domingo, 5 de maio de 2019

POR: ROGÉRIO SKYLAB

Eu estava na cama, fechava os olhos e abria a boca. Ela sentava na minha cara e peidava. Foi nesse campo de tiro que o jornalista apareceu e me fez algumas perguntas.
- Skylab, o que você acha da participação dos militares no atual governo?
Mais um peido. Outro, mais outro.
- E você acha que eu vou ficar criticando ou elogiando os militares? você não percebe que esse é o jogo do poder? Criticando ou elogiando eles, você vai estar colocando em foco quem deveria estar fora da política, até porque não é esse o papel deles.
Mais um peido.
Ela sentava sobre a minha boca, apertava o gatilho e peidava.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

ENTREVISTA COM DIEGO EL KHOURI



Por: Joka Faria


Por volta de setembro do ano passado “2018”, enviei essa entrevista ao artista Diego El Khouri, poeta, artista plástico, uma figura antenada nas redes sociais e nas ruas. Acompanho há um bom tempo seu trabalho e me senti à vontade para lhe enviar essas perguntas, respondidas agora em Fevereiro de 2019.
O artista divulga poetas, artistas plásticos, além de mostrar suas obras em fanzines, redes sociais, blogs e também colunista do Entrementes.
Aqui suas reflexões sobre minhas perguntas, tentando desvendar os caminhos das artes e da educação formal e informal. Vale a pena ler, refletir e comentar. Afinal as pedras rolam.
Com vocês, a inquietante pessoa e sua obra.
Joka Faria

“Os dias gastos fazem parte do retalho que servirá ao fim da jornada de veste e abrigo”.
Diego El Khouri

Joka Faria entrevista Diego El Khouri

Caos com C destruição, com K criação
Arte – Uso e desuso numa sociedade em decadência?
Todos os mecanismos estão conectados com as relações de poder. A arte também responde a esses interesses. Cada um escolhe um caminho. Uns buscam aprisionar e outros libertar. Minha arte é o prolongamento do que sou. Nela me crio, me reinvento. Fênix. Bodisatva da palavra. Há arte na beleza, na decadência, nos abismos, nas fezes, em tudo. O núcleo é a poesia.
Comente sobre Arte nas escolas.
O entendimento da cultura visual pode ampliar o olhar, ‘ver com olhos livres’ como dizia Oswald de Andrade. Estamos vivendo um abismo. No precipício da ignorância. A cultura visual é uma produção social e o olhar uma construção cultural. Acredito na potência das artes e no poder de transformação.
Como você vê o ECA?
A miséria é criada de forma consciente por poderes que controlam a política e o sistema monetário mundial. O Estatuto da Criança e do Adolescente menciona a proibição de qualquer forma de trabalho até os 13 anos. O tráfico também abraça essa faixa etária em crianças que moram em local de risco e esquecido pelo Estado. Creio que a educação seria um meio de enfrentar toda essa problemática. E não falo em educação apenas em lugares institucionalizados. A educação se dá em qualquer lugar. Sem verdades absolutas. Instigar o gosto pela reflexão e pensamento crítico. Ampliar o olhar.
O ensino formal esta em desuso?
O ensino formal está preso na mesma lógica de poder. Não há interesse algum das grandes corporações investirem em educação para a população. Pelo contrário, o que fazem é sabotar o ensino desde a base. O mundo acadêmico também sofre influencia dessas relações de poder. Sentimentos de superioridade e inferioridade. Segregação de informações, conhecimento, etc. Acredito nas resistências, no poder de transformação através delas.
Os acadêmicos entendem realmente o chão da escola?
Inseridos no mesmo sintoma doentio de castas de superioridade e inferioridade a academia cria bloqueios, de forma pensada, com a grande população não ter acesso a faculdade. Nos últimos anos tivemos uma melhoria na questão das minorias adentrar a universidade, mas ainda estamos longe do ideal. Até quando trabalham em pesquisas tendo como as comunidades e periferias como alvo, no final das contas esses locais serão abandonados e a pesquisa engavetada. Há exceções e nelas me fixo.
Comente sobre o vermelho em sua pintura.
Uma experiência surreal que vivi em 2012. Desde então o por do sol escarlate, o vermelho-vivo, o vermelho-sangue está cada vez mais presente na minha produção no campo das artes visuais. Existe uma influencia da psicodelia também no uso dessas cores. Experiências com ayahuasca, xamanismo, mantras budistas como o daimoku de nitiren daishonin, tudo dançando nas formas intensas dessas últimas telas. A busca pela luz sempre foi um dado importante na minha criação artística visual.
Quais as cores de Goias ?
As cores tem potencia psicológica e física. Estudei muito as teorias das cores de Kandinsky e Paul Klee, desenvolvidas pela escola alemã de Bauhaus. Escola criada em 1919 e que influenciou, de forma importante, a arte e a7 estética moderna. As cores de Goiás partem de mim e viajam no universo, do universo em mim, da natureza, a natureza em mim, em ti. Somos partes do todo. As minhas leituras, experiências vivenciais, pesquisas realizadas, tudo interferem em meu trabalho artístico, nas inúmeras linguagens que experimento diariamente.
Comente sobre a Fauna e flora em sua arte.
Somos a natureza refletida em nós.
Você acredita em alguma mudança através de redes (insonsas) sociais?
Acredito que tudo pode ser ferramenta de ação, ruptura e transformação. A educação seria o pilar principal dessa mudança, mas não devemos descartar outras abordagens e ações.
Fale sobre as Vanguardas e sua não existência na arte do séc vinte e um?
As vanguardas foram importantes no processo de ruptura e liberdade. Hoje em dia vanguardas não fazem mais sentido. É questão de época mesmo. Hoje é tudo muito voraz e passageiro.
Tudo é uma coisa só e ao mesmo tempo não é.
Liberal, libertário incendiário?
Incendiário com olhos de fogo. Piva falava que poesia rima com ‘ amor, revolta e liberdade’. Comungo dessa visão. Sou anti convencional e vivo uma vida nada convencional. Incomodo muito, mas também causo admiração por uma camada importante das artes. Sou uma ‘mosca nas sopa’. Sei que incomodo. Dinamite pulsante sempre incomoda aqueles que vivem uma vida normalzinha, comum, igual, sem abismos, entregas, mergulhos. Só os corajosos abrem de fato os olhos. A existência inimitável. A vida como obra de arte assim como os gregos defendiam. A vida como obra de arte.
Considerações finais:
Arte causa êxtase, asco, prazer, dor. Tudo ao mesmo tempo. Corrente elétrica delirante. O  O bloqueio real das bolhas que nos separam.
* Retirado  do Portal Cultural entrementes.com.br

sábado, 20 de abril de 2019

POR: DIEGO EL KHOURI

Pra uns sou um louco. Pra outros genial. Nenhuma  medida define a existência. Os pés balançam no vento.  O  olhar repousa na madrugada.  Grito o nome sorrateiro  da esperança e sinto, vil que sou, o talento se perder por entre a neblina cinza que pulveriza  os sentidos. O talento se evapora e se transforma. O poeta é sempre o criminoso.  Outsider  vagabundo. Diego El Khouri ainda caminha na areia só "sem lenço  e sem  documento " no século sinistro que se apresenta.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

POR: DÉBORA LEÃO


Uma hora negativa a mais,
um passo em direção ao abismo,
um sonho sonhado somente,
um plano traçado,
o coração apertado.

Sempre me pego com cenhos franzidos,
a mão sobre os lábios contraídos,
com ar perturbado,
preocupado,
vazio.

Mil possibilidades pensadas mas nenhuma ação.

E estou impressionada com o quanto minha escrita está rasa.
Mas essa deve ser uma das consequências de ser normal.
Ser raso. Superficial. De sorriso maquinal.
A falta da emoção exacerbada, do romantismo escancarado,
do carnal sucumbido...
Do nó no peito, no coração, na mão fria e trêmula,
do rosto corado, dos lábios desejosos,
do olhar que fura a alma, do silêncio mórbido aconchegante,


O riso fácil, alto, escancarado, frenético, tenso,
com olhos esbugalhados à procura de aprovação,
frases soltas redundantes recortadas de frases vazias,
opiniões severas, partidos bem tomados,
definições bem dadas,
rótulos estrategicamente impostos;

Não posso eu somente ser somente brisa
que passa despercebida
acariciando pedras, água e pêlos?

(31, Maio, 2017)


quarta-feira, 17 de abril de 2019

GUIMBA E A CONSCIÊNCIA SOCIAL

Por Fabio da Silva Barbosa

Nada surge do nada. As coisas, fatos e fatores possuem toda sua história. O menino rouba, mas ele não nasceu naquele momento, roubando.  Ele trabalhava duro como cobrador da combi que fazia a subida do morro. Chegava na porta de casa exausto e tinha de esperar sua mãe acabar de se “divertir” com algum bêbado que havia arrastado do forró. Sentava e ficava esperando ao lado da porta aquilo que poderia durar a noite toda. Muitas vezes, quando conseguia entrar no barraco de um cômodo, via o pouco dinheiro que tinha conseguido ser tomado por ela. Codinome: Cangaceira. Ambos possuíam muitas cicatrizes pelo corpo e pela alma. O frio batia forte até a porta abrir. Via as pernas bêbadas passarem ao seu lado e entrava de cabeça baixa. A panela vazia. Não existia banheiro ou janela. Se acomodava sobre os trapos em um canto, dividindo o espaço com a cadela que tinha como única amiga. O nome dela era magrela. Nem ele, nem Magrela, gostavam do cheiro de pedra quando a mãe tava fumando. O barraco ficava impregnado. Agora era linchado por uma multidão que o culpava por não ter consciência social. Morreu sem saber o que isso significava 
Nada surge do nada. Tudo tem um início, um meio e um fim.

domingo, 14 de abril de 2019

FAÇA POESIA MENINA DAS COISAS INSIGNIFICANTES -

Por: Clécia Sant'Ana

O que diria para a minha menina se acaso pudesse ter um encontro da física quântica possível, da máquina do tempo onde eu fosse a mulher do meu futuro, ou tivesse o colar Vira Tempus, ou mesma fosse portadora da cabaça dos segredos enviada pelas três irmãs pássaras as quais não se pode falar o nome.

Brincaria comigo no parque, na “roda dos desvalidos”, onde muitas mães “abandonavam” suas crianças, eu também via como a roda gira-gira carrossel, diria; roda criança, brinque descomunalmente, não tenha pressa, seja ligeireza infante na doce lentidão da tarde, seja um jabuti que na curteza dos passos corre léguas tiranas.
Suba na gangorra e dê o mais alto gargalhar nas alturas, com uma mistura de medo e fantasia, de descobrir o céu no impulso dos ares e de aterrizar seus pequenos pés paralelos ao equilíbrio de segurar seu peso na gangorra, e de fazer leve deboche em segurar o colega por mais tempo no ar ao outro extremo dos sorrisos de liberdade.
Se banhe na água da bica, seja e viva o fundo do quintal, conte formigas, faça bolinhos de barro, caminhe sobre o muro sendo bem clandestina aos olhos de sua mãe. Construa casinhas de lençol e também de palhoça, monte boizinhos de maxixe, de manga e faça também a boneca de milho sua boneca.
Seja leveza menina, não queira crescer tão rápido, viva pausadamente, tome bastante chá de capim cidreira, menta e hortelã. Acalme-se deitada na galha da goiabeira, no equilíbrio das folhas e das ambivalências, seja você uma passarinha, cante e cante e cante, assovie, assopre notas musicais que te façam coruja, ou uma paloma branca de olhos vermelhos ou uma canarinha. Seja alegre menina … pouso poesia no ombro, se banhe no sol e chuva casamento da viúva, se banhe com chuva e sol casamento do girassol. Faça flautas de talo de mamoeiro, roube o sabão em pó de sua vó, e seja bolhas gigantes cristalinas com reflexos de arco-íris. Voe dentro da bolha e chegue até as nuvens. Olhe pro céu e procure satélites e saiba diferenciar as estrelas, seja constelação, sinta-se e seja uma das três marias reluzentes na ponta do rabo do escorpião, se oriente pela constelação do cruzeiro do sul, seja um barco a vela na imensidão do azul escuro da noite e também do azul claro do dia. 

Seja uma das marinheiras na carroça do padeiro que:
- compra pão sem dinheiro numa perna só e o outro rabicó…
    - o quê que você veio fazer na nossa linda terra de ouro?
- muitas coisas!
    - faça um pouquinho nóis vê?!
- Com grande prazer!

Se eu pudesse ter um encontro do acaso...eu não diria nada disso pra minha alegre menina, pois ela viveu e foi muito menina na sua meninice, aproveitou cada verbo no infinitivo, foi desbravadora de cupinzeiros, e subia no topo e como Indalécia gritou a terra cantada de seus pastos cheios de palmeiras de babaçu e árvores de baru, aproveitou cada palavra nova, cada caligrafia, cada história ouvida e contada, cada passo de dança ensinado/aprendido, cada música ouvida. Viu o algodão ser cardado, viu a linha na roca, viu a linha no novelo, viu a linha no tear, fez crochê, teceu tapetinhos de tiras, ajudou a vó limpar tripa de porco e ajudou a fazer linguiça, ajudou a fazer geleia de mocotó, ajudou a bater roupa no batedor de madeira, ajudou a virar a terra com a enxada e fazer covas rasas para plantar batata-doce, amendoim, milho e mandioca.
Em 1989 foi acordada de madrugada pelo pai, que a fez ver o cometa Halley … e o pai dizia que só daqui 100 anos ele viria novamente. O que na verdade descobriu que passaria novamente aproximadamente de 74 a 79 anos.
A alegre menina já dizia no olhar de suas alegrias, e era cajuzinho do cerrado colhido bem no alto, era araticum de casca grossa parecendo pedra desabrochando e um gosto forte onde só os fortes de sensações e emoções se apegavam ao sabor, a textura quase arenosa no paladar que envolvia mistérios de profundidades e sutilezas do caroço marrom, polpa boa de fazer picolé. Era ela Araçá Una de olhos arregalados, grandes também e negros como jaboticaba. Era ela pele de jambo, perfume de flor roxinha de lobeira. Tinha às vezes hálito de jatobá pregado no céu da boca. Ela também havia descoberto que a boca também tinha céu.
O que dizer a mim mesma no encontro, no inusitado tempo do existir menina alegre que fui?
Eu pediria conselhos para a alegre menina e eu menina diria a mim mesma, menina-mulher, seja alegre menina, seja leve menina, seja sincera contigo menina, “levante-se da mesa quando o amor não estiver mais servido”, ame-se em grandes colheradas do seu doce prazer, saiba que quando estiver necessitada sempre haverá uma mão estendida pois você é amada, e na alegria terás braços porque és admirada. Treine sua paciência que você aprendeu com os calangos e lagartixas, seja aranha tecendo sua teia, domine sua ansiedade, seja amiga do TEMPO, sente-se com ele na beira da estrada, ou num tronco de árvore caída, teça sua teia menina com o novelo transparente do fio da vida, dê o braço a torcer principalmente no amor, não queira ser só razão, aja também pela emoção, não tem pecado, não existe pecado, isso tudo é inventado, seja guardiã de sua caverna e não esqueça sua criança la dentro, caminhe de mãos dadas com ela por todos os matos, montanhas e cantos, desça ladeiras dentro do tambor, estude os estudos formais, e os estudos das coisas inventadas, saiba ouvir e falar, partilhe seus sentimentos, aprenda que segurança é um estado de espírito, seja um espírito seguro de si. Para conseguir o que quer terá que dar o primeiro passo, deixe de ser medrosa menina-mulher. Use sua força para sempre conquistar e nunca para agredir. Seja a recompensa do não julgamento para assim não ser julgada também. Assuma a responsabilidade pela sua vida, lembra que você aprendeu com a formiga. E lembre-se que cantar você aprendeu com la Mercedes como la cigarra em serenata para la tierra de uno…tantas veces me mataron, tantas veces me morí, sin embargo estoy aqui resucitando. Gracias doy a la desgracia y a la mano com puñal/Porque me mató tan mal y segui cantando/Cantando al sol como la cigarra/Después de un año bajo la tierra/Igual que sobreviviente que vuelve de la guerra/Tantas veces me barraron/Tantas desapareci/A mi próprio entierro fui sola y llorando/Hice un nudo del pañuelo pero me olvidé despúes/Que no era la única vez/Y segui cantando/...Tantas veces te mataron/ Tantas resucitarás/Cuántas noches pasarás desesperando/Y a la hora del naufragio y a la de la oscuridad/Alguien te rescatará/Para ir cantando/Cantando al sol como la cigarra/ Después de un anõ bajo la tierra/Igual que sobrevivente/ Que vuelve de la guerra...
Saiba que você é o que come, o que acredita é sua alma, seja escandalosa como o sol, sua vida é o que fazerá dela, não alimente a dor, amor não é dor, sua mente é o que pensas, lembre-se que tudo tem reparos. Seja água correndo na serra…
Como te explico?!!! 
Seja mar atlântica, mundana, santa, um montão de coisas! Seja pão que alimenta a fome. Quando se sentir sozinha chore e coloque tudo pra fora como a primavera, abra fendas para o nascimento de coisas novas, jogue o que te machuca fora. Não vais querer que algo morra por dentro. E o mais importante...fale olhando nos olhos, deixe as palavras pertubarem os sentidos das coisas normais, para que elas não sejam tão normais. Saiba que o conhecimento está no apalpar, no pegar, no tocar, está no ouvir para além dos sentidos. Saiba que tudo muda, e que podes encostar na tarde como se ela fosse um barranco. Viva não só das palavras, mas também dos olhos...eles também falam, mais que a boca. Ah e também as mãos...essas sussurram poeminhas de acalanto.
Fale de esperanças, fale de viagens e andanças, fale de portas abertas, fale de alcances, de coisas que te aliviem um pouco mais. Fale de lutas e nunca de esmorecer. Faça uma orquestra de grilos, e saiba que a vida é uma canção que carrega a lua no bolso. Fale de pequeninas coisas, finja não conhecer o que você já sabe, faça poesia das coisas insignificantes.

___________
* Clécia Sant'Ana é atriz, poetisa e cantora



quinta-feira, 11 de abril de 2019

POR: EDU PLANCHÊZ

hoje conversando com diego el khouri, eu na jacarepaguá ( dos troféus que são leões espetados na farda que carrego ora manchada de sangue ) 
diego el khouri em aparecida de goiania ( dos que sobem nas listras das luzes crescidas nas lágrimas )

quarta-feira, 10 de abril de 2019

SÉCULO SINISTRO (II)


Título: Século  Sinistro (II)
Técnica: Óleo sobre tela 
Dimensões: 40 x 30 cm
Artista: Diego El Khouri

quinta-feira, 4 de abril de 2019

SÉCULO SINISTRO


 Título: Século  Sinistro 
Técnica: Óleo  sobre tela 
Dimensões: 40 x 80 cm
Artista: Diego El Khouri

segunda-feira, 1 de abril de 2019

6 POEMAS DO JOSÉ ZINERMAN NOGUEIRA


 ENTRE O DEDO E A FERIDA

ME ARREBENTEI TODO
QUANDO ESCORREGUEI NESTE LODO
ABRIU-SE UMA CRATERA E UMA FERIDA
MOSCAS VAREJEIRAS SOBREVOAVAM EM CIMA
ENQUANTO O SANGUE JORRAVA SEM PARAR
ERA COMO UMA PIMENTA ARDIDA
FUI ATÉ O INFERNO E VOLTEI
GRITAVA DE DOR
E QUEIMAVA COMO FOGO
ENTRE O DEDO E A FERIDA
ARRANCAVA A CASCA TODA FODIDA 


SEXO NA MADRUGADA


E(les) quando evitam E(las )
É porque tem razão
Fim do tesão

Entre uma metida
E uma lambida
Quero me sentir (A)traída



A TODOS OS POETAS

QUE PEIDAM E CAGAM
QUE BEBEM  OU CHEIRAM
QUE FUMAM OU INJETAM
QUE VIVEM  OU VEGETAM
QUE AMAM OU ODEIAM
SEM POESIA
A VIDA FICA VAZIA



MIJO

MIJO EM TUA BELEZA
CRUA E NUA
TALVEZ AMANHÃ ARROTE
EM TUA CARA
TALVEZ ESSA SEJA A TUA TARA
QUERO DESPEJAR TODO ESSE VENENO
DENTRO DA TUA BOCA
QUERO TE DEIXAR LOUCA
O CÉU É O INFERNO AOS AVESSOS
TE DESEJO POR MORTE
NÃO SEI SE TIVE SORTE
DE CONHECER ALGUÉM
QUE DORME COM A LUA
E ACORDA NA RUA


QUALÉ O GRILO ?

TÁ COM GRILO ?
NÃO FUNDE A CUCA NÃO !!!!
QU´ELA NÃO VAI TE PEGAR
PAPAI FOI PRA WOODSTOCK
E A MAMÃE
TOMOU UM ÁCIDO
E FOI VIAJAR
TÁ COM GRILO ?
PERGUNTE AO “GURU” DA TUA GERAÇÃO
QUE FEZ A CABEÇA DE TODO MUNDO
TÁ COM GRILO ?
QUE É ISSO “BICHO” VOCÊ NUNCA FOI ASSIM!!!
TÔ TE ESTRANHANDO CARA
VOCÊ ANDA COM TUA CABEÇA NOS SKY
VIAJA,VIAJA E FICA PIRADÃO
ATÉ AQUELE SONSÃO DOS THE ALLMAN BROTHERS
NÃO TE LIGA MAIS...
O QUE HÁ ENTÃO ???? MEU IRMÃO ???
JÁ SEI
WOODSTOCK ACABOU
E VOCÊ AINDA NÃO ACORDOU, DAQUELA VIAGEM ,
DO PIOR ÁCIDO QUE TOMOU 




GOZANDO COM CATERINE

CARINHA DE ANGEL FACE
COM ETERNO FOGO NO RABO
NINGUÉM SEGURAVA CATERINE
ERA UMA VERDADEIRA MÁQUINA
DE FAZER SEXO
GOSTAVA DE JÓIAS CARAS E PERFUMES IMPORTADOS
SEMPRE EM SUA FAMOSA BANHEIRA
A ESPERA DO FREGUÊS CERTO
QUE PAGASSE CORRETO
E LOGO PEDIA QUE COLOCASSE NO RETO
FAZIA DOIS OU TRÊS BOQUETES
SO PARA ALEGRAR O FREGUÊS
QUE MANDAVA VOLTAR DA PRÓXIMA VEZ

JÁ ERA DE COSTUME
ESSE SEU JEITO ESTÚPIDO DE SER
MAS COM SEU CORPO DE MENINA
EXCITAVA QUEM QUISESSE METER
PROVANDO DE SUA URINA
FAZENDO UM GOLD SHOWER COMO NINGUÉM
AINDA ORDENAVA QUE PEDISSEM AMÉM