segunda-feira, 23 de maio de 2022

[Resenha] Álbum em quadrinhos Renovaceno: a leveza de um ser que dança em meio ao silêncio, na vibração do pulsar da vida.

 Por Carla Fernandes


Cada página do álbum em quadrinhos Renovaceno coloca diante de nós aqueles questionamentos que nos causam muitos nós na garganta. Como poesia em traços, com sutileza e a atmosfera tão singular do Ciberpajé, nos faz contestar o ponto de equilíbrio entre a razão e a emoção que nos torna seres humanos. 

Senti em cada uma das páginas a necessidade de me silenciar por um instante, como uma buscadora, tentando absorver e fazer um mergulho interno, refletindo sobre a beleza e o caos que permeiam toda a vida através da experiência humana. Renovaceno é sobre despirmo-nos de tudo com o que acobertaram nossos sentidos, até encontrarmos a leveza de um ser que dança em meio ao silêncio, na vibração do pulsar da vida.

*Carla Fernandes é Arquiteta e Urbanista 

O álbum Renovaceno (68 pags) tem tiragem limitada e pode ser adquirido diretamente com a editora pelo e-mail: editoramerdanamao@yahoo.com

 


Postagem original:

sábado, 21 de maio de 2022

Sobre publicações independentes diversas (diversas mesmo!)

 (Por: Winter Bastos)


É incrível a variedade de fanzines e publicações alternativas que andam sendo produzidas. Existem, por exemplo, os fanzines poético-sexo-escatológico-críticos do artista plástico e escritor Diego El Khouri, entre eles: BrenfaBlasfemoFala "Aê" Porra! e Século Sinistro.


Brenfa é um fanzine que faz a cabeça de muita gente, em todos os sentidos. Em seu número um, lançado em 2012, logo na capa temos o desenho duma árvore estilizada, com os galhos erguidos ameaçada por um policial militar que lhe aponta um revólver: "Passa a erva, Mãe Natureza!". Do lado oposto, um cabeludo pede humildemente: "Me dá a erva, Mãe Natureza!". Faz a gente pensar de que lado queremos ficar e qual lado seria realmente o perigoso. Esta primeira edição do Brenfa é toda em preto e branco, fotocopiada, com dezesseis páginas tamanho A5 não numeradas, formato brochura. Tem quadrinhos e poemas de Ivan Silva e Diego El Khouri, entrevista com o artista indefinível Murilo Pereira Dias (o Murilouco) e texto dissertativo de Fabio da Silva Barbosa.


Brenfa nº 2 mantém o mesmo formato do anterior, com seus usuais desenhos em P&B e poemas transgressores. É destaque a entrevista com o poeta Glauco Mattoso, o mais profícuo sonetista de que se tenha notícia no mundo, e cuja temática escandaliza muita gente por incorporar assuntos cotidianos, bem como escatologia, violência e sexo.


A terceira edição de Brenfa tem capa e contracapa bem coloridonas, o que é um feito e tanto em se tratando duma publicação sem patrocínio e, pelo contrário, bastante incômoda aos donos do capital. Ficou bonita pacas com os desenhos pra lá de psicodélicos de Diego e Ivan Silva. Optou-se, desta vez, por um número só com charges e cartuns. Muito bom.


O número 1 do fanzine Blasfemo também se compõe apenas de quadrinhos e desenhos vários. Saído sob o selo da Editora Merda Na Mão (criada por Diego e Fabio da Silva Barbosa), Blasfemo tem na capa a desconcertante imagem do povo sendo estuprado pelo Capitalismo. E dentro da publicação rolam mais críticas sociais pesadas. Ler essa parada não é pra qualquer um. Ousadia pura.


Século Sinistro é outra publicação de Diego El Khouri, esta saída em dezembro de 2018, tendo na capa a caricatura do político Jair Messias Bolsonaro com um broche de suástica, fazendo uma saudação nazista. Este fanzine toma como base pensamentos expressos por Jim Morrison, Jean-Paul Sartre e pela banda Ratos de Porão, que tem um disco que se chama exatamente "Século Sinistro" (aliás, muito bom!).


Fala "Aê", Porra! é mais uma ousadia editorial do Diego. O número um traz capa e contracapa com desenhos hipercoloridos, psicodélicos, que incluem uma orgia de ratos prestes a serem devorados por uma cobra, bem como o autorretrato de Diego nu, sentado numa privada enquanto pinta uma rã modelo que posa para ele, estendida languidamente num sofá. Na parte interna da publicação, temos desenhos, uma dissertação sobre o poeta Artur Rimbaud, tiras de quadrinhos e poemas, além duma bela entrevista com Sylvio Passos, especialista em Raul Seixas.


O segundo número de Fala "Aê", Porra! saiu todo em preto e branco, também com belos poemas, quadrinhos, bem como uma competente crítica do romance gráfico (história em quadrinhos) Mulher Diaba no Rastro de Lampião.


Ficou a fim de conhecer? Para receber os fanzines de Diego El Khouri, entre em contato com ele pelo endereço: elkhouri.diego@hotmail.com 

Enxurrada da Desgraça é um fanzine que segue mais pela estética anarcopunk com poemas e desenhos incitando revolta contra: Estado, Igreja, Capitalismo, patriarcado e todas as formas de dominação. Algumas pessoas podem se sentir ofendidas pela virulência das críticas, que não medem palavras, nem se preocupam com as formas de expressão que se poderiam considerar de bom-tom. Pintou curiosidade? Então é só entrar em contato por um dos endereços abaixo:

gilcelio.olerante@gmail.com

segundo666hellawaits@gmail.com

priscylaalves5@gmail.com

pedrocasavelha@gmail.com



Diferente do tipo de publicação que este texto citou anteriormente, a iniciativa editorial Profecia Comics tem uma proposta mais de acordo com o que é contemplado tradicionalmente no mercado de quadrinhos. Mas nasceu também duma ousadia. Foi lá pelo ano de 1985 que dois guris de 10 anos de idade, primos e leitores vorazes de revistas em quadrinhos da Marvel, resolveram fazer seus próprios gibis. Diferente de muitos atuais viciados em tevê, Jerry A. Souza e Alex Stümer recusaram o papel de consumidores passivos e passaram a dar asas à imaginação. Ainda crianças fizeram suas primeiras HQs, que tinham a tiragem de um exemplar (!), roteirizado, desenhado e pintado por eles próprios. Foram aos poucos criando seus próprios personagens e buscando formas de fazer cópias das revistas: assim nasceram os fanzines dessa dupla. Estes foram se elaborando mais e mais. Hoje a Profecia Comics já tem 30 anos de existência e vem lançando fanzines de quadrinhos com qualidade, pondo em ação personagens como Peryc (mercenário criado por Denilson Reis), Brandar (criação de Jerry A. Souza) e outros. Que tal se aventurar por estas publicações independentes tão divertidas?

Entre em contato com Jerry A. Souza pelo endereço:
jerry@pzo.com.br 

Agora vamos pular do assunto super-heróis para o tema samba de subúrbio, afinal tudo é válido de figurar em fanzine. A publicação Bento Ribeiro: Tantos Enredos, Outros Carnavais faz parte da coleção "Bento Ribeiro: Memória e Cultura", tem texto do escritor Fábio Cezar, contando com diagramação e edição da Deriva dos Livros Errantes. Publicado em dezembro de 2021 na cidade do Rio de Janeiro, esse zine tem como imagem de capa uma foto de rapazes da Escola de Samba Lira do Amor, que figurou originalmente na revista O Cruzeiro em 1935. Que tal aprender um pouco sobre o bairro carioca Bento Ribeiro, os sambistas Zé Kéti e Cartola, e outros ícones da cultura suburbana carioca? É só entrar em contato com a Deriva dos Livros Errantes:

https://linklist.bio/derivaerrante .


Depois de tratarmos aqui de fanzines produzidos por artistas plásticos, cartunistas e desenhistas de quadrinhos, que tal falarmos aqui sobre HQs feitas por quem não sabe desenhar? Isso é possível? Camarada, acredite, tudo é possível na terra encantada dos fanzines. O zine Rabiscos é a prova disso. Trata-se duma publicação em que algumas histórias em quadrinhos são protagonizadas por rabiscos que agem, interagem, comunicam-se. Noutras histórias, a ousadia consiste em pôr retângulos com o nome das coisas representadas, em vez de desenhos. Doideira pura. E das boas!
Contatos:
wnyhyw@gmail.com
http://partesforadotodo.blogspot.com/


Bem, agora chegou a hora de tratar de mais um número do fanzine Reboco Caído, publicação que já abordei várias vezes e que pode ser contatada pelo endereço: caixa postal 21819, Porto Alegre-RS, CEP 90050-970 ou fsb1975@yahoo.com.br. O que tenho aqui do meu lado agora é a edição 63, com capa feita pela turma do projeto Fanzinotecapa, levado adiante pela Fanzinoteca do Instituto Federal Fluminense (IFF) de Macaé-RJ, que embeleza publicações alternativas de todo canto do país. O zine traz editorial raivoso de Fabio da Silva Barbosa, textos de Guilherme de Andrade, Rodrigo (da excelente banda de rap Ktarse), entrevistas com o músico Lucas Cardoso, o poeta Rafael Vaz e o artista plástico Reginaldo Barbosa, de quem também aparecem belas ilustrações pelas páginas fotocopiadas desse impresso rebelde.


No fanzine Reboco Caído n° 64, o editor Fabio da Silva Barbosa volta a fazer ele mesmo a capa, que, aliás, ficou choque. Apesar do zineiro não fazer mais parte oficialmente da equipe mantenedora da editora Merda na Mão, que criou junto com Diego El Khouri, Reboco Caído mantém seu logotipo de forma a divulgar o trampo do guerreiro Diego. No final das contas essa turma continua ligada, a gente sabe. Cada um contribuindo da forma que é possível para os projetos (contra)culturais que vão surgindo. Além de textos do próprio Fabio, essa edição traz ainda escritos de Jomar Vicenza e Guilherme de Andrade, escritor entrevistado nas páginas 3 a 6. Rola ainda entrevista com a banda punk Disunidos, que tem boa sonoridade e letras críticas e inteligentes.

Bem, turma, encerro aqui com a frase presente na contracapa do Reboco Caído nº 64 e que, para mim, sintetiza a mensagem geral do universo dos fanzines, mesmo em meio a tantas propostas diversas e, às vezes, até divergentes: "Pense com a própria cabeça, não seja mais um papagaio".

sexta-feira, 20 de maio de 2022

PROMOÇÃO BOMBÁSTICA VORAZ!!!!!!!!!!!!

 Malucos e malucas, estamos com mais uma PROMOÇÃO BOMBÁSTICA na Editora Merda na Mão!!!!!!    É a grande oportunidade de ter em mãos um material potente/atemporal e ao mesmo tempo contribuir com essa editora que se tornou um relevante espaço para a arte independente mundial. Para continuarmos publicando os impublicáveis contamos com o apoio de vocês adquirindo nossos lançamentos (livros, quadrinhos, camisas e CDs). A cena artística underground só existe através do nós por nós, da coletividade e auto gestão. Aproveita que essa promoção é relâmpago!!! Faça parte dessa história!!!

https://editoramerdanamao.blogspot.com/


Interessados através do ema editoramerdanamao@yahoo.com





* Incluir valor do correio

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Danihell Slaugther delirando nas páginas fétidas da obra literária do FSB

 Nessa foto o  livro FÁBRICA DE CADÁVERES - DO FORNO AO MOEDOR  do Fabio da Silva Barbosa na Holanda no estúdio da Murder Records , distribuidora focada em som extremo, parceira da Editora Merda na Mão, a besta do Apocalipse. Pela  4ª vez Danihell Slaugther delirando nas páginas fétidas e viscerais dessa obra pesada e intensa. E aí, você também tem estômago para tal leitura?

https://editoramerdanamao.blogspot.com/


domingo, 15 de maio de 2022

O caminhar urbano na metrópole devastada — Biqueira: Obra de Rafael Vaz

 Por: Rafael Vaz



     Na busca constante de se entender e procurar entender o mundo onde vive, é que Rafael Vaz começou suas primeiras experimentações com as palavras. Paraense da cidade de Altamira, sua alfabetização começou autodidata andando com sua mãe pelo Centro da pequena cidade e perguntando o que eram as placas e fachadas das lojas com aquela diversidade de cores e fontes. Daí pra frente, sua vida foi apenas leituras. Encontrou nas letras as explicações e significado para quase tudo que provocava, e assim veio a vontade de manter-se em curso com a formação e o conhecimento.

     Ainda jovem, mudou-se para Goiânia para cursar faculdade. Ainda sem muitos amigos, começou a registrar suas experiências em um caderno, como um diário. Entre chateações por estar distante de Altamira, e as novas relações encontradas em Goiânia, surgiram os primeiros poemas deste poeta, que no início falava de suas saudades da terra natal, assim como de todo o deslocamento de ser estrangeiro à nova cidade. Que não só era estranho por ser capital, como tinha uma cultura totalmente longe daquilo que trazia consigo na bagagem.

Para saber o que queria e escreveria, passou por muitas experiências e como um novo mundo, desbravou e conheceu as ruas, becos e lugares da cidade, criou um relacionamento com as paredes e os pixos falavam consigo. Como um retirante, sobreviveu na capital através de empregos formais, de cargas e serviços gerais. Morou na rua onde encontrou sua verdadeira poesia e o que estava disposto a contar. Transformou-se então no poeta, e passou a registrar nas paredes e folhas seus poemas e sua presença no campo vivo que é a cidade. Foi ao submundo, e conheceu os ilícitos e proibidos, drogas, moribundos, cracudos, prostitutas, na noite formava sua família de conhecidos, suas conexões de sobrevivência na noite pacata da selva de pedra goiana.

     Quando cansou-se, partiu pela vontade a outros estados e cidades. Acompanhado ou sozinho  precisava ver para crer nas verdades que se diziam por aí e registrava toda sua experiência para que aqueles que lessem pudessem acreditar no que via.

A arte passa a ser motivação, motor, alimento. Passa a se dedicar simplesmente à sua produção e muitas vezes é só o que lhe sobra e permanece pelas casas de amigos que o recepcionam por um tempo para se limpar e acomodar-se. Torna-se peça viva da cidade, transborda sua poesia em lambes e pixos pelas paredes.

Biqueira é fruto dessa época. Diego El Khouri então resolve convidar Rafael Vaz para publicar na Editora um livro de poemas autorais. Dava-se a largada para a realização do que foi sonhado. As poesias haviam se transformado durante esse tempo e o livro então chega com uma ideia já bem pensada e então surge Biqueira: o primeiro livro de poemas autorais de Rafael Vaz.

 

Biqueira de Rafael Vaz é um livro que pela capa já nos mostra por onde vamos passear por esses poemas. Uma pessoa tem em suas mãos uma latinha, onde está o título do livro. O corpo se prepara para dar seu primeiro trago, assim como nós que abriremos as páginas dessa viagem. Uma imagem muitas vezes censurada e negligenciada por nossos julgamentos. A capa é do próprio autor Rafael Vaz, com a diagramação de Jackson Abacatu e a diagramação do miolo fica por conta de Fabio da Silva Barbosa. Obra lançada no segundo semestre de 2021 pela Editora Merda na Mão. A apresentação foi feita também por Fabio da Silva Barbosa, que nos conta como conheceu Rafael Vaz e iniciou essa parceria que além do livro o poeta  apresenta o  programa de rádio “Aleluia Nunca Mais, A Trilha Sonora do Fim do Mundo” pela Rádio Rota 220.

 

     Algumas imagens de entorpecentes iniciam nossa viagem. O título do livro sempre busca nos levar e falar desse lugar. De passagem e permanência, mas ao mesmo tempo de medo e morte. Biqueira é uma gíria popular para “boca de fumo”, o lugar onde são vendidos os entorpecentes. Os poemas do livro são as drogas que o autor repassa e espera que o leitor chape durante sua leitura. Começamos o livro com a frase “Acordo de manhã, meu despertador é o Sol…”, Rafael Vaz nos localiza na história, o início da sua viagem, este lugar onde todos participam: policiais, moradores de rua, traficantes, crianças, jovens, famílias, rappers… Todos tentando ser FREE. A realidade nua e crua é apresentada, não teremos liberdade e o risco sempre estará nos esperando. E o autor não esconde também sua participação neste cenário de guerra. Já nascemos prontos para isso desde criança e caminhamos “chapados” pensando como chegamos aquilo. Artista Visual, aqui Rafael Vaz, não tenta colorir ou pintar de cores coloridas a realidade, tudo é muito cinza e banhado de sangue. Sempre nos revelando algo que sempre é escondido ou maquiado, o poeta acredita que não é só por ele, afinal “carrega outros vinte loucos” consigo. Alguns deles devem ter rasgado o véu da verdade, é o que sobrava quando se tinha apenas uma caneta e um caderno nas mãos. Para o autor é uma questão de sobrevivência, “todos os dias eles nos matam, todo dia nós nascemos”. A vida não pára e no dia seguinte continua a luta pela sobrevivência. Os poemas não descansam, a luta para comer e permanecer vivos é feita todos os dias entre as trincheiras criadas pelas relações humanas. Temos também poemas que contam algumas cenas passadas em Altamira-PA, cidade do autor. Histórias dessas duas cidades (Altamira-PA/Goiânia-GO) se misturam para contarem os mundos e as relações pelas quais o poeta passou, sempre entregue a esta parte da sociedade que vive à beira e sem eira. Algumas mortes foram necessárias para que o poeta nascesse. "Fazíamos piadas das desgraças.” Percebemos que a Biqueira estava sempre presente no cotidiano do poeta, a busca por entorpecer os sentimentos durante a realidade macabra, e ao mesmo tempo as amizades e amores criados nesses lugares, “causa, destino, coisas sem nexo, que façam sentidos em mim.” O autor é culpado e também culpa os outros, mas busca dentro de si sua própria delicadeza, ele também sabe que pode agredir.

Cada poema parece uma ida à Biqueira, uma história retirada desse lugar, do momento desses encontros. Alguns passam muito depressa, outros permanecem para usarem ali mesmo e entre viagens e diálogos criam laços de amizade e sobrevivência. O autor parece ser um deles e conhecemos através do poema que leva o título do livro. Biqueira é uma releitura do poema Tabacaria de Fernando Pessoa. Nessa versão vemos a relação do autor com a Biqueira, este lugar perigoso para comunidade, mas que muitas vezes é o único lugar para muitos jovens socializarem e criarem suas cadeias de relações. Nas palafitas de Altamira ou no Centro de Goiânia, o autor mostra que algumas relações podem se repetir, diante da realidade que escancara diante de si. É o maior poema do livro e nos situa novamente no caminho do livro. Voltamos e o poeta nos conta como cria, qual o efeito da poesia em seu ser, “ser artista é sentir o mundo.” É um ser em construção, as drogas o leva a se conhecer,... Em entrar num estado de introspecção. Muitas vezes é difícil encarar a si mesmo e então questiona seus poemas e suas ações.

A vida é um acaso, o autor sempre nos avisa. Se perde e se aventura pelos relacionamentos e tudo mata, “Todos os poetas. Matam, matam, matam,” mas o gozo é complacente, e ele também goza “é anunciação do poeta”. Sempre tão chapado que os interesses imediatos são as principais vitórias do livro. E enfim, acompanhamos o autor em seu último trago e nos deixa o principal aviso:

Os poetas bons estão na boca do povo. Os melhores estão morrendo em suas casas.

M

 




Biqueira
Autor: Rafael Vaz
Capa: Cartão 300 c/ laminação brilho
Arte da capa: Rafael Vaz
Diagramação da capa: Jackson Abacatu
Diagramação do miolo: Fabio da Silva Barbosa
Formato: 14 x 21
Miolo: Offset 75 g
94  páginas 

Por apenas 30,00 + despesas postais: 40,00



 conta/DAC 90524-4, Banco Itaú, Agência: 0147, em nome de Diego El Khouri Sousa, CPF 020 988 051-10 ou pelo PIX: 62982790215 (chave: nr. De celular).
Daí é só enviar o comprovante de depósito para nosso e-mail (editoramerdanamao@yahoo.com) e escolher um número.


sexta-feira, 13 de maio de 2022

domingo, 8 de maio de 2022

O SILÊNCIO DA MINHA MÃE EM COMA

Por: Rogério Skylab


Silêncio da não comunicação.

Silêncio agudo, em chama.

De quem não aceita, nem reclama.

Silêncio que escorre, se alonga,

como um acorde sem som.

Silêncio da televisão desligada.

Silêncio que parece um parto.

Silêncio da minha mãe em coma.

Silêncio que se concentra,

indiferente a qualquer apelo.

Um silêncio longo, quieto,

em meio ao burburinho da cidade.

Silêncio que espera

(de quem escreve)

a palavra certa que não vem.

Silêncio que erra

entre as palavras

(exala seu cheiro

no interstício delas).

Silêncio que antecede ao poema

e continua nele.

Silêncio de onde vim

e para onde retornarei.

É o silêncio dela

que é o meu

diante do seu corpo.

É o silêncio da minha mãe em coma.

Silêncio que espera

e não responde

ao meu silêncio diante dela.


Rogerio Skylab

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Nosso mano Marcos Favela, que produz o programa de Rádio Aleluia Nunca Mais, o programa da Editora Merda na Mão, no corre direto com seu Home Estúdio popular




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domingo, 1 de maio de 2022

O primeiro material físico do braço de ruídos absurdos da Editora Merda na Mão já está disponível

Uma parceria entre a 

Editora Merda na Mão e Speed Hell Production


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Confiram também no Para que servem os correios #12 a chegada desse material, o primeiro físico do braço sonoro
da Editora Merda na Mão

* No vídeo o clipe da música Act IV Embalmed by Darkness V, uma das faixas do EP Dominical Doom da banda Enemy Cross, lançado pela Editora Merda na Mão.