sábado, 19 de setembro de 2020

OUTSIDER DA GALÁXIA DE PARNASO (III)

Por: Diego El Khouri

um acorde dissonante. garrafa pela metade. azedume. cheiro fúnebre,  pútrido de carniça. violão sem cordas. árvore sem galhos. o limite da queda. cair em tonel de barro. veneno tóxico. afago. outsider da galáxia de parnaso. os dentes da alma se espatifaram. profundo buraco. feridas expostas. aquela sombra vomita. ela é eu: a sombra e o “disco voador tatuado" . fuga planetária.  asco. cadavérica paisagem. os filhos da morte sussurram em meu ouvido os tratados de uma lei que provavelmente não irei cumprir. cuspir em deuses e altares. mijar na porta do sacrário. se entupir daquilo que mata...  gotas de sangue. sem trégua. sem descanso. cansaço. pintar com sangue as paredes  da carne. se embriagar em puro néctar. arranha-céus de merda e miséria pra todo lado. o enforcado. escalafobético. maldito. Insano. anti convencional. labareda fulgurante. fumaça ácida. cativeiro no rádio-abismo. alicerce dos excluídos. porrada na cara. chute no estômago. “poesia das inevitabilidades”. sem conexão com as artérias mais íntimas. no perigo do instante. nas divagações que o cântico entoa.



quinta-feira, 17 de setembro de 2020

OUTSIDER DA GALÁXIA DE PARNASO II

Por: Diego El Khouri

um gole de veneno. uma faísca de átomo consciente.  cigarros e cinzas. cinzeiros. precipício. abismo  vertiginoso. abismo. abismo. abismo.  caindo do décimo andar. a “porra celestial” não vai te ajudar. “cabeças cortadas”. A “porra celestial” não vai te ajudar. é abismo. abismo. abismo.  anjo maldito. cabeça turva, tombada para o lado. rasgar a pele toda. toda fatia entregar aos infernos. outsider da galáxia de parnaso. urubu maligno. sangue. sangue. sangue. sangue que ninguém define a cor. sangue que fede morte. sangue que fede fezes. sangue que fede ratos. sangue que fede cu. sangue que fede doenças. sangue que fede bafo. sangue que colore as vísceras. sangue coalhado, amarelado, esverdeado. nudez inevitável. ruínas epidérmicas, ancestrais. eu olho na tua cara. bem no meio dos teus olhos. frente a frente. eu te desprezo. te enojo. mas tenho mais cigarros do que desprezo. mais delírios do que chatices. mais arte pra phoder com a porra toda, sem caretice. toda forca é foice que maltrata. toda dor é prática que nos amortalha. toda fome fere fomes e mutila todas as fomes em FOME. esgravatados vermes superficiais. toda dor é morte. e toda vida:  Ópio.




sexta-feira, 11 de setembro de 2020

OUTSIDER DA GALÁXIA DE PARNASO

 é necessário cagar, mijar e vomitar na cara fétida dessa sociedade escrota e injusta que tanto desprezo. Abrir as portas, escancarar as feridas, cuspir na cara dos vermes que rastejam com suas morais disfarçadas em lixo pútrido e calhorda. Traficar os delírios mais insanos e inconfessáveis possíveis. Fuder a gramática e toda bunda molice que nos empurram goela abaixo. Minha arte é esse perdulário do caos emergido em palavras preciosas que só os desajustados conseguem penetrar. Revirar de cabeça para baixo as mentes preconceituosas e escarrar na boca imunda dos ególatras da burrice e perversidade todo nojo que sinto por essa merda toda. Esfaquear o simulacro limpinho que esses caras de bosta desfilam por aí com seus luxos pueris e sem expressão nenhuma. Corpos cheirando perfume batendo ponto em igrejas-prisão, igrejas-cocô, igrejas-vampiro. É necessário não se enquadrar. Enlouquecer. empunhar o dedo em riste pra toda essa porra que aí está. Não me agrego. A vagabundagem é o caminho errante do poeta. Insubmissão total. Fazer tudo o que não querer. Beber tudo o que temem. Fumar tudo que abandonam. Eles não tem coragem de delirar. Ficar bêbado na cratera da lua. Vários, vários e vários baseados. Um atrás do outro. Comer o cu da existência que pede uma penetração mais profunda. Casamento perfeito entre a vida e a morte, o sangue e as cinzas. Bater punheta toda vez que posso. Esporrar nos jardins da contemplação. Sem parte com essa merda. Sem estado e família, sem partido e leis. Apenas a periferia. Apenas os excluídos. Apenas os malditos. Apenas os drogados. Esses fazem festa comigo. "A moral é a fraqueza do cérebro", já dizia a putinha do Rimbaud, meu irmão de hemoglobina e delirium tremens. Inferno de Dante. Cabeça de comprimido. Budismo drogado. Junkie das infinitas rupturas. Cagar e andar. Merda na mão. Câncer no cu. Palimpsesto da memória. Satanás e o fumo nas escadas das vertigens. Ausente de tudo. Ser phoda, ser foice, ser martelo, dinamite, abismo e precipício... porque o que resta é não se limitar. Sem currículo e estadia. Sem dores e alegrias. Olhar distante. Imaculado. Caminhar de um lado para o outro e chegar em lugar nenhum. Pária e pátria perdida. Nadar contra a maré. Espancar fascista. Rasgar a pele. Esbofetear o ego. Aterrorizar a assustar. Atropelar. Cair e levantar. Escarrar, escarrar, escarrar...




COLETIVEARTS

          https://coletivearts.blogspot.com/

Mais um projeto dos parceiros

ColetiveArts (nosso parceiro e irresponsável pelo selo ColetiveArts que rola dentro de nossa editora) e o zine Reboco Caído (que teve o número 56 lançado por esta editora - idealizado e realizado por Fabio da Silva Barbosa, um dos criadores e irresponsáveis da EMNM) tão em um embolamento doido. 

O programa PSYCHO KILLER foi lançado sexta passada e trouxe só coisinha raiz. Troço lindo de ouvir.

Pois no dessa semana vai se repetir a a dose.

Jorginho apresentará mais este projeto do incansável ColetiveArts e trará novamente todo amargor e fúria dos sons de garagem.

A novidade fica por conta do Bloco Caído, bloco de músicas organizado por Fabio da Silva Barbosa. O nome do bloco é uma referência ao zine Reboco Caído, editado por Fabio há mais de dez anos.



TODA SEXTA  ÁS 21;30 NA RÁDIO ROTA 220

EDITORA MERDA NA MÃO — 3º INFORMATIVO

                https://editoramerdanamao.blogspot.com/

Ainda não entrou em contato para estar na lista de envios do nosso e-mail?

 Então basta solicitar no editoramerdanamao@gmail.com

Se está fora de nossa lista, ainda não recebeu nosso terceiro info.

Mando aqui para os atrasados então:

EDITORA MERDA NA MÃO

Publicando os impublicáveis

INFORMATIVOMANIFESTOPROTESTODISCURSO 3 – DESGOSTO/?0?0

E lá vamos para nossa terceira carta (segunda deste mês)

Mordam as aftas e lambam o que quiserem

Aqui está a EMNM novamente metendo o pé na porta sem pedir licença

Totalmente avessa aos bons modos e sutilezas

  

Não está fácil, “mas se fosse fácil qualquer um fazia”, já dizia o Ministro do Baião, Zé de Mohura.

Mantendo o foco na proposta inicial, seguimos em busca de alternativas para driblar as dificuldades que não param de aparecer. Mas somos guerreiros e estamos mais que acostumados a trabalhar com dificuldades. O fácil nunca colou junto. Nem sei por quais bandas anda.

Uma geração que não consegue refletir = Manada esperando o pastor da vez que a guiará rumo ao precipício. 

Uma geração castrada, amarrada e amordaçada = Vítimas de um retrocesso louco e homicida.

 Não deixe te abaterem tão facilmente.

Reagir é preciso.

  

Rifa:

A Rifa Cultural ocorreu no dia e hora marcados, após apresentação e atualizações sobre a caminhada da editora. Winter Bastos levou os brindes que já estão a caminho via correio (Falando nisso, força na luta companheirada).

Gostariamos de agradecer a toda galera que participou.

Valeu aí.

Vocês são fundamentais.

 

Campanha no Catarse:

E muito em breve lançaremos campanha no Catarse para viabilizar nossas publicações impressas. Os apoiadores ajudarão a tornar realidade o Cavidade, primeiro livro impresso da editora. Mais detalhes em nossos canais no decorrer da semana.

 

Inaugurada nossa conta no ISSU:

Agora, além da nossa página na Cadaveric Noise Bibliothec (http://www.murder-records.com/446506822), teremos este espaço para arquivo de nossos lançamentos que sairão em formato digital. O Rancoroso Manifesto já está lá.

https://issuu.com/editoramerdanamao

 

Nossas redes:

Além de informar sobre o andamento do nosso trabalho, utilizamos o twitter para repassar informações relacionadas aos acontecimentos destes tempos bizarros e apoiar iniciativas que vão contra o atual estado das coisas. Durante o despejo criminoso do Acampamento Quilombo Campo Grande, por exemplo, acompanhamos o ocorrido, repassando notícias sobre e fazendo o importante papel de difusor destas informações. Começamos também a passar dicas de filmes que tem links para serem assistidos de forma gratuita pela internet. Ou seja, esta rede social tem sido uma plataforma que extrapolou sua função enquanto veículo de uma editora. Mas isso é normal para uma editora que também extrapolou sua função enquanto editora.

E olha que estamos apenas começando.

https://twitter.com/MerdaMao

No blog você pode acompanhar nossos projetos e outros que prestamos nosso apoio devido a sua natureza e objetivos em comum. As atualizações tem sido frequentes e já contamos com nossos primeiros seguidores. O mano Wagner deu uma melhorada boa na estrutura dele.

https://editoramerdanamao.blogspot.com/

O insta (nosso pútrido instragado) é o canal onde rolarão saraus, papos e interações de forma mais direta. Também busca passar informações sobre nossos passos e registrar fatos ocorridos.

https://www.instagram.com/editoramerdanamao/

O youtube irá ser nossa videoteca. A ideia é arquivar nosso acervo áudio visual de forma organizada por ali.

https://www.youtube.com/channel/UCuvlS7xNw31Y-MsSMPw5izA/videos

 

Reboco Caído:

Está programado para, no máximo, até o início do próximo mês. Vai nascer o primeiro número deste zine pela Editora Merda na Mão. Entrevista com Sacolinha, divulgação de material, porresia, quadrinhos e muito mais. A capa será mais uma belezura do super Beralto.

Versão impressa e digital.

É o Reboco Caído na área.

Mais de 10 anos de insistência.

Mais de 50 números de resistência. 

Agora pela Merda na Mão.

 

Lançamento do mês - FALA "AÊ", PORRA!!!:

Acaba de sair o segundo número do zine FALA "AÊ", PORRA!!!, o primeiro pela Editora Merda na Mão. A versão impressa pode ser solicitada pelo e-mail da editora (editoramerdanamao @gmail.com), ou direto com o autor (elkhouriartes@gmail.com), e a versão digital já está em nosso ISSUU  https://issuu.com/home/published/fala_ae_porra__nr_2_.docx/file

 

AAAHHrte

O terceiro mosqueteiro, Wagner Teixeira (ou Wagner Wnyhyw... ou como ele prefira entre seus infinitos nomes), oferece importantes contribuições para o corre. Entre estas, o AAAHHrte zine também irá sair por esta edificante caganeira. O próximo número já fará parte do nosso catálogo então.

 

Sick Skream zine:

Depois de pensarmos em vários formatos, decidimos que este projeto sairá em formato zine, capa colorida e impresso.

Em breve mais notícias sobre em nosso blog.

https://editoramerdanamao.blogspot.com/

 

Delírios Poéticos:

Nossa primeira live ficou ótima e já mostrou a que mais este braço da iniciativa veio. Rafael Vaz e Diego El Khouri demoliram tudo nesta apresentação.

Para quem não pode assistir ao vivo, a gravação se encontra disponível em nosso canal do youtube e no insta.

https://www.youtube.com/channel/UCuvlS7xNw31Y-MsSMPw5izA/videos

https://www.instagram.com/editoramerdanamao/

Na próxima sexta teremos Denilson Reis falando sobre a resistência dos fanzines, seus projetos e realizações.

Tentaremos manter sempre sexta feira, 20:30, em nosso instragado.

 

Quadrinhos: 

A reta final do Filósofo (Philósofo... ou Philósopho?) da Maconha já está em construção. O fechamento da história não para de agregar novidades e já temos planos para pelo menos mais duas HQs nascendo desta.

Além dos primeiros capítulos, os roteiros deles já estão em nosso blog.

https://editoramerdanamao.blogspot.com/2020/07/o-philosofo-da-maconha-editora-merda-na_22.html

https://editoramerdanamao.blogspot.com/2020/08/roteiros-fdm-e-pdm.html

https://editoramerdanamao.blogspot.com/2020/08/o-inicio-do-fim.html

 

Um dos capítulos da  HQ XXI  transformou-se em vídeo-arte. Assista no canal da editora no youtube e sinta a delícia deste fel.

https://www.youtube.com/watch?v=Hzjv3J3Haug

 

Selo Coletive e Sarau Anti Fascista:

O selo já definiu sua logo (será a união da logo do coletivo com a da editora) e detalhes sobre o livro "Malditos Teclados Bailarinos" estão sendo conversados entre o coletivo e a editora.

No dia 7 de setembro o ColetiveArts e a Editora Merda na Mão irão promover um Sarau Anti Fascista com vários convidados. O sarau acontecerá às 18 horas pelo instagran @coletivemovimento

 

Memórias dos Fanzines:

O Volume II está sendo produzido e continua recebendo nosso total apoio.

Maiores informações no blog do projeto https://memoriadosfanzines.blogspot.com/

Contatos pelo e-mail memoriadosfanzines@gmail.com

 

Arte Obscura:

O zine Arte Obscura é mais uma iniciativa que recebe todo nosso apoio, mesmo não sendo um projeto da nossa editora. O trabalho de Alexandre Chakal focará em ilustrações com a temática obscura e apresentará as obras como se estivessem expostas em uma galeria de arte. A idéia inicial é que seja uma trilogia. A cor da capa deste primeiro número foi selecionada em uma pesquisa entre @s que seguem o trampo deste guerreiro.

Altamente recomendável.

Contatos e informações através do e-mail musicreunion@gmail.com

 

 *Agradecendo a todos aqueles que estão chegando junto, fortalecendo a proposta.

**Agradecimentos especiais ao Metal Reunion (https://metalreunionzine.blogspot.com/), Murder Records (http://www.murder-records.com/), a Fanzinoteca de Macaé, ao Zinerman e a sua ZineHouse  e ao ColetiveArts (https://coletivearts.blogspot.com/) pela parceria que já vem de longe. 



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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

POR: EDU PLANCHÊZ MAÇÃ SILATTIAN

e ele agarrou a linha e saiu arrastando
pelos continentes o gigante animal que flutuava,
se era uma aranha de gás.
respondo que sim porque sou um homem convicto,
um sem nome, um nômade dentro de uma caixa de vidro,
dentro de um reinado de luzes
contemplando os relógios estampados no veludo do boldo,
das folhas do boldo, das folhas dos tomateiros
crescidos a golfadas por dentro das friagens
o sonho do mar recreio dos bandeirantes
que fica a algumas esquinas daqui,
a algumas léguas do não fim das coisas
arte, peças das cavidades, das covas,
dos buracos, das linhas do caderno virtual
arte, que nos preserva desde muito antes,
eu camarada rupestre, rude,
antiquado para a maioria,
por ser o homem letra, o homem das letras,
dos sopro das letras, do jorro de letras
tal christina oiticica enterro pinturas na terra,
na neve, na natureza da neve,
no cal dos tremores dos bichos
e eu chamo em telepatia diego el khouri e joka faria
por nada além de palavras largadas
nas ruas que são ruas e que não são ruas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

POR: MAÇÃ SILATTIAN

 aqueles que ignoram a vigente pandemia

são suicidas passivos assassinos,
que perderam a capacidade da reflexão,
do ver e do compreender
a refinada percepção que nos abre os olhos,
os olhos da alma lógica aqui desse mundo mesmo
se a forma de se proteger e de proteger o outrem
é o distanciamento social e eu não tomo conhecimento
e continuo vivendo como se nada tivesse acontecendo,
estou fora do trilho, pois estou colocando a minha vida em risco
e a vida das outras pessoas também
buscando luminosidade para entender o porque
das pessoas dessa nação continuarem a apoiar
um chefe de estado genocida
que nada ou pouco faz para manter você e eu vivos
o maior de todos os tesouro é a vida,
cada vida perdida é uma vida perdida,
um amor a menos no mundo,
e perder vidas por omissão de um chefe de estado
que insiste em negar a tragédia
que é ter fora de controle de propósito,
por maldade, um vírus
que já dizimou apenas em nosso país
mais de cem mil pessoas,
é algo degradante

sábado, 22 de agosto de 2020

Por: EDU PLANCHÊZ MAÇÃ SILATTIAN

 e vou narrando histórias, tentativa de histórias, de narrativas, de resenhas, escandalizar por puro desejo de acabar com as dores, com os ruídos do meu diafragma de pura brasa, de puro ácido, a casa da máquinas, casa das minhas honras e vergonhas, da minha timidez, dos traumas que se destrancam com as chaves abissais do roedor rock

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eu queria fazer música e não sabia nenhum instrumento tocar, aí ouvi dizer que o rock era a música para quem não sabia música, ao tempo que descobri lendo uma biografia do jim morrison que nada sabia tocar, era poeta que se arriscava cantar, e eu me sentia assim, um poeta catante, cantador, semitonado, e fui compondo do jeito que dava usando meus poemas como estrutura para arquitetar uns sons, e a palavra tem sons, é som, é fonema que grita, e eu grito, não paro de gritar, de fomentar a inexatidão

e fui decobrindo arrancando das narinas e da garganta
aquilo que meus ouvidos aceitavam ou odiavam


quinta-feira, 20 de agosto de 2020