Por: Diego El Khouri
cheguei na universidade doutrinado
pelas ruas fétidas de goiás beat
por incontáveis botequins sujos de sangue e lágrimas
por uma jacarepaguá endoidecida de ópio e vinho
por cristais azuis de lisergia trânsfuga e anônima
que arranca do peito qualquer tentativa de submissão
nasci de um parto torto e feio
vil como nau perdida
alabastro preso nos arrebóis embriagados de êxtase
all right tupinikim from Amazônia
para que e para quem? para onde?
onde
para
o
mar
quadrada enfim está a Terra
cálida e caída pelos inimigos da Terra
universotário em lânguido pântano
palavras espessas no leito de artaud
palavras cruzadas, paquidermes signos
amantes de aljôfares e incenso (nardo)
Vermes aristocratas
o cu que cospe chumbo
é o mesmo que queima livros, ameaça professores, assassina pretos, crianças, homens e mulheres
e a mídia não vê??!!
a mídia não vê??!!
a mídia não vê??!!
a mídia
VÊ.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
CAIRO TRINDADE: O POETA QUE VIROU POESIA
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Por: Diego El Khouri
------ Hoje Cairo Trindade virou poesia! -------
Deixa um legado importante nas artes e na cultura do país. Conheci o poeta por volta de 2012/2013 no Rio de Janeiro. Na época eu estava morando nesse Estado e praticamente toda semana (normalmente algumas vezes na semana) nos esbarrávamos pelos saraus da cidade. Sempre admirei o talento, inteligência e a intensidade do casal Denizis Trindade e Cairo Trindade. Com certeza o poeta fixou sua obra ao lado de grandes nomes da literatura mundial como, por exemplo, Mário de Andrade, Murilo Mendes, Florbela Espanca, Jorge de Lima, Rimbaud, Fernando Pessoa,.etc... Um abraço afetuoso, meu amigo.
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Com os poetas na praia do Leme, RJ -- Sarau Pelada Poética. Ano: 2014
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O poeta fala de si:
"Comecei muito cedo. Minha casa era pobre, mas todos tinham algum tipo de relação com a poesia. Lembro que minha irmã fazia sonetos e poemas românticos e parnasianos. Hoje me parecem ridículos, mas eu adorava. (rs) e o q é pior: tentava imitar! (rsrsrs) e os meus primeiros poemas tinham muito “pranto”, “solidão”, terror”, “sangue”, “miséria”, “morte”. Eram metidos a sérios. Apoteóticos & apocalípticos. No ginásio, comecei a fazer jogral e conheci Fernando Pessoa e os modernistas brasileiros. Foi uma revolução na minha cabeça. A partir daí, eu quis saber de tudo. Até que conheci o o poema concreto. Quando vim pro Rio, em 68, deslanchei. Passei a fazer happenings com meus amigos hippies, conheci a poesia visual e passei a fazer teatro. Fui juntando as duas coisas até que, no final dos anos 70, encontrei os poetas performáticos e criei a “gang”. Foi aí que virei militante e ativista. Queria botar a poesia em pé, fazer poesia viva, e trazê-la para junto do povo. Nos anos 80, estava decidido: seria esta a minha vida: poesia, poesia, poesia. Na década de 90, decidi me aperfeiçoar na técnica, abri a oficina e me profundei no conto e na crônica. Estudei o romance e a novela. Depois, estudei letra de música, roteiro de cinema, já conhecia a dramaturgia do tempo de teatro, e descobri que a palavra é o meu barato. Hoje eu sou poeta. e um dia, eu viro poesia."

"Comecei muito cedo. Minha casa era pobre, mas todos tinham algum tipo de relação com a poesia. Lembro que minha irmã fazia sonetos e poemas românticos e parnasianos. Hoje me parecem ridículos, mas eu adorava. (rs) e o q é pior: tentava imitar! (rsrsrs) e os meus primeiros poemas tinham muito “pranto”, “solidão”, terror”, “sangue”, “miséria”, “morte”. Eram metidos a sérios. Apoteóticos & apocalípticos. No ginásio, comecei a fazer jogral e conheci Fernando Pessoa e os modernistas brasileiros. Foi uma revolução na minha cabeça. A partir daí, eu quis saber de tudo. Até que conheci o o poema concreto. Quando vim pro Rio, em 68, deslanchei. Passei a fazer happenings com meus amigos hippies, conheci a poesia visual e passei a fazer teatro. Fui juntando as duas coisas até que, no final dos anos 70, encontrei os poetas performáticos e criei a “gang”. Foi aí que virei militante e ativista. Queria botar a poesia em pé, fazer poesia viva, e trazê-la para junto do povo. Nos anos 80, estava decidido: seria esta a minha vida: poesia, poesia, poesia. Na década de 90, decidi me aperfeiçoar na técnica, abri a oficina e me profundei no conto e na crônica. Estudei o romance e a novela. Depois, estudei letra de música, roteiro de cinema, já conhecia a dramaturgia do tempo de teatro, e descobri que a palavra é o meu barato. Hoje eu sou poeta. e um dia, eu viro poesia."
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Talvez eu viaje
qualquer dia desses.
Ainda não sei quando, nem como,
nem pra onde, nem com quem.
Talvez em bando, talvez contigo,
talvez só, sem ninguém.
Pode ser amanhã,
semana que vem,
daqui a um mês,
ou dois, ou três.
Talvez eu escolha o lugar,
prepare a viagem
e me despeça de todos,
um a um, talvez.
Ou de repente, nem sei,
imprevisivelmente,
quem sabe viaje sem alarde.
Sem avisar, sem dizer nada,
sem que ninguém sequer
venha me ver
na hora exata da partida.
Tudo bem, me perdoem,
nunca é tarde
para qualquer abraço.
Ou despedida.
(Cairo Trindade)
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" Cairo Trindade foi um dos criadores do Movimento de Arte Pornô nos anos 80, tendo organizado o 'Topless Literário', um desfile de nudismo ao longo de Copacabana. Ele e sua esposa Denizis Trindade formavam a 'Dupla do Prazer', com performances poéticas.
Ele publicou antologias de autores de sua oficina literária e participou da Fresta Literária, um slam erótico de poesia organizado pelo poeta Vinni Corrêa.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
MARTIN LUTHER KING
Título: Martin Luther King
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 420 x 297 mm
Artista: Diego El Khouri
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
CRUZ E SOUSA, O POETA DO DESTERRO
Título: Cruz e Sousa, o poeta do desterro
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 420 x 297 mm
Artista: Diego El Khouri
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
DISSOLUTO FRUTO PROIBIDO
Por: Diego El Khouri
Somos nós, somos pó
só, intransigente
dissoluto fruto proibido
pele carcomida pelos dias
sombrios sinistros
oblíquos
Carcaça puta puto pavio
mastro enlouquecido
"deus vivo" onde (?)
aonde ande (andei?)
voei voei voei
bêbado
nos quatro ventos
na terra do sol
Só nós, o pão e o vinho
a morte e o abrigo
perigo e instante
( o suicídio)
Livre e enclausurado
aberto e fechado
carimbado e rotulado
(o suicídio)
Careta e chapado
torpe e imaculado
junto e abandonado
(o precipício ?)
A noite está fria
como o abismo
(pra que se agasalhar
nesse terno de vidro, meu amigo?)
Somos nós, somos pó
só, intransigente
dissoluto fruto proibido
pele carcomida pelos dias
sombrios sinistros
oblíquos
Carcaça puta puto pavio
mastro enlouquecido
"deus vivo" onde (?)
aonde ande (andei?)
voei voei voei
bêbado
nos quatro ventos
na terra do sol
Só nós, o pão e o vinho
a morte e o abrigo
perigo e instante
( o suicídio)
Livre e enclausurado
aberto e fechado
carimbado e rotulado
(o suicídio)
Careta e chapado
torpe e imaculado
junto e abandonado
(o precipício ?)
A noite está fria
como o abismo
(pra que se agasalhar
nesse terno de vidro, meu amigo?)
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
LUTAI POR NÓS
Por: Simone Gomes Firmino
“Plantação de maconha nas universidades”. “Quer as pessoas aceitem ou não, nós vamos rachar o que o Brasil entende de cultura”. “A escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes...negros no Brasil vivem melhor que os negros da África”. “Rock como ativador de drogas, aborto e satanismo”. “Caetano, Legião Urbana e Gabriel O Pensador são a causa do analfabetismo”. Estas são apenas algumas das afirmações feitas por personagens do governo federal, em pleno século XXI. Não podemos esquecer também uma das incontáveis pérolas do chefe do executivo, JB: “Leonardo DiCaprio financiou as queimadas ocorridas na Amazônia”. Não bastasse tamanha incompetência dos membros desse governo, boa parte deles, talvez 99,9% têm algo a mais em comum, além da incompetência, se intitulam seguidores de um pseudo intelectual, que atende pelo nome de Olavo de Carvalho, o “Filósofo”. Todos os dias uma nomeação para esse governo se torna um meme, uma piada pronta com os discursos passados e presentes desses personagens cômicos, assim fica até fácil prever o futuro de seus discursos, pois sabemos o quão são preparados e, diria até treinados, para nos fazer rir com suas dementações, claro seguindo incansáveis, o seu estulto mestre. A questão é que todos esses discursos foram proferidos por pessoas que estão ocupando funções importantes da esfera federal, ministro da Educação, Secretaria Especial de Cultura, Presidência da Fundação Palmares, Presidente da FUNART (Fundação Nacional de Artes), Presidente da Biblioteca Nacional e para fechar os exemplos supracitados, Presidente da República. E por mais que estejamos rindo dos memes produzidos com tais discursos, não dá para usar a velha máxima – Seria trágico se não fosse cômico! – isso porque de fato é trágico. Eles estão ocupando funções que são imprescindíveis para o povo brasileiro, para os movimentos populares, estão ocupando espaços importantes e nos ocupando com gargalhadas e memes sobre suas insanidades. E o que estamos fazendo? Lendo e vendo os memes, rindo de raiva, se indignando, mas permanecemos calados para além da realidade virtual. Eles postam seus discursos nas redes sociais e despertam as reações dos internautas, reações estas que ficando somente restritas às redes não causam efeitos práticos na realidade que eles estão rachando. As redes sociais são importantes ferramentas, mas é preciso ir além delas, se quisermos parar o cerceamento aos direitos da população brasileira, parar o desmonte da Cultura e da Educação, parar com as atrocidades cometidas ao Meio Ambiente. Eles estão discursando e ocupando esses espaços! E nós estamos discursando e que espaços estamos tomando? Estamos perdendo espaços. Não podemos permitir que discursos como esses continuem a ganhar espaço e que se naturalizem! As ruas são espaços públicos que temos todo o direito, garantido pela Constituição Federal, de ocupar! Vamos à luta! Vamos às ruas! Vamos reconquistar nossos espaços! Chega de discursos baseados em falsos profetas, pseudo intelectuais, falsos moralistas, incompetentes de plantão e frustrados diversos! O Brasil precisa de nós brasileiros que acreditam na força de uma verdadeira democracia, na luta diária dos movimentos sociais, nas lutas para acabar com as diferenças de classes, na força das mulheres, na luta dos trabalhadores e trabalhadoras, nas lutas diárias contra o racismo, nas lutas contra qualquer tipo de preconceito! Brasileiros que acreditam na luta!
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
POR: EDU PLANCHÊZ
com a libidinosa argila
preparo a escultura,
de muitas faces, sem olhos, com muitos olhos,
biliares de olhos escapando
dos laços, dos nós,
atrito do corpo com a lama
matéria da arte,
matéria que espreme o ar,
a chuva,
o encontro,
a curva do encontro
paineira que avisto daqui do meio,
da serra, do meio da umidade
quaresmeira que me liga
ao ipê rosa ( o que vi numa pintura de Diego El Khouri ),
e a enorme criatura de 83 metros
que vive na amazônia coberta de flores e pássaros
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Por: Diego El Khouri
* Desenho feito em 2005
preparo a escultura,
de muitas faces, sem olhos, com muitos olhos,
biliares de olhos escapando
dos laços, dos nós,
atrito do corpo com a lama
matéria da arte,
matéria que espreme o ar,
a chuva,
o encontro,
a curva do encontro
paineira que avisto daqui do meio,
da serra, do meio da umidade
quaresmeira que me liga
ao ipê rosa ( o que vi numa pintura de Diego El Khouri ),
e a enorme criatura de 83 metros
que vive na amazônia coberta de flores e pássaros
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Por: Diego El Khouri
* Desenho feito em 2005
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