sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

XVI

Por: Roberto PIVA

abandonar tudo. conhecer praias. amores novos.
                            poesia em cascatas floridas com aranhas
             azuladas nas samambaias.
             todo trabalhador é escravo. toda autoridade
             é cômica. fazer da anarquia um
                    método & modo de vida. estradas.
                          bocas perfumadas. cervejas tomadas.
                                  nos acampamentos. Sonhar Alto

ABRAÇANDO VESPAS E TOCANDIRAS LISÉRGICAS

Por: Edu Planchêz

olhando pelos quadros
formados pelos ar condicionados
ativos nos apartamentos
de meu nobre templo

e o meu nobre templo,
se resume a um armário,
uma geladeira, dois chinelos,
e um cardume de tacapes
recheados com o pó do tempo,
com as embarcações
que nos levam ao relento,
pelos cabos que unem os oceanos
de dentro e de fora

eternidade das lembranças,
ora claras, ora vagas,
das mulheres e dos homens
que brincam com vespas,
que traçam com as mãos pinturas corporais
abraçando vespas e tocandiras lisérgicas
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* Retirado do livro Rajagrilla do Edu Planchêz. Link para ler o livro http://rajagrilla.blogspot.com.br/

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

DE VOLTA AO NADA COMPULSIVO

Por Fabio da Silva Barbosa
 .
estou de novo pelas ruas
mais sozinho do que nunca
destilando tanta dor
não saberia dizer para onde vou
nem responder a uma simples pergunta
 .
passo por um cara que me cumprimenta
não consegue ver além do personagem
pensando que sou algo inexistente
retribuo apenas com ódio no olhar
ninguém se entende nesses dias confusos
 .
continuo caminhando
impossível sentir-me confortável
não consigo fazer-me compreender
só o vazio tortura-me
nessa angustia sem fim
 .
chuto uma pedra
conto as moedas para o cigarro
mas nada consegue satisfazer
tanta tristeza e maldizer
perdi a viagem
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* Retirado do blog  Reboco Caído http://rebococaido.tumblr.com/

ODEIO O NATAL, MAS FELIZ ANO NOVO!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

"É PRECISO DAR O SANGUE"

Por: Diego El Khouri

Sempre conheço pessoas maravilhosas, as Exceções como o Eduardo Marinho diz. Exceções no meio do caos, desse mundo manipulado por um sistema desgraçado. Louvo essas conquistas, essas potências prontas para ferir o sistema e esclarecer os "escravos" (que muitas vezes não percebem essa força de cima para baixo). O mundo é lindo e precisamos usar nossa arte também com a função de despertar consciências e impedir esse avanço massivo da mediocridade, da alienação e das injustiças que existem apenas para os "poderosos" se manterem no poder e na manipulação de nosso povo tão bonito e sofrido. Agradeço a todos que continuam nessa jornada corajosa. Millet dizia algo interessante, que "na arte é preciso dar o sangue", é ofício de corajosos. 2017 está aí batendo a nossa porta e será um ano de muitas produções, luta e ninguém vai nos calar. Esse sistema opressor e nojento não vai nos calar. Não vai nos calar. NÃO VAI NOS CALAR. É isso aí.



domingo, 25 de dezembro de 2016

sábado, 24 de dezembro de 2016

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Meu trabalho é o paradoxo entre o torpe e o idílico. Tenho uma alma bem rock n' roll.
(Diego El Khouri)
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

GOVERNO TEMER INSISTE EM DECRETAR O FIM DA DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS, PORTANTO DA EXISTÊNCIA DO POVO INDÍGENA




apib menor de todas

(por: APIB*)

Nota Pública

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), as organizações indígenas regionais que a compõem e suas distintas associações de base denunciam e repudiam veementemente para a opinião pública nacional e internacional a macabra decisão do governo ilegítimo de Michel Temer de colocar fim à demarcação das terras indígenas, portanto à existência dos povos indígenas, por meio da edição de um Decreto que estabelece novos procedimentos para o ato de demarcação, em substituição do atual Decreto 1.775/96.

Após inconsistentes, retóricas e absurdas justificativas que desvirtuam e anulam de forma escandalosa o espirito do texto constitucional (Artigos 231 e 232), das leis infraconstitucionais e tratados internacionais assinados pelo Brasil – Convenção 169 da OIT e Declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas – a Minuta de Decreto, vazada por meios impressos de grande circulação, propõe-se claramente a procrastinar ad infinitum, senão enterrar de vez, o direito territorial indígena e a demarcação das terras indígenas, assegurando a prevalência de artimanhas que empurrarão os povos indígenas à remoção, reassentamento ou expulsão, disfarçadas de legalidade, de seus territórios. Tudo com o objetivo de atender vergonhosamente os interesses da bancada ruralista, do agronegócio, a implantação de empreendimentos de infraestrutura e o esbulho e usurpação dos bens naturais preservados milenarmente pelos povos indígenas, numa total negação de seu direito ao usufruto exclusivo previsto na Carta Magna.

A Minuta, reúne para isso, num só instrumento, todas as atrocidades contra o direito territorial dos povos indígenas contidas na PEC 215, nas condicionantes estabelecidas pelo STF estritamente para a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e ressuscitadas pela Portaria 303 da AGU, bem como na equivocada tese do marco temporal adotada pela segunda turma da Suprema Corte a respeito deste direito originário fundamental.

A elaboração de um novo Decreto para a Demarcação das terras indígenas soma-se à já denunciada proposta de Decreto de reestruturação da Funai, que reduzindo orçamento e quadro de servidores, no contexto da PEC 55, e o desmonte das instituições e políticas públicas, vem de encontro com os propósitos da bancada ruralista que, por meio de uma CPI, busca desqualificar e fragilizar o papel do órgão indigenista, desmoralizar os povos indígenas e seus aliados, e impedir também a continuação das demarcações.

A APIB entende que contrariamente aos propósitos alegados de que com este Decreto de novos procedimentos para a demarcação estarão sendo superados os conflitos que envolvem povos indígenas e invasores de seus territórios, o  governo Temer está nada mais do que decretando o agravamento dos conflitos, da violência, da discriminação, do racismo e da criminalização contra os povos indígenas, secularmente  privados de seus direitos mais sagrados à vida, à dignidade, a uma identidade cultural e ao espaço físico e imaterial onde, mesmo com as adversidades, têm resistido secularmente enquanto povos diferenciados.

Pelo visto, em nada adiantam para esse governo as instâncias e mecanismos internacionais de observação e verificação dos direitos humanos, em especial dos direitos dos povos indígenas: a relatoria especial para povos indígenas e o Conselho de Direitos Humanos da ONU, entre outros, que tem alertado para a grave tendência em curso de etnocídio dos povos originários do Brasil.

A APIB e todos os povos e comunidades, organizações e associações que a compõem reafirmam que continuam em pé de luta, e resistirão, até as últimas consequências, contra quaisquer retrocessos em seus direitos que venham a ser propostos ou adotados pelos distintos poderes do Estado Brasileiro.

Pelo direito de viver!
Brasília – DF, 13 de dezembro de 2016.

*Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Mobilização Nacional Indígena

KARL MARX



Título:Karl Marx
Técnica: óleo s/ tela
Dimensão: 50  x 60cm
Artista: Diego El Khouri

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A CARA DA VAGINA DO MEU POEMA

Por Edu Planchêz


A cara da vagina do meu poema
quer a cara da vagina do teu poema
porque é água de beber,
é água de banhar-se
descer as mãos por tuas coxas,
por tuas história meladas,
alagadiças histórias

O poema fêmea
põe o ovo ventre
sobre meu ventre
O universo é um ventre,
trilhões de vaginas,
pencas de estrelas pingando
O grande corpo saboroso
da mulher minha circunda a lua,
os princípios que nos levam
ao negro clarão
do sol da galáxia que nasce