segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Diego El Khouri é premiado na categoria MELHOR FANZINE GOIANO no "I Prêmio Nacional de Fanzines e Artezines" realizado durante o IV Festival de Artes Ciberpajelanças / Editora Merda na Mão ocupando os espaços

 Por: Diego El Khouri




A arte sempre fez parte de minha existência. Muito cedo eu já sabia quem eu era e o que queria nessa vida. O primeiro livro que escrevi aos 8 anos de idade (uma obra com mais de 100 páginas ) já trazia um texto complexo, um linguajar vasto e que encerrava na história uma moral filosófica  e profunda. Claro que essa estranheza me trouxe inúmeros problemas familiares. Ser diferente é um preço alto que se paga nessa sociedade careta e reacionária. Vivi 1000 vidas em uma só, inúmeras situações nessa jornada louca do poeta errante. Mergulhei na adolescência no punk (não sou mais punk porque não sou museu mas o "faça você mesmo e a transgressão comportamental do estilo ainda permeiam meus passos e a Editora Merda na Mão, veículo de publicação independente criada com o grande escritor e irmão Fabio da Silva Barbosa, trás fortemente esses elementos contestadores). 


A vida como obra de arte, a estética paradoxal (do idílico ao torpe), me levou a vivenciar situações surreais mais loucas que qualquer biografia de artista maldito que se vê por aí: sexo desenfreado, drogas diversas , leituras obsessivas (cheguei a ler um livro por dia em longo período), viagens, exposições de pinturas, eventos poéticos, bares sujos, loucuras, transcendências... Tudo... Praticamente tudo que fiz na vida foi na busca de ter mais ferramentas para a criação. Realmente  poderia aqui relatar algumas passagens  de minha jornada nesse planetinha louco, mas quero me concentrar em um importante prêmio que fui contemplado esse final do ano de 2023.


Tive a honra de ser premiado no "I Prêmio Nacional  de Fanzines e Artezines" que ocorreu durante o IV FESTIVAL NACIONAL DE ARTES CIBERPAJELANÇA  na categoria  MELHOR FANZINE GOIANO com o zine FALA AÊ , PORRA!!! nr. 2 lançado pela lisérgica punk EDITORA MERDA - um evento organizado pelo grupo de pesquisas Criaciber realizado na Faculdade de Artes Visuais na Universidade Federal de Goiás e tendo como orientador o grande artista multimídia Edgar Franco, conhecido também como  Ciberpajé. Pra mim foi uma imensa satisfação receber tal reconhecimento, ainda mais nesse momento singular e complicado no qual estou atravessando. Esse grupo  apresentou 1 ano de pesquisa desenvolvido na universidade e o tema desse ano foi Arte transmidiática contra o binarismo anticósmico. 




Ao receber esse prêmio (que muito me emocionou) fiz um discurso inflamado contando resumidamente a história da Editora Merda na Mão, sobre essa ceninha tosca e careta de Goiânia e valorizando as exceções do caminho. Foi Phoda receber esse puta reconhecimento, ainda mais na semana que uma escritora da UBE (União Brasileira dos Escritores) disse que nosso trabalho não ia ser respeitado nunca e que parecia papo de "revoltadinho". Revoltadinho o caralho!!! É revoltadaço!! Mas avisem essa senhora que eu não inventei a subversão e temos conexões com a cena undeground transgressiva/underground do mundo como, por exemplo,  Seborreia Recife  aqui do Brasil ou a Murder Records da Holanda. A intenção é também  ser indigesto, porém o que mais  me impressiona é a falta de conhecimento histórico dessa galera com diploma e acesso a cultura. Pior ainda quando utilizam exemplos citando nomes como o  bardo Paulo Leminsk usando o poeta como exemplo de rebeldia bonitinha e comporta... com esse tipo de afirmação revelam ainda mais a falta de conhecimento. 

Preguiça  ou meramente preconceito? 



Não seremos nunca respeitados? Somos arte de combate e não buscamos tapinhas nas costas e nem aplauso da plateia. Estamos  fora de qualquer modinha! Nosso bagulho é outra coisa! É a clandestinidade, o desbunde, a imoralidade, o ódio aos senhores. Cuspir no sacrário, esquartejar a palavra, vomitar na cara sem graça da caretice... Porém,  mesmo tendo essa postura de enfrentamento fomos estudados em uma disciplina da  Faculdade de Letras de São Carlos (SP), dois  projetos de TCC , tese de mestrado, além de acervo em biblioteca federal, projeto pedagógico em escola pública  do Mato Grosso, etc. etc. etc.. É muita coisa e não vou me atentar agora nesses relatos. Aqui no blog e em todas as redes anti sociais estão todas as ações já desenvolvidas pela EMNM. 


Se quiser conhecer você que adentre esse labirinto!!



Foi louco perceber nesse evento que tinha uma galera de outros estados que conhecia o nosso trabalho. A ideia é essa mesmo: espalhar arte,  ocupar os espaços, dar um chute na bunda dos vermes. O mais phoda  foi ver uma galera de  apenas 18 anos de idade que foi ao evento porque curte  pra caralho o trampo da lisérgica  punk Editora Merda na Mão.


Temos essa ideia de enfrentamento e choque. O nome da editora já diz muito pra que viemos. Arte indigesta e ingovernável. Eu e Fabio estamos em dois grandes polos reacionários: Goiás e Rio Grande do Sul. Isso é bem simbólico. Críticas são bem vindas, mas já ouvi aqui nesse estado coronelista e moralista muito argumento  bizarro: que os palavrões e gírias que eu falo nos vídeos atrai os espíritos das trevas e isso afasta o  público, que nunca vamos estar  na modinha (hahahhahhahaha), que a editora contribui  com o fortalecimento do bolsonarismo porque é o momento de fazer arte fofinha e goodvibe para não acender a fúria ainda mais dos fascistas, que nunca vamos comprar um carrão com essa editora (povo viaja demais ) e  se nenhum autor que a gente publica não está ganhando muito  dinheiro está errado (publicamos geral sem cobrar nada)... Por incrível que pareça são comentários que ouvi aqui em Goiânia... Não precisa gostar, mas tenho preguiça de argumento burro...

Irônico: o zine FALA AÊ PORRA nr. 2 (a capa é uma xilogravura que fiz  no ateliê de gravura da  Faculdade de Artes Visuais na UFG, obra essa que é uma releitura de uma pintura minha, óleo sobre tela, da série Clown)  em uma das páginas trás essa crítica ácida e pesada que tenho com a hegemônica cena goiana:


Trecho do zine Fala Aê Porra!!! nr. 2


Capa do zine zine Fala Aê Porra!!! nr. 2

Título: Fala "Aê", Porra!!
Editor: Diego El Khouri
Formato: 14X21 cm
Páginas: 24
Arte da capa: Diego El Khouri



Título: Clown reflexivo Técnica: óleo sobre tela Dimensões: 100 x 80 cm Artista: Diego El Khouri










Espaço Ruptura Cultural




























* Quadrinhos que a EMNM ganhou do artista Alian


*Zines que a EMNM recebeu do zineiro e pesquisador Gazy Andraus







domingo, 29 de outubro de 2023

Artistas do infinito dialogando através de versos carregados de intensidade e hemoglobina

 Por: Diego El Khouri


Eu escrevi o texto Tesão simplesmente tesão por volta do ano de 2005. Eu tinha 19 anos de idade na época. Foi o texto que de minha autoria e que mais repercutiu nas diversas mídias: sites, blogs, revistas, jornais, livros e zines. Recebi também muito feedback através de mensagens  ao longo do tempo. 


Há poucos dias tive a grata surpresa (e imensa alegria) da  múltipla artista (escritora, agitadora cultural, DJ, etc.) Aline Pedrosa de Lima, também conhecida como Poetisa Punk, de Niterói (RJ), escrever um poema inspirado nesse meu texto que mencionei acima. É essas coisas que para mim são jatos de ânimo para continuar no labiríntico caminho das artes. Fiquei realmente em êxtase com a verve poética da Aline e também a forma como minha arte inspirou dessa maneira uma artista tão admirável. 


Gratidão, baby!


querida ativista das artes!



Abaixo meu texto seguido do poema dessa guerreira underground:


TESÃO, SIMPLESMENTE TESÃO...


(Por Diego El Khouri)


Primeiro é o beijo. A língua enrolada na outra. Depois as mãos unidas acariciando seios, lambuzando corpos, descortinando sexos.
Em seguida é a nuca seca pronta pra mordida e a mordida desenhando marcas bem no pescoço, próximo da face.

Depois é um tapa, um após o outro. A contração dos músculos; em posição a libido. O fogo e a brasa. O delírio e o orgasmo.
A música sendo ditada pelo ritmo dos corpos na cama, os gemidos - as trocas de carinho,
a eterna sinfonia dos amantes.
O vem e vai de almas e corpos desprendendo do âmago (numa violência quase suicida) um líquido que vomita agonia.
Olhos e quadris, prontos para o desejo.
Beijo e carinho: o sereno... estrelas, a noite, o luar, o brilho da manhã,
o desejo e o orgasmo.
Eu e você. Você e eu. Eu e você. Entrelaçados para sempre. Para sempre unidos. Para sempre sozinhos... para sempre...
Para sempre com você... eternamente só...
(...)












terça-feira, 24 de outubro de 2023

Nessa terça, 21:30, na Rádio Rota 220, o último programa Aleluia Nunca Mais estará indo ao ar


 


Parece que foi ontem que Fabio da Silva Barbosa e Flávia Iká estavam planejando mais este atentado da Editora Merda na Mão. A ideia apresentada a Diego El Khouri e abraçada de imediato aproveitou a oportunidade de espaço oferecida por Vivi Moreira na Rádio Rota 220. Desde o primeiro episódio,  contando com o apoio fundamental de Marcos Favela e seu Home Estúdio Popular, as apresentações insanas de Fabio da Silva Barbosa e Diego El Khouri marcaram bem o estilo guerrilheiro do submundo que acompanharia todos os 62 programas que buscaram explodir as bolhas e detonar as zonas de conforto.

Rafael Vaz assumiu a apresentação do programa de rádio da Editora Merda na Mão para que Fabio e Diego pudessem se dedicar mais aos outros tentáculos do projeto e apresentou a maior parte dos episódios que traziam do Grind ao funk, do crust ao rap, do metal extremo ao samba, do noise ao pós punk, do hard core ao crossover, do trash ao psicodélico, do eletrônico ao orgânico... e daí por diante. Um programa altamente desconfortável para quem não está a fim de sair da segurança de suas caixinhas de mediocridade. 

Depois foi a vez da fantástica e sem igual Megera Drag, a bruxa indomável dos quatro cantos do planeta redondo. Embora tenha sido uma rápida passada, a Megera deixou sua marca. Entre um e outro apresentador, Fabio e Diego vinham dar o ar de sua desgraça. Logo após veio Panda Reis, o cara que produz incansavelmente em várias frentes do underground.  É ele quem estará apresentando este último programa, demolindo tudo o que vê pela frente, com sua apresentação iconoclasta e sarcástica.



Um programa que marcou, entre outras coisas, por ser a união de vários projetos e pessoas para um determinado fim. 
A trilha sonora do fim do mundo foi, a cada capítulo, cuidadosamente montada por Fabio da Silva Barbosa, como um terrorista monta uma bomba.
Marcos Favela e seu fabuloso Home Estúdio Popular juntaram o monstro com perfeição e deram seu toque inconfundível.
E a Rádio Rota 220 escancara as portas para o tormento ser difundido.



Mais uma criação, produção e execução da malquista e desprezada Editora Merda na Mão.
O resultado de uma mistura explosiva de dois loucos incuráveis e indesejáveis. Os furúnculos que se arrastam pela terra devastada.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

"perdulário do caos esbanjador de palavras preciosas"

Por: Diego El Khouri 



na foto: eu, diego el khouri, o outsider da galáxia de parnaso, aos 7 anos de idade __ já mergulhado nas artes. 1 ano depois escrevi um livro com mais de 100 páginas... sempre uma figura estranha, provocativa, anti convencional , destemida e ousada . Pretendo publicar essa obra um dia pela lisérgica punk Editora Merda na Mão (https://editoramerdanamao.blogspot.com/ )


completamente longe do mercado, persona no grata nos meios convencionais,  proletário vagabundo do dharma, poeta errante voraz embriagado,  continuo firme nesse caminho labiríntico das artes... 


terça-feira, 26 de setembro de 2023

Eduardo Tornaghi: o ativista da palavra

 Por: Diego El Khouri 


Hoje é o aniversário do ator e poeta Eduardo Tornaghi , um grande ativista da palavra. 


Participei de alguns saraus que ele promovia (e ainda promove ) no Rio de Janeiro. 


Um deles era a Pelada Poética que ainda acontece toda quarta feira no Leme e também alguns saraus pela Lapa. 


Um cara admirável, sensível  e incansável!


                contra o fascismo e pela poesia! 

                                        ********

      


 

        Gênesis

No princípio era o silêncio
obra prima de ausência

depois veio o Verbo
por fim o Verso

iscas de som em busca
de retorno à essência

o vazio
Silêncio

 


Na foto: Eduardo Tornaghi e Diego El Khouri no bar Toca da Formiga, Lapa, Rio de Janeiro, RJ; 2014



Na foto: Eduardo Tornaghi e Diego El Khouri no sarau Pelada Poética no Leme, Rio de Janeiro, RJ; 2014


CURRÍCULO


já soquei tijolo já virei concreto
já comi do bom e já pastei sem teto
já passei vazio já sonhei repleto
só me falta chorar pra ser completo
já banquei o bobo me pensando esperto
já fechei a porta e ainda restei aberto
já comprei a banca — já fui objeto
só me falta chorar pra ser completo
só plantei a dor achando ser correto
já tive razão mesmo sem estar certo
já me fiz sublime — já fui abjeto
já clamei por voz no pleno deserto
já me atrapalhei com tudo que é afeto
só me falta chorar pra ser completo






Condição Humana

Para organizar o pensamento
invento o tempo

Para guiar meus passos
crio o espaço

Por teu encantamento
me desfaleço

______

Epifania

Não conseguia entendiar-me
em meio à multidão
fugi dela

Não  conseguia enfurecer-me
em meio a mim mesmo
cheguei 

_______

Sonetilho

Sinto-me fora do mundo
Mentira. Não sinto nada
Sinto sim que estou imundo
Eu sentira a coisa errada

Estar sujo é estar imerso
Em tudo que é de mais real
Decantar o real em verso
Faz diverso o que era igual

Problema é não ser poema
O vazio que me rói
por mais que rebusque o tema

Sendo ele vazio se esvai
Some pra fora da cena
Só sobrando o que me dói 
____

Singularidade
_ Alumbramento

p/ Manuel Bandeira

Abriu-se um espaço no tempo
Abriu -se um tempo no espaço
Deu-se um silêncio no vento
Deu-se inequívoco passo

O espaço de tempo que é tempo
Bem antes de ser espaço
Expandiu  um ponto lento
Pulsando tornou-se  "eu faço"

E fez-se o universo imenso
E fez-se o calor do abraço 


Poemas retirados do Livro MATÉRIA DE RASCUNHO.
Edição do autor, Rio de Janeiro, 2011)









segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Em memória ao ator Nélio Fernando

Por: Diego El Khouri 


Sexta feira a noite... Em Aparecida de Goiânia (GO) um calor insuportável pousa nas construções  arquitetônicas e queima a epiderme seus raios brutais de setembro. Sexta feira escaldante... me chega no celular uma mensagem do amigo aliado Edu Planchêz Maçã Silattian: Diego , Nélio morreu... 

Pra mim foi um soco no estômago ler essa mensagem...

Engraçado que eu tinha passado o dia lembrando com saudade de uma certa noite na Cidade De Deus no Rio de Janeiro, época que morei nessa cidade babilônica ... Nélio , que era um grande ator, me levou para conhecer uma rapaziada nova de uma banda underground. Eles estavam afim de ajuda para desenvolverem um projeto cultural. Foi um momento muito agradável. Muito  mais conscientes, sagazes e talentosos que esses playboy que andam por aí... Entre conversas e baforadas me impressionei com a reflexão apurada desses jovens. Uma visão de mundo profunda e um desejo libertário de transformação imenso. Lembrei também a gente saindo desse local as 4 da manhã e caminhando a pé até Curicica, local que morávamos e do diálogo no trajeto.

Era realmente uma época muito louca. Me mudei para o Rio de Janeiro a primeira vez em 2012. Estava com intenção de nunca mais voltar pra Goiânia , um lugar que sempre achei um tanto inóspito para pessoas como eu. A viagem foi bem maluca a lá geração beat. Quase morri no caminho. Os detalhes daria um puta livro. Estava totalmente perdido ... e morar num prédio que tinha o Nélio (um grande ator e Clown), Edu Planchêz (puta músico e poeta, um dos maiores que já vi), a querida atriz Gisela Macedo (hoje ela reside na França) e Cars (baiano que fazia cinema na UFRJ) foram cruciais para recuperar minha saúde  física e psíquica.

Era realmente uma vivência louca. Arte o tempo todo, drogas, conflitos, ajuda mútua, imersões... numa noite a gente se apresentando no palco ao lado de Jorge Benjor e no outro mangueando pra conseguir alimentar.
  

***

Hoje é domingo. Noite escaldante de setembro. Comecei esse texto na sexta e  pensei esse tempo todo  como prosseguir esse relato . A vivência dessa galera, tudo que aconteceu , desde as loucuras da estrada e todo o resto e pensei que seria limitador demais resumir tudo que aconteceu nesses meses de  loucura criativa em poucas linhas. E realmente as vivências desse período daria  um puta livro! E mencionar por cima, como estou fazendo, não dá a dimensão de tudo que aconteceu. Uma existência louca e poética como poucos. Mas ainda penso em escrever um livro contando os detalhes dessa viagem toda. Talvez uma história em quadrinhos. Já tenho o título em mente, mas por hora estou envolvido em outros projetos de arte sequencial, mas ainda vou desenvolver essa história. Deixo , portanto, uma pitada do talento desse querido amigo que fez de sua vida arte e poesia apesar da marginalidade absoluta que ele viveu... e trago comigo as memórias desse período e que sinto necessidade de um dia registrar com mais detalhes para o público. Somos outsiders da galáxia de parnaso e foda -se essa panelinhas caquéticas que cagam regras!

"Paz entre nós e guerra aos senhores sempre!"

Em Memória ao Nélio Fernando:










segunda-feira, 18 de setembro de 2023

A poesia viva de Iasmin Ramos

Fim de tarde

Fim de tarde
Traz consigo o cansaço de um dia de trabalho
Talvez pareça exagerado
Mas somos feitos escravos
Os dias correm depressa
Você mal percebe
A beleza do mundo
Estando num escritório ou em um trabalho qualquer
Chega em casa
Não olha nos olhos da esposa
Grita com os filhos
(silêncio)
Liga a tv
Mexe no celular 
(vidas perfeitas na tela)
Abre uma cerveja
Agradece a “Deus” pela vida
(que vida?)
E espera o outro dia
De trabalho
E o fim de tarde
Sempre igual.

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Na escuridão eu me perdi
Me encontrei perdida
Em vigília
Ironia se encontrar estando perdida
O brilho que vem de dentro
Ecoar dentro de cada gosto
O resto das minhas vísceras 
Escarlate
De longe se vê o brilho nos olhos de quem sonhou
Um dia
Em se encontrar no mundo

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A beleza da vida pode ser claramente notada no encerrar de ciclos e início de outros.
Como todos os dias o sol nasce e vai embora,
Eu sinto vontade de desaparecer ao anoitecer 
Mas o dia traz de volta o peso de ser quem eu sou.
Toda noite para mim é uma morte (diferente)
E todos os dias eu renasço.
Já morri e nasci tantas vezes que não sei mais qual a minha verdadeira idade ou quando vim ao mundo
Ciclos terminam e recomeçam, mas algo me acompanha pela eternidade...
A lembrança dos seus olhos, dos seus beijos, do seu cheiro, da sua voz...
Um ciclo que já se findou, mas ecoa em mim, sempiterno.

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Dias frios
Ou quentes
Toques
Sabores 
Olhares
Perfumes
É demais te querer para mim?
A mesma distância que nos separa
Tem a intensidade do meu desejo por você.
Anos luz
Corpos
Nus
E o que resta é a saudade,
E a lembrança 
Que não passa
E o pensamento 
Que não cala

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O seu beijo tem sabor de cerveja
E é capaz de embriagar
Depois de uns bons beijos (lê-se goles)
A ressaca do outro dia só passa, com mais um 
Beijo

Me deixe em paz ou me dê você!

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Vazio e preenchimento

Os pensamentos vêm e vão
Inconstantes 
Como chuva de verão
Penso em você
E me sinto sozinha
Porque como algo que me preencheu um dia
Traz em sua ausência o vazio...

Me esvaziei de você
Mas aprendi
A me preencher de mim.

               ***





quarta-feira, 13 de setembro de 2023

WAR BRAIN - Noise Experimental Performático Poético

 Projeto: WAR BRAIN


EP: Noise Experimental Performático Poético

Estilo: Noise Experimental Performático Poético


Mais um lançamento Ruídos Absurdos

O selo de som extremo da Editora Merda na Mão 




 O pútrido projeto, War Brain, lança virtualmente seu terceiro atentado.  Desta vez são cinco ruídos insuportáveis registrando a primeira fase destes desgraçados, na época um trio, vociferando contra a moral e os bons costumes que nos matam de diversas formas, sem um dia de paz.

Quer saber mais sobre? Foda-se! Se vire! 


A obra é dividida em dois atos. O primeiro se chama Lado A e reúne as gravações desta primeira fase de insultos blasfemos, mantendo a formação Diego El Khouri, Murilo Pereira Dias e Fabio da Silva Barbosa. Cada um operando algum instrumento de tortura sonora, consegue trazer a destruição de tudo que existe. É um trabalho profundo, com a brutalidade e o inesperado temperando com o mais puro desgosto e desilusão.

O segundo ato se chama Lado B e continua o massacre auditivo, promovendo o encontro da brasileira War Brain com a holandesa Anonimuus Creature. Assim, o vocal infernal de Danihell Slaughter soma na mistura e o Lado B fica ainda mais perturbador e infame. A presença de Danihell também é percebida na escrita de parte das fétidas poesias encharcadas de morte e desespero. Declamação atormentada e um acompanhamento insano.


Para ouvir o EP na íntegra:


https://youtube.com/playlist?list=PLEBhB9jtXmRp_QS7OsU9vyTzpTHamXg8B&si=CQLNtpRr2RY1svJk




domingo, 3 de setembro de 2023

"O olho é a luz em repouso"

 






 

Título: O olho é a luz em repouso
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 100 x 70 cm
Artista: Diego El Khouri