segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

DEDOS CRUS

Por Edu planchêz 

escrevo,
com diego el khouri,
glauco matoso,
tanussi cardoso,
cairo trindade...
escrevo com as secretas irmãs
das cidades submersas
nas latitudes do estranho animal
eu, você e os mágicos libertos,
eu e a magnífica esquadra
dos que se arriscam,
dos que marcam os metais
do ir além com dedos crus

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A VOZ INTENSA E MELODIOSA DA CATARINA CRYSTAL BLUES

Por: Diego EL Khouri


Batendo um papo com a intérprete Catarina Crystal. Catarina é uma grande cantora que ilumina as ruas, restaurantes e teatros do Rio de Janeiro com sua voz potente, atitude intensa e dando uma cara nova para as músicas que interpreta. Fiquem atentos nessa cantora que ela vai dar o que falar.


Aqui vocês podem ouví-la cantar: https://soundcloud.com/catarina-crystal




1) Pra começo de conversa, como começou na música, quais eram suas influências no início e hoje em dia o que tem ouvido?

Aos 9 anos de idade já dava índices de que poderia cantar.
Desde muito pequena era a única filha que sentava ao lado de seu pai para ouvir seus discos preferidos.
A música sempre foi a saída para todos os meus problemas desde a infância...
todos eles acabavam no momento em que tocava uma canção!
Dos 9 aos 14 anos fiquei em um convento de clausura (convento das carmelitas) PR,   que apesar da ausência do mundo lá fora,criei eu mesma um mundo dentro daquele lugar. Mesmo assim a música sempre esteve  presente. Mesmo que em couros e louvores meu prazer era fazer de cada palavra que saía de minha boca uma melodia.
   Com 15 anos ainda muito que intensamente vivendo aquele mundinho restrito...
me deparei com o mundo que havia fora e ao mesmo tempo dentro de mim.
 Foi quando surgiu a minha primeira e verdadeira influência na música (Janis Joplin).
 De janis pra cá só venho ampliando meu conhecimento musical, conhecendo o trabalho a fundo de varias cantoras feras como:
Ella Fitzgerald,Elis Regina,Leila Pinheiro,Fátima Guedes,Edith Piaf,Etta James,Amy winehouse etc.




2) Como é a cena de Curitiba (sua terra natal) e a do Rio de Janeiro (sua atual moradia)?

Curitiba a cultura musical é muito rica...mas o mais forte é o rock roll, 
tanto que cheguei no RJ com o mínimo de mpbe aí chegando aqui fui aprendendo toda a  nossa riqueza musical brasileira, então meu repertório foi aumentando...
-Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Mutantes,Novos baianos etc... Ou seja, vir para o RJ só somou na minha vida. Não cantava samba, até porque o carnaval de Curitiba é o bloco do zumbi (terror) que alias eu amo também, mas acabei sendo tomada pelo sangue Pátria que estava sufocado dentro de mim!Por fim...salve! alcione, clementina de jesus, paulinho da viola, Jards macalé, martinho da villa, lenini etc... 




3) Como é ser artista em um país que não investe na cultura e educação?

É deixar de cantar com a técnica para cantar com a alma... porque é na dificuldade que seu dom aflora. Ex: jogadores de futebol. Quando  não havia fortes investimentos é que nasceram os melhores! (mané garrincha,milton santos, pelé (quando começou)  todos jogavam com a alma e davam tudo de si.. Então eu sinto muito prazer quando sento em uma mesa de restaurante, janto e pago com o dinheiro que ganhei cantando com alma para as pessoas ( do mendigo ao doutor).



4) Você é uma artista que transita entre o teatro e as ruas. Qual a diferença de  se apresentar nesses dois espaços totalmente diferentes?

A satisfação são em ambos lugares. A diferença é que o teatro é um palco limitado e a rua é um palco sem fim.





5) Em seu repertório você passa pela Amy Winehouse , Edith Piaf, Janis Joplin e Elis Regina. De que forma essas grandes cantores  influenciam seu trabalho e como colocar a marca da sua arte nas canções de cantoras tão conhecidas?

Me perfumando com a essência de cada uma delas...
Vivenciando em uma música todas as suas experiências.

Profundo...tão profundo quando a música termina. Só me lembro do que fiz, quando um admirador grava o vídeo  e me mostra ....rsrsr

6) Como anda a parceria musical entre você e Edu Planchêz, poeta e vocalista da banda de rock n'roll Blake Rimbaud?

o poeta e cantor vocalista da banda blake rimbaud (Edu Planchez) aflorador de sonhos reprimidos e a positividade em vida... caminha e agita, opina e determina porque acha que tudo é possível... Nos apresentamos em alguns momentos do concerto nas ruas com muita irreverência e criatividade. Ele tem sido o meu mentor e abriu meus olhos para o grande arsenal da cultura musical brasileira me ensinando a fundo, desde a raiz, a ponta das folhos ( e os sobreviventes iluminados da arte que ainda estão entre nós).





7) Livro de cabeceira.

Poemas de Bertold Brecht e farpas e fagulhas (Brasil Barreto), Papik (o menino que nasceu na neve (de Rosa Kapila) e uma temporada no inferno ( Arthur Rimbaud).



8) Um filme.


 A menina que roubava livros e Théo e Vicent ( Van Gogh)


9) Próximos Passos.

Próximo passo:
    Acredite
    você quer
    você pode
    você conseguiu

qual é o próximo passo?


10 Onde encontrar seu trabalho?


  
Você pode me contactar nesses endereços:

(21) 3412-66-40
(21) 97964-00-11
(21) 98081-13-14

cassycrystal@hotmail.com  / fan page catarina cristal



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

VINNY GRIN, O ARTISTA DAS MÚLTIPLAS CORES

Por: Diego El Khouri

Mais uma entrevista bacana afim de devassar a cultura de nosso país. Essa é a vez do do artista plástico Vinny Grin dar seu recado. Artista de São Bernado do Campo (SP) e que tem um trabalho bem bacana no mundo pictórico.



1) Como é seu processo de criação?

Tenho um processo de criação oriundo da minha história religiosa no passado, ou seja, sempre me conecto de formas diversas a um plano espiritual que me orienta naquilo que devo pintar, as cores que devo usar e qual objetivo a arte se destina. E tem vezes que o meu processo de criação se dá como um remédio ora doce, ora amargo para simplesmente concluir um objetivo... uma espécie de lição de casa que tenho que fazer para entregar para a professora no dia seguinte (risos) 

2) Como foi seu início nas artes? Houve apoio da sua família? Se lembra da primeira tela que pintou?

Meu início nas artes acho que foi como a grande maioria, nas extintas aulas de educação artística lá nos meados dos anos de 1980... mas falando sério, a arte em si começou em minha vida como forma de cura psicológica que me atormentou logo após eu fechar um terreiro de umbanda no qual eu era o dirigente espiritual na época (é uma estória bem longa, conto em outra oportunidade). Minha família se resume somente em minha esposa, sim , ela sempre me apoiou em tudo que faço. A minha primeira arte foi uma mandala de 50cm pintada sobre MDF, tenho ela até hoje... bem mal feita.. (risos). Depois passei a tecer mandalas com fio de lã, pintei muitas outras mandalas e artes diversas em vidro (vendi todas) e hoje me dedico tão somente as telas.



3) Como é a cena cultural em São Bernado do Campo (SP)? Existe incentivo e espaços para mostrar seu trabalho para o grande  público?

Acredito que a cena cultural em minha cidade reflete a cena cultural de muitas outras, ou seja, se você for famoso e tem influências no cenário você terá todas as portas abertas, caso contrário, você será apenas mais um grão de areia no oceano, infelizmente!

4) O que pretende transmitir com sua arte (se é que queira transmitir algo)?

Na minha arte eu procuro transmitir alegria através da combinação de cores estrategicamente colocadas em seu devido lugar na tela que está sendo criada e pintada, ou seja, cada cor tem a sua energia, o seu poder e o seu devido lugar para que o mental / espiritual de quem a vê seja ativado. Pode-se dizer de forma leiga e sem aprofundar no assunto, que as minhas telas passeiam pelos campos da "decoração".   



5) A arte transmite o conceito de uma sociedade. Como enxerga a contemporaneidade e o país onde vive? 

Percebo que a sociedade mudou muito, e não poderia ser diferente. Evoluímos socialmente, adquirimos novos conhecimentos, rompemos barreiras, paradigmas, dogmas. Vejamos, antigamente, séculos passados, a arte sobre tela era a fotografia dos tempos atuais onde pintava-se apenas pessoas, tipo retrato ou foto de alguém ou grupo de pessoas. Hoje pinta-se qualquer coisa e tudo tornou-se arte, tudo é permitido, tem público para todos! Mas aqui no Brasil a arte sobre tela ainda é taxada como algo de gente rica. Muitos acham que artistas plásticos são ricos e quem compra uma arte é rico, mas todos esquecem que em todos os lares dos 4 cantos de nosso país sempre há pelo menos um quadro, seja ele uma plotagem de uma arte comprada em supermercados ou uma tela realmente pintada a mão. No Brasil não há incentivo para o artista de rua, para pintores amadores, para o "zé das couves" que rala o dia inteiro em seu emprego chato pra cassete e a noite pinta lindamente suas telas sem nunca ter estudado arte. O Brasil precisa mudar e rever seus conceitos de arte popular, pois adolescentes simulando sexo ao som de músicas de gosto duvidoso ao meu ver não é arte e sim incentivo a promiscuidade e vagabundagem. Alguns dirão que ainda assim isso é arte, mas eu pergunto a esses imbecis, você gostaria de ver sua filha simulando sexo em uma pseudo dança com um shortinho curtinho enfiado no rabo????...

6) O que te causa espanto?

A ignorância das pessoas. Uma coisa é você ser ignorante por realmente não ter formas de como obter conhecimentos e outra é a pessoa querer ser ignorante, falar errado, escrever errado, se comportar como um criminoso só para se sentir descolado. No Brasil a cultura da malandragem infelizmente é muito latente. É legal ser malandro, ludibriar as pessoas, ganhar vantagem em algo, subornar alguém etc.



7) Um livro.

Antologia Poética, de Vinícius de Moraes

8) Um filme.

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída...

9) Epitáfio.

Volto logo! :-) 


10) Um recado para quem está começando nas artes plásticas.

Nunca desista na menor das dificuldades pois não há erros para quem faz arte, só há experiência e toda experiência lapida a pedra bruta dentro de cada um de nós e nunca , mas nunca mesmo deixe que pseudos professores de arte ou pseudos conhecedores de arte digam a você o que você deve ou não fazer em sua arte. Siga suas vontades e seus desejos e sempre tenha pelo menos papel e lápis na mão, pois certas ideias surgem do nada e você precisará rascunhar para depois ver no que vai dar...



11) Próximos passos

Eu gostaria de ajudar crianças e/ou idosos doentes em hospitais e/ou orfanatos ensinando o quase nada que eu sei, porém doando um pouco do meu conhecimento em arte para que as cores que utilizo possa ajudar a aliviar as dores de quem sofre nesses locais. Ah, gostaria de ter meu próprio ateliê, pois se vocês souberem onde eu pinto, vocês não irão acreditar, não mesmo (risos)... dica, trabalho com segurança pública :-) 

Obrigado a todos que dispuseram a ler esse bate papo e quem quiser seguir meu trabalho é só me adicionar no   Facebook/vinnygrin 




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

RETRATOS DA COMPOSIÇÃO

Por: Diego El Khouri

Sinto que a psicodelia ( e tudo comigo funciona através da percepção sensitiva), o impacto em um nascer do sol há uns 4 anos atrás, a experiência espiritual com a ayahuasca em um templo xamânico, e agora sobretudo o meu mergulho no budismo de Nitiren me abriu portas e melhorou meu fazer poético/ visual. Analisando todo esse contexto, vendo as capas dos discos após 1968 (época de revolução radical nas estruturas) até o início dos anos setenta, com aquele acúmulo de cores quentes, predominando vermelho, laranja, amarelo, contrastando principalmente com azul cerúleo, azul hortênsia, preto e sépia, me fez sentir participante desse viver criativo da psicodelia fazendo com que meu trabalho (principalmente nas artes plásticas) tivesse uma cara espiritualista/pagã. E a cadência mítica, sonora, paradoxal do budismo mesclando com as cores da arte oriental, os "desregramentos dos sentidos" rimbaudianos , a vida grega dionisíaca do "carpe diem", são elementos frequentes no meu laboratório criativo. Misto de catarse e percepção espiritual, delírio e racionalidade. A gênese do meu trabalho está no estudo das cores que remetem sim a psicodelia, e os "avanços da revolução juvenil" de Woodstock. Mas isso tudo só foi possível graças aquele espanto maravilhoso provocado naquele nascer do sol, daquela madrugada selvagem e dionisíaca— as cores vermelhas/laranja penetradas pelo azul suave e forte, até findar o vermelho, para em um último momento (como em um orgasmo/ a dança voluptuosa dos amantes) pintar o céu de rajadas amarelo de cádmo claro, branco, por fim o azul, o azul, o azul...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O RASGO E A FENDA

Por: Diego El Khouri

Desligo, desconecto "os canais high-tech"
numa fricção ortogonal
no meio do meio do caos
(lisergia pura)
"essa cidade não pára"
já dizia science
"essa cidade de arames farpados"

Em meu estômago
 o rasgo, a fenda
a substância primordial
da minha  loucura
(da nossa loucura)

Poeta rascante
blues on the road
caminho de Nitiren

Escama de peixe
olhos de dragão
em andrajos fétidos
torto de febre
o olho aberto
abertas feridas

Caminho de Nitiren
o suspiro 
a flor de lótus
abraçando meu corpo
"que caí do vigésimo andar"