (mesmo utilizando muito pouco de rachuras e sombra) dão uma toque expressivo para a obra. A falta de sombra tem justamente essa ideia: o clarão abraçando todo o espaço, um sol escaldante e característico do ambiente em questão. O Nordeste representado pela realidade e pelo sonho. O onírico é um dos tentáculos que os roteiro se utiliza muito bem ao longo da narrativa. Uma tendência cada vez mais forte entre os quadrinistas nordestinos, como por exemplo, Bruno Marcello, Rodrigo Xavier e leandro Moura.
Outra característica importante e que vale ressaltar é a influência do cinema nos traços dessa HQ. No primeiro quadrinho da página cinco fica bem claro isso. Aquela cena dos cangaceiros sobre seus cavalos, armados, de frente a uma casa, é uma imagem recorrente nos filmes inspirados no Lampião e também nas películas produzidas nos Estados Unidos que representam o faroeste, filmes estes também chamados de cinema western (que significa “ocidental”) e que refere-se a fronteira do Oeste Americano durante a colonização. Região também chamada de far west (extremo oeste). E a narrativa vai se construindo dessa forma. Os enquadramentos, as vestimentas da personagens, o jogo forte de luz sobre todo o papel, as onomatopeias (que resgata a tradição do estilo nas produções impressas dos gibis), o movimento voraz das cenas, a geografia da caatinga, que é um bioma exclusivamente brasileiro, marca a obra Mulher-Diaba no rastro de Lampião como trabalho genuinamente nacional (um tipo diferente de contar histórias e que pode sim atingir outros locais fora do país).
     O fantástico assume caráter mitológico quando este retrata o mágico delirante que dança na mente das pessoas do local. Nesse sentido, a cultura está no cerne da questão. O mágico e o fabuloso tem uma áurea genuína. Nele o “abstrato real” cria camadas de poesia e as metáforas contam histórias. Histórias com um fio condutor que unem as crenças, os olhares e as sensações. A HQ é feliz nisso. Nessas sutilezas que perpassam o imaginário humano e, principalmente, esse imaginário dentro de uma cultura determinada cria potência e é um resgate certeiro na ancestralidade. A hemoglobina dança sinuosa no ósculo vertiginoso da pretérita memória presente de um passado que nos une como cidadãos de uma mesma orbe.
     Ler Mulher-Diaba no rastro de Lampião é mergulhar na nossa própria história.

domingo, 2 de dezembro de 2018

MAIS UMA NOITE EM VÃO


Por Fabio da Silva Barbosa

os vapores da loucura tomam conta do ambiente

fumaça
tabaco
nicotina
mais um gole
fermentado
destilado
do outro lado

vozes se misturam a vários outros sons

calor e agonia

um bêbado arrota grosserias
a mulher quebra a garrafa na cabeça dele
o patife beija o chão

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

BON-VIVANT

Por: Buffon de Carvalho

o bon-vivant
                   cruza
        o    s
                  desertos
   & 
         aproveita
     a                
                       espera:

para ele
tudo é prima-vera

& o verão
      aque  ce
               seu
               san- 
       gue


cada dor
     é uma
        oportun-idade

- antesala
      de inédito
                 gozo -
o mundo
          todo:

   praze-rosa
       química

sábado, 17 de novembro de 2018

MAQUINARIA

Por: Ikaro Maxx

Por que há tanto trovão na fúria
& ela nunca serena:
não alcançará o mar um dia?

Se uma cicatriz que não diz seu nome não fecha 
haveria sol para uma superfície que, por infinitas voltas,
se aprofunda & não se revela?

Os trabalhos cotidianos cessaram
& as lamúrias não são mais ditas.
Não amaldiçoem a vida, escravos de todas as eras.

A história testemunha todo o esforço depreendido
O sono que se coagula
numa retina tão espremida

O horizonte que se distancia enquanto se caminha
em meio ao caos & ao desejo
As terras prometidas de todos os dias
das horas imperturbáveis que bafejam

O sol que antes cuidava de nós parece querer dormir
dono de luz tão intensa que nela se afoga como numa cama
& à noite as criaturas migram de uma fome à outra
desassossegadas como na primeira noite humana

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

EIS O BURACO

Por: Edu Planchêz

nas fornalhas do corpo, nas fornalhas,
nos arredores do campo, do salão
a mim apresentado por uma bruxa,
esse salão ficava no oco de uma árvore,
disse-me isso Hans Christian Andersen
guardo comigo os três cães,
o de olhos de botão, o de olhos de xícara...
e de  olhos do tamanho de uma roda de uma carroça...
caríssimo Diego El Khouri,
apenas você me entenderia nessa hora,
apenas você navegante malungo eu
roger walters e seus irmãos pink floyd,
minha mulher catarina crystal, a rainha do egito,
a rainha, a ave, o céu de meus cabelos
sol girassol guitarras som de rio...
meus princípios cor de esmeraldas,
a batida imperfeita, eis o buraco,
a passagem
arco-íris
aviões de cera
almofada quadriculada sorvete chocolate e creme

sábado, 3 de novembro de 2018

O MITO

Por: Marizete Ribeiro

Tenho que reconhecer, Bolsonaro realmente é um mito, aceito.

O cara venceu uma eleição:

• Prometendo cortar direitos trabalhistas em um país de maioria pobre;
• Prometendo privatizar ensino num país que mais de 80% estuda em escolas públicas;
• Sendo machista num país que 50% dos eleitores são mulheres e no quinto pior país para se nascer mulher.
• Sendo racista num país onde 53% da população é negra;
• Sendo homofóbico num país que 15%,(estimados) da população é lgbt+ e no país que mais mata lgbts no mundo;
• Prometendo acabar com estudo superior gratuito num país que só produz conhecimento acadêmico em universidade federais;
• Sem uma proposta econômica clara;
• Sem proposta para segurança - ou vai me dizer que proposta para segurança é armar a população e dar permissão para Polícia matar?;
• Sem falar absolutamente nada sobre melhorar nossas estradas, nem hospitais, portos, escolas e entre outros assuntos urgentes;
• Sem dar entrevista;
• Sem ir aos debates;
• Ameaçando as minorias;
• Defendendo publicamente e reiteradamente torturadores;
• Amedrontando a oposição; falando que vai acabar com os ativismos.
• Falando em fechar STF e o Congresso;
• Convocando militares para ministérios.
• Se dizendo nacionalista, mas a favor de entregar toda a soberania nacional para os gringos;
• Usando o nome de Deus em vão ao propagar o ódio e preconceito.

Sua campanha foi no WhatsApp e em menos de 20 segundos de horário político foi para o segundo turno, arrebatando seguidores através do ódio e da raiva. Agora no segundo turno ele teve tempo mais do que suficiente para apresentar suas propostas, mas gastou seu tempo atacando o adversário.

O cara é um mito em um país que "tudo vale a pena se não for o PT"; em um país machista, racista e homofóbico; em um país que 40% da população nunca comprou um livro, num país que tem apenas 6 famílias comandando a informação midiática..

Eles dirão: Se não der certo a gente tira.

Alguém me diz como que a gente tira militares do poder?

Tem gente que acha que é batendo panelas e indo pra Paulista... Doce ilusão.

Que Deus tenha piedade de nosso Brasil!


terça-feira, 23 de outubro de 2018

POR: EDUARDO MARINHO

Tempos de trevas se anunciam. O trabalho no inconsciente criando o "anti-petismo" já vem, há mais tempo do que se percebe, sendo feito pela mídia, em jornais, programas, novelas, ajudado pela conduta deste partido, que se igualou nos procedimentos institucionais a todos os outros, embora com programas pontuais de "inclusão social", entre aspas porque essa inclusão foi puramente comercial, na capacidade de consumo, e não tocou na criação de consciência social, nem no domínio das comunicações por empresas privadas. Estas, como porta-vozes do poder econômico, trabalham na manutenção da sociedade como ela é, desumana, dependente da exploração da maior parte da população. E pra isso é preciso ignorância, desinformação, miséria, abandono e repressão desenfreada.

"Fora petê", "petê nunca mais", "tudo menos o petê", "petê comunista" e outras compulsões irracionais foram incutidas à exaustão em todos os meios de comunicação de massa, os privados, com seus profissionais de "alto nível", consciências compradas por alto preço. A mídia tem sua ala "evangélicas", entre aspas porque o evangelho é quase oposto à sua ideologia, com tanta eficiência no domínio mental que a massa dos "fiéis" nem percebe que, seguidores de Jesus (que foi preso pelas forças de segurança, torturado uma noite inteira e pendurado com pregos em madeira pra morrer), são levados, induzidos, pressionados a escolher um declarado torturador e assassino ("tem que matar uns trinta mil") pra presidente da república. Engolem até a mentira de que ele também é evangélico, na encenação feita com seu "batismo" em Israel, "pátria espiritual" da "nação evangélica".

Tempos de trevas se anunciam. É preparar o lombo, aguçar os sentidos e afiar a criatividade. Vamos precisar, até sair do túnel em que estamos entrando. 

domingo, 7 de outubro de 2018

+++++++++++++++++++++++++

Por: Diego El Khouri 

A chuva  aqui  cai vorazmente. Um clima melancólico.  O cinza emoldurando  a paisagem triste num dia de domingo . Coração  apertado. Silêncio.  Só o barulho da chuva.  De que forma o Brasil vai amanhecer? De que forma vou amanhecer?


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

E MAIS UMA PRIMAVERA NESSA VIDA DE INVERNO

Por: Joka Faria


Obra de Diego El Khouri 
Tarde de primavera, leituras de “Uivo” de Alllen Ginsberg. Faço um café ouvindo velhas canções brasileiras, Antonio Marcos, Paulo Sergio, Vanusa. A vida segue em suas mudanças, primavera, cachoeiras, praias caminhadas.
Reflexões sobre as estrelas, nessa manhã caldo de cana com um amigo e velhas conversas.
E mais uma primavera nesta vida de inverno.
Saudade de alguma estrela distante. Um conto de Dalto Fidencio “Eram os deuses demônios”, poesia, canções. Um encontro com as artes plásticas, as cores de Diego El Khouri.
Vida que segue, eternamente conflitos entre homens, semideuses e astronautas. De alguma estrela viemos e lutamos para voltar.
Lia Allen Ginsberg, enquanto o sol da tarde com sua luz me permitia. Quantas vidas nesses poetas. Ontem, em momento de sonho confrontava e dialogava com estranhos seres da dimensão do espelho.
Uma terra não reconhecida pela nossa desumanidade. Os verdadeiros filhos da Terra. Quantas ilusões! E Clarice Guimarães contava-me de seus sonhos e suas desventuras nas galáxias. Eram os deuses Reptilianos? Delírio!
A vida segue, trabalho educação, deseducação. Cadê o poema que ainda não foi escrito?
Primavera, contos, ensaios, poemas.
Clarice nunca era Clarice.
Vida, enquanto não se deve atravessar espelhos.
De qual estrela viemos? Ouçamos umas velhas Canções de Edu Pranchêz … Tambores de Fogo.
Joka Faria
João Carlos Faria
Setembro, Primavera de 2018.
----------