Esta fotografia foi feita quando eu tinha sete anos de idade. Tenho poemas, contos e desenhos guardados desde os seis anos. Aos oito, escrevi um livro com mais de cem páginas, uma das obras mais complexas que já produzi — e que foi motivo de vergonha para minha família. Todos os finais de semana, recebia ameaças de apanhar por escrever um livro naquela idade. Ainda bem que sempre tive o apoio da minha mãe, a também artista Sumaia El Khouri .
Naquele livro, eu abordava corrupção, suicídio, vício pelo poder, disputas por dinheiro e autoconhecimento, misturando a linguagem coloquial a construções mais cultas para explorar as contradições humanas. Uma obra escrita na infância, sobre a qual pretendo escrever um texto em breve.
Hoje, no Dia das Crianças, esta imagem me reconecta a uma história que começou muito antes das exposições, dos livros publicados e dos projetos profissionais. Uma relação com a arte que atravessa minha existência e nunca deixou de produzir inquietações. Tentaram calar minha arte diversas vezes, mas minha atitude e resiliência me trouxeram até aqui.
Minha relação com a arte é de total obsessão.
A arte sempre em combustão.
Diego El Khouri — outsider da galáxia de parnaso, ocupando o tempo e o espaço e cuspindo no status quo.
Arte inflamando as insurgências.


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