domingo, 16 de outubro de 2011

NO TRÂNSITO DA VIDA

(Por Diego El Khouri)


Não há limitações na poesia
mesmo que a vida se sinta coagida.
Ontem eu acordei
e não havia dia.
E dentro dessa torpe melancolia
furtei de deus
toda sua agonia.
(Sou ventre que se sente
perdido num aborto sujo
cheio de vísceras,
assim é a luz do dia).

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ENTENDO A "ESTRANHEZA"



É preciso que as pessoas educadas
vivam junto aos mais pobres, é
preciso ensinar aos oprimidos
a não colaborarem com os
opressores - Mohandas Gandhi
(Por Eduardo Marinho)


Vi serem divididas comigo, quando andei no nível da mendicância, refeições paupérrimas. Fui abrigado no cantinho do casebre, dormi em capim fresco improvisado, sobre o chão batido. Ou pendurado nos caibros, em redes. Sob o teto precário de ruínas, casas abandonadas, construções, compartilhei comidas preparadas em latas quadradas de óleo, em fogueiras improvisadas. Em cidades, nos acostamentos e postos nas estradas. Fui hospedado em palafitas onde se ouve o barulho da merda batendo na água, quando se usa a “casinha”. Vi a parte abandonada dessa nossa humanidade, a parte enxotada dos benefícios da sociedade, escorraçada, roubada e ainda perseguida. E vi brotar na lama fétida, sobre a qual se construiu a estrutura social, o lírio lindo e perfumado da solidariedade, da generosidade, do altruísmo inacreditável que as dores implacáveis despertam. Eu não estava ali sofrendo por mim. Por mim, eu estava aprendendo avidamente, observando as vivências, ainda sem entender, mas sentindo, profundamente, o que nunca havia sentido. Sentindo o sentimento das pessoas, o sentimento dos lugares, o sentimento do mundo e da humanidade à qual pertenço. Absorvia os códigos, os valores, as fragilidades, os saberes e as sabedorias. Aprendi a admirar o heroísmo dos desprezados, aprendi a distingüir seu caráter, a individualizá-los. Reconheci enormes riquezas sob a capa da miséria. Sofri com as injustiças que nem os próprios miseráveis percebiam, embora as sofressem – e aprendi que era melhor esconder meu sofrimento. Os irmãos sacaneados são acusados por sua própria desgraça. As causas se esfumaçam no ar, com o controle do ensino e das comunicações, com o trabalho competente de publicitários, artistas, jornalistas, entre tantas profissões utilizadas contra a maioria, os povos, em favor de poucos.

Deve ser por isso que me causa tanto desconforto o uso, a presença, a proximidade ou a simples visão do luxo, da ostentação, de privilégios. Áreas privadas, seguranças, nobrezas, refinamentos, sofisticações, tudo passou a me parecer uma pantomima ridícula, primitiva, disfarces esfarrapados da nossa desumanidade, da indiferença que somos capazes, em nossa sede de privilégios e superioridades que denunciam a real inferioridade de espírito. Eu disse que me causa incômodo, não raiva. Meus sentimentos têm origem nas situações, não nas pessoas. Essas me causam uma certa tristeza, por inconscientes, por infantis, por superficiais, por iludidas.

Meu desconforto é moral, humano, pela ligação do luxo à miséria, pela inevitável relação do privilégio com a carência. Um sentimento que não se transfere às pessoas, mas às mentalidades, que não procura culpa, mas responsabilidades, nesta sociedade de miséria material e moral. Não é à toa a falta de sentido na vida da esmagadora maioria. Só os mais grosseiros podem se satisfazer com a abastança, com o usufruto, com o consumo. A insatisfação é clara.

Não espero encontrar meus sentimentos, pensamentos e opiniões em outras pessoas – embora, de raro em raro, aconteça. Se me desse ao trabalho e à arrogância de condenar valores e comportamentos dos quais discordo, viveria em conflitos pessoais, alimentaria sentimentos nocivos e desagradáveis e não teria tempo, nem espírito, para fazer os trabalhos que gosto e dão sentido à minha vida.

Não posso recomendar, nem pretendo voltar às situações de miséria material – onde, na verdade, nunca me senti, apesar dos anos e anos nestas situações. Mas não consigo ver valor no luxo, no excesso material, na ostentação e no desperdício. A ligação do valor material ao valor pessoal é de um primitivismo constrangedor. Expressões de insensibilidade, de sub-humanidade.

Fui considerado um cara estranho, incômodo ou simplesmente um chato, principalmente dos 15 aos 19 anos, no meio social de classe média-alta, onde nasci e vivi. Muitas vezes pensei que eu deveria ter alguma coisa errada, por ter vergonha do que os demais ostentavam com orgulho. Por questionar sentimentos de superioridade e tratamentos grosseiros contra serviçais e pobres em geral. Eu causava estranheza e me sentia estranho. Hoje, posso entender tranqüilamente e me dar razão, na minha pouca idade, com a vivência que hoje completa o 50º ano desse curso de vida. Entendo e me congratulo comigo mesmo quando, aos 19, depois de ter sido militar, bancário, estudante, mergulhador, vendedor, entre outras coisas, decidi “dedicar minha vida a refletir e causar reflexão, questionar valores vigentes e desenvolver meus próprios valores”, numa sociedade em que se fabricam, se impõem e se repetem pensamentos de laboratórios, para que ela seja como é. E saí pelo mundo, para experimentar o que era não ter nada e procurar o sentido de uma vida que, até então, não me parecia ter nenhum sentido. Mochila murcha nas costas, sem dinheiro nem paradeiro, sem parentes além da humanidade inteira.



Niterói, 26 de dezembro de 2010                                                                                  

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

REVOLUCIONÁRIA VOLTAGEM MARXISTA III



(Diego EL Khouri)



(A Kelly Cristina Gonçalves)


Costurado em seus olhos
eu permaneço quieto e sereno
beijando a madrugada
e engolindo todo veneno.

Na revolução marxista
nas noites e nos dias
suas mãos em guerra inspiram
perfumes cheio de brilho.

Uma boca desnuda em febre
olhos quase fechados
resvalando por cima cabelos de fogo
atravessando o bucolismo e a  ilusão
na calda do sossego-desassossego.

Como se eu sugasse todo seu amor
a boca sente-se pressionada
alheia a luta de classes.
Não há mais nada que essa boca
no meio do turbilhão dos crimes,
aqueles nunca retratados.

Há apenas a sua boca
sussurrando palavras de desordem
apenas seus olhos gritando à ordem
que caminhe contrária a Morte
de quem luta e nunca sofre.

Essa boca sim, bela e sedosa,
cuspindo guerras e misticismo.
Essa boca é a beleza pura
um reino onde não há cinismo
quero me perder nessa região
e ser pra ti mais que amigo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

EU: VERBO TRANSGRESSIVO OBSESSIVO INTRANSIGENTE

(Por Diego EL Khouri)

Como um pássaro
sobrevoou pastos e cidades
prédios  fábricas
catando a última flor
na lama encontrada.

Nesse meio tempo
entre a dor e a saudade
encontrei todo meu passado

e foi no seu corpo de fada
na sua boca molhada
que beijei meu lado errado.

Como um pássaro
que sobrevoa a cidade
com penas de soldado
roubo a realidade
numa ânsia embriagada
de ser o próprio pecado.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

TEM QUE SER ASSIM?

(Por Diego El Khouri)


Encurralado
sou obrigado
a me sentir enjaulado,
As jaulas me aquecem
sondam meus versos
 me esquece na prece
dos junkies sem nexo.
Aqui entre paredes brancas
com toques de vermelho escarlate
vou me entregando a cidade
numa dor imaculada.
Amo meu chão, minha terra,
os pássaros do cerrado
e as músicas belas,
mas a mente filosófica
(ventre da criação que me abriga)
me expulsa do que quero,
de onde quero...
Vou pro Rio de Janeiro
fugir dessa nuvem pesada
onde me esquartejo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

VERSOS DO POETA STEIN HAEGER

http://almaencarnada.blogspot.com/

 

ENTERRADO EM TI, ESTAREI EM BREVE

 



enterrado em ti estarei em breve,
Já sei que é inevitável,
pois meu cacete já clama
pela chama do teu interior.
e quando chegar a hora,
e esta dureza de rocha te invadir,
há de sentir que a tocha de fogo foi ativada,
ligando assim teu motor,
Que em violentos tremores,
receberá meus açoites...
invadindo os teus buracos.

NESTE BURACO MALVADO (TEU PRAZER E MEU PRAZER)

Espero o dia sonhado,
no qual terei o prazer
de penetrar em você
neste bumbum empinado
com este buraco malvado
mordendo a feróz estaca
e a grande bunda me ataca
num rebolado vulgar
de tanto em seu cú entrar
vou acordar de ressaca

  VOU  TE PENETRAR COM MAESTRIA

Você o envolve com a boca, sugando-o, puxando a pele pra traz,
seus lábios percorrem da cabeça até a base no meu ventre.
O meu saco dói de tesão, com suas bolas recheadas, devido a carícia.
Enquanto bulino sua boceta, com os dedos e depois com a lingua.
Sugar seus fluidos, fazer você gemere chorar de tanto prazer me atrai.
Vou lhe pôr de bruços e brincar na sua enorme bunda, acariciar as nádegas firmes,
que parecem escaldar, meus dedos traçam sulcos de prazer neste corpo
que se oferece em entrega total e enlouquecedora,
e estou quase com raiva a morder a carne desejada.
Vou brincar com pau no seu rego, deslizando-o em seu vulcão,
melecá-lo em sua xana, no suco que escorre das entranhas,
Depois espetá-lo no seu cú delicioso, que o engulirar, sugando.
Vou te Penetrar com maestria cadenciada, entrando e saindo com força!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

MARCOS ALVES LOPES - O CACHORRO MALDITO

(Por Diego El Khouri)

Marcos Alves Lopes, o "Cachorro Maldito". Dono de uma fala tranquila porém ácida, esse poeta polêmico perambula pela grande Goiania lendo seus versos e divulgando sua arte sem nenhum tipo de receio. Seu primeiro livro,o " Gozo desmedido", está pra sair. Poderia fazer um ensaio sobre sua obra, mas ninguém é melhor do que ele mesmo para falar de sua poesia. Diz aí Marcos, solta o verbo:

No campo da poesia o que podemos destacar de Marcos Alves Lopes?
Que até agora houve muito gozo através da escrita. Alguns insistem em chamar esse gozo desmedido de poesia, outros preferem chamar de coisa qualquer, exceto poesia. Quanto ao destaque no campo poético, não tenho muito a contribuir, uma vez que a poesia é um efeito causado em mim mesmo, e, por simbiose(ou não!), nos leitores. Portanto, quem melhor pode dizer das contribuições de Marcos Alves Lopes são os próprios leitores, que estão sempre acompanhando as constantes oscilações da escrita. O que é possível dizer é que nessa escrita desmedida há um apreço grande pelades/forma; desforra a toda estagnação poética (se isso destaca, destaque isso).

Sua poesia despertou quando você passava um problema sério de saúde. Conte-nos essa experiência.
Na verdade, a poesia não começou depois de um problema de saúde, ao contrário, a úlcera duodenal serviu como material poético, assim como o sequestro sofrido aos quatorze anos. Associo a úlcera à composição artística, pois fiz da dor, esse vulcão escondido internamente, suporte à criação. Na concepção do poetador, o desprazer e o prazer estão na mesma carne da moela -  a criança sofre com a mesma intensidade que sorri. Nós, adultos, entretanto, vivemos submetidos à ideia de bem-estar e nem sequer podemos reservar alguns segundinhos de vida ao sofrimento. Não há dúvidas que são os ditames morais que nos aprisionam em formas que não se sustentam nem no mais tolo mortal. A úlcera aberta representou um objeto de gozo, o que possibilitou a criação artística - não é à toa que há vários poemas com essa temática. Nessas circunstâncias foi cunhado o termo “poetador”, isto é, o gozo a partir do desprazer. A poesia da dor talvez seja a face mais sublime da angústia! Não se trata de uma queixa, mas uma construção nova a partir do objeto “dor”,e que só pode se dar via linguagem. Assim, tanto o sequestro quanto a úlcera aberta formam um rico arsenal ao poeta, um rico arsenal que traz como estandarte a linguagem.

Um tema recorrente aparece em sua poesia, a merda. E, na sua arte,  ela se apresenta de duas formas. A merda maiúscula e a minúscula. Defina-nos essa diferença.
Há merda e MERDA. Diria que a melhor definição para essa merda toda está nos poemas criados. Vai ser lançado em outubro de 2011 um livreto, pelo projeto Letra Livre, chamado “Um atentado, quem sabe”. Nesse livreto (de vinte poemas), recrio as possibilidades de um atentado através do resto, isto é, da MERDA. Os restos de cada sujeito seriam uma maneira de reinvenção! Não sei conceituar com precisão a “merda”, embora ela sempre esteja presente. Todavia, prefiro ver no bagaço da laranja arremessado contra a parede esse resto que nos resta. Afinal, como diz Marcos Alves Lopes: “Do caos, só a MERDA restou!”.
Você acha possível viver só de arte?
É possível viver dos restos? No bagaço caído pode haver bem mais caldo do que na laranja virgem deixada no fruteiro. Ah, as virgens são tão desinteressantes!

Muito novo, você já era professor e inclusive enfrentou manifestações, greves etc. Você, que está inserido no meio da educação de uma forma ou de outra, como vê o ensino no país?

O apreço pelo resto é uma viagem sem volta! O poetador passa por situações muito parecidas com a do professor. Isso porque ambos estão em contato com os restos sociais. Essa talvez seja a sacada da metáfora da “merda”, já que todos fazem da merda algo a ser escondido. A educação não foge disso! Os exames (prova imbecil, melhor, prova Brasil) estão aí para maquiar os dados, talvez por isso haja preparatório para esses testes. Ser professor é enfrentar todos aqueles que tentam esconder o caos da educação; é acordar cansado e dormir morto, e mesmo assim procurar uma maneira de gozar! Uma pergunta possível seria: é possível viver da docência? Fazer greves, participar de manifestações é praticamente um dever a quem percebeu que mesmo diante do maior caos, a MERDA restará.


Você costuma dizer que dentro da escala evolutiva você é um cachorro. Por quê?
Os cães são mais interessantes que os mor(t)ais (entendam humanos). Isso porque os cães não escondem os instintos animalescos que os governam. Os seres ditos humanos criaram uma redoma e a chamaram de “humana”. A partir daí, as religiões, a família, o Estado, fizeram questão de fincar o estandarte da falta de tesão, crivando o ser por águas do “humano”. Mas há os imortais ou imorais (imor(t)ais) que, apesar do corpo humano, vivem sem camuflar o desejo. Os cães em forma de gente!...

Quase todo mês você promove um sarau de poesias na casa do escritor marxista Ney Gonçalves, na cidadechamada Santo Antônio de Goiás, um pequeno interior. Aideia é difundir a arte nas pequenas cidades ou simplesmente fugir um pouco da capital?

A ideia principal é reviver o tempo do útero canino. Ir a Santo Antônio de Goiás é encontrar com diversos cães que habitaram o recinto perdido. Contudo, fazer caridade é um tanto perigoso, então, esse papo de levar bobos ao sarau satisfaz somente aos cristãos. Vai quem tem sede de poesia! O convite é aberto e gratuito, mas puxar pelas mãos de quem há muito já as perdeu, soa como ironia humana.

Você fala sobre"o pau interior que a mulher tem dentro de si". Umas tem um enorme falo interno, outras, um pequeno. Explique-nos melhor essa teoria polêmica.

Para começar, não existe a mulher. O que há é a-mulher, e pronto! Cada uma possui uma forma distinta de compreender a existência, assim, seria estranho dizer “a mulher”. No lugar de usar o artigo definido “a”, prefiro fazer desse “a” um prefixo de negação. Mulher ou homem é uma questão de linguagem, uma questão de identificação que vem desde os primeiros anos de vida. Dessa forma, ninguém nasce homem ou mulher! Mas, sendo mais objetivo: entendo que cada mulher tem um poder intrínseco a ela. Quando é dito de um “falo interno”, digo sobre a possibilidade de cada uma ser uma nova mulher (esse poder intrínseco não é aleatório, ao contrário, é uma herança cultural que várias mulheres herdaram). A biologia corrobora com essa metáfora do falo interno, uma vez que as mulheres não possuem um canal vaginal do mesmo tamanho, assim como um homem se difere de outro, fisicamente, pelo tamanho do pé, das mãos, do falo. Penso que “Falo” seja uma palavra apropriada para dizer do poder da mulher, já que “falo” está diretamente ligado à linguagem, à fala. O maior poder de dominação feminina está na colonização via fala. Assim, muitas mulheres exercem o poder controlando o dizer do homem e da mulher (a força do homem pode ser a linguagem da mulher!). Indago: por que dizer “falo” incomoda tanto?

O que você diz das mulheres, principalmente as feministas da “turma da esquerda”, o chamarem de extremamente machista, tendo como base sua poesia?

M. Lopes costuma gozar desmedidamente dessa “turma de esquerda”. Antes de tudo, a esquerda é muito interessante, muito!Vou além: a esquerda de fato não me lê como problema; marxistas e anarquistas compreendem o que digo geralmente. Melhor, a esquerda que luta por uma sociedade sem Estado, que não faz parte de religião ou partidos políticos, geralmente compreende meus escritos. Entretanto, essa “turma de esquerda” que costuma me pintar de machista ou reacionário são pessoas (a maioria) integrantes de partidos de direita, como o PT,PCdo B  ou outras porcarias por aí, até mesmo porque no Brasil não há partidos de esquerda. Desprezo esses que veem nas eleições a saída cristã para as almas escarnecedoras. Ainda, essa turma partidária criticou bastante o politicamente correto, entretanto, foi criado o próprio arcabouço do policialmente esquerdo. É extremamente perigoso esse controle exacerbado da linguagem: dizer “pau” é considerado um discurso machista! Ah, poeta aprisionado ao discurso de casta? A turminha da salvação (inclua todos os partidos e religiões possíveis) cria novos vocabulários para o policialmente correto e, o pior, é que geralmente os poetas são policiados.  

No sarau de poesias ocorrido na Revirada Cultural, nesse ano (2011), em Goiânia,a poetisa Anna Alchuffi leu um texto de sua autoria chamado “Goiano pau no cu”, que causou diversas reações, como um tapa no rosto da moça e processo na justiça. O que achou dessa reação e qual sua opinião sobre o assunto?
Interessante! O que sai da monotonia é escasso, e traz reflexão! O fato de alguém ser agredido por um texto qualquer é algo a se pensar. Alguém que conhece o teor do que está escrito ir à frente e ler o texto (mesmo sabendo que estava em frente a um bar) também é interessante. Anna foi completamente corajosa de ler esse texto num espaço repleto de goianos. Agora, um fator interessante nessa coisa toda é que quem bateu nela não era goiano e, sim, paulista. Ou seja, o goiano continuou como diz o texto: [...]boa parte dos goianos estrutura os próprios argumentos pelas metades, todavia, não o faz perante público; estão sempre a analisar o discurso alheio (melhor, fofocando sobre o outro), jamais propagam livremente o que querem dizer. É por isso que normalmente comparece essa fala-de-canto, repleta de sorrisos tortos, deboches, chistes etc. Uma linguagem pau no cu! [...]
Esse texto foi muito mal interpretado. Primeiramente, quiseram acusar o autor de não ser goiano. Quanto a esse argumento é triste dizer que a condição pau no cu não está somente nos goianos, não! Definitivamente, nossa composição cultural nos impeliu a essa condição frustrante. Mineiros, goianos, cariocas etc. possuem menor ou maior possibilidade de ser pau no cu, mas dificilmente fogem dessa realidade. Melhor seria se lessem o texto e tirassem as próprias conclusões: http://marcosalveslopes.blogspot.com/2011/08/pau-no-cu-goiano.html


O poema “Pai Nosso”, que sempre abre os saraus de poesia no Centro Cultural Goiana Ouro e que virou símbolo do selo independente Letra Livre, foi parar nos ônibus. Um sarau promovido pelo produtor cultural Kaio Bruno dentro do eixão. Qual a reação dos passageiros  ao ouvirem  o poema, levando em conta que o ônibus é um dos lugares mais cristãos da sociedade?
Pai nosso que estais terra
Profanado seja vosso nome
vem a nós, nosso reino
Seja feita nossa vontade
Na terra ou em qualquer lugar

Os desejos de volúpia nos dai hoje
Perdoai nossas crenças
Assim como fingimos acreditar em vós
Deixai-nos em plena tentação
Mas tirai-nos da mente a tola ideia do inferno
Amém

Enquanto houver a insistência fanática do cristianismo, haverá o Pai Nosso! É difícil falar sério de poesia com alguém que quer salvar o outro...  Salvação é o dejeto de cada um, ou seja, é deixar a condição canina comparecer sem medo. Desde quando comecei a participar do sarau Letra Livre, organizado pelo amigo Kaio Bruno, venho insistindo em dar uma conotação pagã ao evento, talvez assim, outros se sintam mais acolhidos naquele lugar. Declamar o “pai nosso” no ônibus mais lotado de Goiânia (Eixo Anhanguera) é possibilitar uma reflexão sobre o assunto pouco mencionado, religião. O que muito incomoda é dizerem que “religião e futebol não se discutem!”. Mera tolice de mor(t)ais! A recepção dos passageiros foi surpreendente, apesar das caras e falas tortas, somente uma senhora quis me bater até hoje. Todos conseguiram me ouvir! O que deve ser interessante é a produção estabelecida a partir dali... Como deve ser o processo depois que o grupo sai do ônibus.

Devido o advento da internet você chegou afazerpoemas em parceria com escritores de fora, como a poetisa Cacau Cruz. A Interneté sim a grande revolução desse século? O livro impresso deixará de existir?

Nesse momento pós-pau duro, tem lugar para tudo, até para o livro. 
As parcerias com pessoas de outros estados são importantes, pois possibilitam a onipresença do poeta. Além disso, várias novas ciências de bar são introduzidas ao fazer poético a partir dessas conversas com Cacau Cruz, Alexandre Mendes etc.

Você é um libertino ou a sociedade que se tornou muito moralista?

Pergunta redundante!

Seu livro de cabeceira.
Gozo desmedido.

A visão que tem de Deus.

É melhor rezar o Pai nosso!

O amor:
Amor de um é a masturbação de vários!
.
O tesão:
Vem sempre subsequente
não se satisfaz completamente
ou
Bole
bole
que bolina
a mais santa das meninas

Pra encerrar, fale-nos sobre seu primeiro livro, o “Gozo desmedido” e de seus novos projetos.

É preciso ler o livro e, quem sabe, gozar desmedidamente! Quanto aos projetos, há parcerias boas com alguns poetas, além disso, a participação do projeto “Literatura no Eixo” vem propiciando uma nova forma de ouvir as demandas dos sujeitos contemporâneos. Estar nesses projetos é aproximar Marcos Alves Lopes de mim.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NOVA ENTREVISTA

Fui entrevistado pelo Paulo Resende para um site do Rio de Janeiro chamado CROWD.NET.BR que  é um site de conteúdo relacionado a ações coletivas de toda natureza. Aí está o link:


http://crowd.net.br/?p=122