quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ZINE REBOCO CAÍDO: O PAINEL DA ARTE SUBVERSIVA PRECISA DE VOCÊ, PORRA! — 16 ANOS DE GUERRILHA CULTURAL

  



O zine Reboco Caído completa 16 anos de existência e resistência em outubro.

São mais de 70 edições atravessando o tempo, o mofo, o descaso, a caretice e essa coisa chamada mercado cultural. Um zine independente, sem anunciantes, sem financiamento e sem a proteção das vitrines culturais. Um painel vivo da produção artística que acontece no subsolo.



Agora, queremos fazer uma edição especial de 16 anos desse zine impresso, maior (o dobro), com 24 páginas, reunindo parte dessa história e mantendo vivo aquilo que sempre foi a essência do Reboco Caído: produção independente, liberdade, experimentação e guerrilha cultural.

Para isso, estamos fazendo uma ação através dos canais da Editora Merda na Mão.

CONTRIBUA COM QUALQUER VALOR PELO PIX:
fsb1975@yahoo.com.br
Fabio da Silva Barbosa
Enviar comprovante no e-mail (mesmo do pix)

* Quem contribuir recebe um exemplar do zine.




Essa ação vai até o dia 20 de Setembro. A ideia é que, até lá, já tenhamos conseguido arrecadar o suficiente para colocar essa edição especial no papel.

A cada dia, a luta pela sobrevivência fica mais terrível, difícil e desesperadora. Manter uma publicação independente durante tantos anos nunca foi fácil. Fazer isso sem grana e sem apoio nenhum é um exercício permanente de resistência. Coisa de maluco!

Por isso, estamos convocando quem reconhece a importância do Reboco Caído a colocar essa publicação comemorativa no papel.

É viver realmente o nós por nós, coletividade e autogestão.

Não estamos falando de qualquer zine. Estamos falando de uma publicação clássica da cena independente, um arquivo vivo de artistas, escritores, poetas, quadrinistas e toda uma produção cultural que insiste em existir fora dos circuitos oficiais.

Se o Reboco Caído também faz parte da sua história, agora é hora de entrar nessa porra.

Contribua com qualquer valor. Quem contribuir recebe um exemplar da edição especial de 16 anos.

E essa história não vai ficar apenas no papel.
Estamos publicando no YouTubdigestivo, canal da Editora Merda na Mão https://youtube.com/@editoramerdanamao?si=hZw6pptJVcziFrrg, depoimentos de pessoas que fizeram parte dessa trajetória:
 artistas que produziram capas, enviaram poemas, textos e desenhos, participaram de entrevistas, colaboraram com diferentes edições ou simplesmente acompanharam o Reboco Caído como leitores.

Os depoimentos estão sendo publicados separadamente ao longo deste período. Tipo um esquenta. 

E, em outubro vamos reunir tudo em um vídeo especial e mais longo, contando a trajetória do zine através dos depoimentos, das falas de Fabio, de imagens raras recuperadas dos arquivos, das capas das mais de 70 edições e de outros materiais que fazem parte dessa história.

Será praticamente um documentário sobre o Reboco Caído:  cinema marginal em ação.

Um registro de uma publicação que nasceu no circuito independente e continua existindo porque encontrou, ao longo do caminho, pessoas dispostas a colocar a mão na massa (ou na merda). Sem preguiça e sem desculpinhas. O bagulho foi sempre arregaçar as mangas, dormir pouco e fazer muito. Disciplina e foco. Guerrilha na veia. 

E não  para por aí!

José Zinerman, o fóssil vivo do underground, vai publicar nesse mês também  um zine especial, reunindo o catálogo das mais de 70 edições do Reboco Caído, com suas capas e informações. Olha aí que phoda! Além do Reboco Caído especial outro mano da cena por conta própria vai lançar um zine celebrando essa publicação combativa. Ou seja, outubro será um período inteiro de celebração dessa aberração editorial que se recusa a morrer.




Porque o Reboco Caído continua de pé, mesmo com as feridas abertas e ferindo fundo na alma. Porque ele nasceu pra ser mosca na sopa. Incomodar e informar. Refletir e transgredir. 

E segue funcionando como aquilo que sempre foi: um painel vivo, cortante, livre e pulsante da arte contemporânea produzida longe dos holofotes, das vitrines e das cerimônias comportadas.

16 anos de Reboco Caído. Mais de 70 edições. Uma porrada de artistas. Um arquivo de resistência. E ainda não acabou.




O REBOCO CAÍDO NÃO CHEGOU AQUI POR ACASO.
INSISTÊNCIA E FOCO.
INSUBORDINAÇÃO E REVOLTA.
RESILIÊNCIA E LUTA.
INDIGNAÇÃO BRUTA.

 





UM PEQUENO TEXTO SOBRE O REBOCO CAÍDO

Texto de Fabio da Silva Barbosa:

Não me ligo nessas coisas de data. Já teve ano do meu aniversário ir passando e eu não ver. Alguém, que não lembro quem, veio me lembrar. Talvez um dos meus filhos... Impossível saber ao certo... E, também, isso não tem nada a ver com a história. Não é relevante.

Tenho de ter cuidado para não me perder em meus labirintos mentais, onde um pensamento leva a outro e, quando vê, já estou em um ponto completamente diferente. O cérebro vai a esmo, à deriva, no oceano infinito dos pensamentos em ebulição. Um mar nada calmo ou de águas refrescantes.

O fato é que descobri, mexendo em papéis antigos, aproveitando uma brecha no tempo para tentar organizar as poucas coisas que me sobraram depois de me movimentar daqui pra lá e de lá pra acolá nessa vida nômade...
Ah... sim...

Descobri que em outubro deste ano o Reboco Caído completa 16 anos de existência. Vi pela data do primeiro número. Na época, ainda colocava a data.
Não deixei de me espantar com a longevidade da iniciativa, que muitas vezes só saiu graças à colaboração dos próprios leitores, que enviavam contribuições voluntárias ou respondiam prontamente ao passar meu chapéu solicitando apoio para a próxima publicação.

Sem falar que, muitas vezes, como as ideias não param de surgir, tive de abandonar uma iniciativa, ou colocá-la no congelador para dar espaço a outra que acabava de surgir. Mas o Reboco sempre esteve na lista das prioridades. Tinha de arrumar um buraco no espaço-tempo para dar um jeito e fazer acontecer.

Pensei em fazer uma compilação, uma edição especial, uma pequena mostra do que rolou nestes 16 anos. A única coisa que teria de inédito seria a nova entrevista com o entrevistado da primeira edição, o parceiro de várias aventuras na produção cultural, um cara chamado Diego El Khouri.

Na época desta primeira entrevista, estávamos acabando de nos conhecer e nem imaginávamos que dividiríamos a criação de iniciativas poderosas, como a Editora Merda na Mão, o Noise Experimental Performático Poético do War Brain, O Filósofo da Maconha, entre outras que rolaram ou estão para rolar.
Comentei sobre isso com Diego, e este perguntou se faria um formato especial e sobre o número de páginas.

Expliquei que a grana estava curta, as cópias e o correio caros... Enfim... Estávamos falando de uma publicação independente, sem anunciantes, de circulação gratuita e sem financiamento, apoiadores fixos ou agraciada por editais.
Então, o jeito seria fazer no formato que tem saído nos últimos tempos mesmo, sem muita firula.

Ele argumentou que o Reboco merecia uma edição especial maior, devido à sua importância como painel da produção underground e também para o número especial conseguir mostrar mais do que rolou durante todo este tempo.

Até concordei com ele, mas o problema persistia: de onde tirar o dinheiro se, para minha sobrevivência, já estava apertado?
Lançar no formato que tinha pensado já seria um ato de resistência diante da minha situação financeira.

Então ele sugeriu fazermos uma campanha utilizando os canais da editora. Mesmo não estando mais à frente da editora com este grande parceiro, fazia sentido, já que o Reboco Caído saiu um bom tempo pela Merda na Mão, durante todo o tempo em que estive na empreitada com Diego dando forma à EMNM, e a Editora tem entre suas funções apoiar produtores e iniciativas independentes.
Acertamos que a campanha aconteceria até o dia 20 de setembro, quando veríamos o que entrou e eu poderia ter tempo de organizar o próximo lançamento de acordo com o valor em mãos.

Me pareceu uma ótima sugestão, ainda mais sendo algo que já havia sido feito antes e tinha dado excelentes resultados graças aos entusiastas da iniciativa.
Para dar o pontapé inicial, combinamos que eu faria este pequeno texto.

Então, aqui estou, saculejando no trem lotado, enquanto digito estas linhas.

Fabio da Silva Barbosa
Direto das trincheiras infernais cotidianas


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