Pra uns sou um louco. Pra outros genial. Nenhuma medida define a existência. Os pés balançam no vento. O olhar repousa na madrugada. Grito o nome sorrateiro da esperança e sinto, vil que sou, o talento se perder por entre a neblina cinza que pulveriza os sentidos. O talento se evapora e se transforma. O poeta é sempre o criminoso. Outsider vagabundo. Diego El Khouri ainda caminha na areia só "sem lenço e sem documento " no século sinistro que se apresenta.
sábado, 20 de abril de 2019
quinta-feira, 18 de abril de 2019
POR: DÉBORA LEÃO
Uma hora negativa a mais,
um passo em direção ao abismo,
um sonho sonhado somente,
um plano traçado,
o coração apertado.
Sempre me pego com cenhos franzidos,
a mão sobre os lábios contraídos,
com ar perturbado,
preocupado,
vazio.
Mil possibilidades pensadas mas nenhuma ação.
E estou impressionada com o quanto minha escrita está rasa.
Mas essa deve ser uma das consequências de ser normal.
Ser raso. Superficial. De sorriso maquinal.
A falta da emoção exacerbada, do romantismo escancarado,
do carnal sucumbido...
Do nó no peito, no coração, na mão fria e trêmula,
do rosto corado, dos lábios desejosos,
do olhar que fura a alma, do silêncio mórbido aconchegante,
O riso fácil, alto, escancarado, frenético, tenso,
com olhos esbugalhados à procura de aprovação,
frases soltas redundantes recortadas de frases vazias,
opiniões severas, partidos bem tomados,
definições bem dadas,
rótulos estrategicamente impostos;
Não posso eu somente ser somente brisa
que passa despercebida
acariciando pedras, água e pêlos?
um passo em direção ao abismo,
um sonho sonhado somente,
um plano traçado,
o coração apertado.
Sempre me pego com cenhos franzidos,
a mão sobre os lábios contraídos,
com ar perturbado,
preocupado,
vazio.
Mil possibilidades pensadas mas nenhuma ação.
E estou impressionada com o quanto minha escrita está rasa.
Mas essa deve ser uma das consequências de ser normal.
Ser raso. Superficial. De sorriso maquinal.
A falta da emoção exacerbada, do romantismo escancarado,
do carnal sucumbido...
Do nó no peito, no coração, na mão fria e trêmula,
do rosto corado, dos lábios desejosos,
do olhar que fura a alma, do silêncio mórbido aconchegante,
O riso fácil, alto, escancarado, frenético, tenso,
com olhos esbugalhados à procura de aprovação,
frases soltas redundantes recortadas de frases vazias,
opiniões severas, partidos bem tomados,
definições bem dadas,
rótulos estrategicamente impostos;
Não posso eu somente ser somente brisa
que passa despercebida
acariciando pedras, água e pêlos?
(31, Maio, 2017)
quarta-feira, 17 de abril de 2019
GUIMBA E A CONSCIÊNCIA SOCIAL
Por Fabio da Silva Barbosa
Nada surge do nada. As coisas, fatos e fatores possuem toda sua história. O menino rouba, mas ele não nasceu naquele momento, roubando. Ele trabalhava duro como cobrador da combi que fazia a subida do morro. Chegava na porta de casa exausto e tinha de esperar sua mãe acabar de se “divertir” com algum bêbado que havia arrastado do forró. Sentava e ficava esperando ao lado da porta aquilo que poderia durar a noite toda. Muitas vezes, quando conseguia entrar no barraco de um cômodo, via o pouco dinheiro que tinha conseguido ser tomado por ela. Codinome: Cangaceira. Ambos possuíam muitas cicatrizes pelo corpo e pela alma. O frio batia forte até a porta abrir. Via as pernas bêbadas passarem ao seu lado e entrava de cabeça baixa. A panela vazia. Não existia banheiro ou janela. Se acomodava sobre os trapos em um canto, dividindo o espaço com a cadela que tinha como única amiga. O nome dela era magrela. Nem ele, nem Magrela, gostavam do cheiro de pedra quando a mãe tava fumando. O barraco ficava impregnado. Agora era linchado por uma multidão que o culpava por não ter consciência social. Morreu sem saber o que isso significava
Nada surge do nada. Tudo tem um início, um meio e um fim.
domingo, 14 de abril de 2019
FAÇA POESIA MENINA DAS COISAS INSIGNIFICANTES -
Por: Clécia Sant'Ana
O que diria para a minha menina se acaso pudesse ter um encontro da física quântica possível, da máquina do tempo onde eu fosse a mulher do meu futuro, ou tivesse o colar Vira Tempus, ou mesma fosse portadora da cabaça dos segredos enviada pelas três irmãs pássaras as quais não se pode falar o nome.
Brincaria comigo no parque, na “roda dos desvalidos”, onde muitas mães “abandonavam” suas crianças, eu também via como a roda gira-gira carrossel, diria; roda criança, brinque descomunalmente, não tenha pressa, seja ligeireza infante na doce lentidão da tarde, seja um jabuti que na curteza dos passos corre léguas tiranas.
Suba na gangorra e dê o mais alto gargalhar nas alturas, com uma mistura de medo e fantasia, de descobrir o céu no impulso dos ares e de aterrizar seus pequenos pés paralelos ao equilíbrio de segurar seu peso na gangorra, e de fazer leve deboche em segurar o colega por mais tempo no ar ao outro extremo dos sorrisos de liberdade.
Se banhe na água da bica, seja e viva o fundo do quintal, conte formigas, faça bolinhos de barro, caminhe sobre o muro sendo bem clandestina aos olhos de sua mãe. Construa casinhas de lençol e também de palhoça, monte boizinhos de maxixe, de manga e faça também a boneca de milho sua boneca.
Seja leveza menina, não queira crescer tão rápido, viva pausadamente, tome bastante chá de capim cidreira, menta e hortelã. Acalme-se deitada na galha da goiabeira, no equilíbrio das folhas e das ambivalências, seja você uma passarinha, cante e cante e cante, assovie, assopre notas musicais que te façam coruja, ou uma paloma branca de olhos vermelhos ou uma canarinha. Seja alegre menina … pouso poesia no ombro, se banhe no sol e chuva casamento da viúva, se banhe com chuva e sol casamento do girassol. Faça flautas de talo de mamoeiro, roube o sabão em pó de sua vó, e seja bolhas gigantes cristalinas com reflexos de arco-íris. Voe dentro da bolha e chegue até as nuvens. Olhe pro céu e procure satélites e saiba diferenciar as estrelas, seja constelação, sinta-se e seja uma das três marias reluzentes na ponta do rabo do escorpião, se oriente pela constelação do cruzeiro do sul, seja um barco a vela na imensidão do azul escuro da noite e também do azul claro do dia.
Seja uma das marinheiras na carroça do padeiro que:
- compra pão sem dinheiro numa perna só e o outro rabicó…
- o quê que você veio fazer na nossa linda terra de ouro?
- muitas coisas!
- faça um pouquinho nóis vê?!
- Com grande prazer!
Se eu pudesse ter um encontro do acaso...eu não diria nada disso pra minha alegre menina, pois ela viveu e foi muito menina na sua meninice, aproveitou cada verbo no infinitivo, foi desbravadora de cupinzeiros, e subia no topo e como Indalécia gritou a terra cantada de seus pastos cheios de palmeiras de babaçu e árvores de baru, aproveitou cada palavra nova, cada caligrafia, cada história ouvida e contada, cada passo de dança ensinado/aprendido, cada música ouvida. Viu o algodão ser cardado, viu a linha na roca, viu a linha no novelo, viu a linha no tear, fez crochê, teceu tapetinhos de tiras, ajudou a vó limpar tripa de porco e ajudou a fazer linguiça, ajudou a fazer geleia de mocotó, ajudou a bater roupa no batedor de madeira, ajudou a virar a terra com a enxada e fazer covas rasas para plantar batata-doce, amendoim, milho e mandioca.
Em 1989 foi acordada de madrugada pelo pai, que a fez ver o cometa Halley … e o pai dizia que só daqui 100 anos ele viria novamente. O que na verdade descobriu que passaria novamente aproximadamente de 74 a 79 anos.
A alegre menina já dizia no olhar de suas alegrias, e era cajuzinho do cerrado colhido bem no alto, era araticum de casca grossa parecendo pedra desabrochando e um gosto forte onde só os fortes de sensações e emoções se apegavam ao sabor, a textura quase arenosa no paladar que envolvia mistérios de profundidades e sutilezas do caroço marrom, polpa boa de fazer picolé. Era ela Araçá Una de olhos arregalados, grandes também e negros como jaboticaba. Era ela pele de jambo, perfume de flor roxinha de lobeira. Tinha às vezes hálito de jatobá pregado no céu da boca. Ela também havia descoberto que a boca também tinha céu.
O que dizer a mim mesma no encontro, no inusitado tempo do existir menina alegre que fui?
Eu pediria conselhos para a alegre menina e eu menina diria a mim mesma, menina-mulher, seja alegre menina, seja leve menina, seja sincera contigo menina, “levante-se da mesa quando o amor não estiver mais servido”, ame-se em grandes colheradas do seu doce prazer, saiba que quando estiver necessitada sempre haverá uma mão estendida pois você é amada, e na alegria terás braços porque és admirada. Treine sua paciência que você aprendeu com os calangos e lagartixas, seja aranha tecendo sua teia, domine sua ansiedade, seja amiga do TEMPO, sente-se com ele na beira da estrada, ou num tronco de árvore caída, teça sua teia menina com o novelo transparente do fio da vida, dê o braço a torcer principalmente no amor, não queira ser só razão, aja também pela emoção, não tem pecado, não existe pecado, isso tudo é inventado, seja guardiã de sua caverna e não esqueça sua criança la dentro, caminhe de mãos dadas com ela por todos os matos, montanhas e cantos, desça ladeiras dentro do tambor, estude os estudos formais, e os estudos das coisas inventadas, saiba ouvir e falar, partilhe seus sentimentos, aprenda que segurança é um estado de espírito, seja um espírito seguro de si. Para conseguir o que quer terá que dar o primeiro passo, deixe de ser medrosa menina-mulher. Use sua força para sempre conquistar e nunca para agredir. Seja a recompensa do não julgamento para assim não ser julgada também. Assuma a responsabilidade pela sua vida, lembra que você aprendeu com a formiga. E lembre-se que cantar você aprendeu com la Mercedes como la cigarra em serenata para la tierra de uno…tantas veces me mataron, tantas veces me morí, sin embargo estoy aqui resucitando. Gracias doy a la desgracia y a la mano com puñal/Porque me mató tan mal y segui cantando/Cantando al sol como la cigarra/Después de un año bajo la tierra/Igual que sobreviviente que vuelve de la guerra/Tantas veces me barraron/Tantas desapareci/A mi próprio entierro fui sola y llorando/Hice un nudo del pañuelo pero me olvidé despúes/Que no era la única vez/Y segui cantando/...Tantas veces te mataron/ Tantas resucitarás/Cuántas noches pasarás desesperando/Y a la hora del naufragio y a la de la oscuridad/Alguien te rescatará/Para ir cantando/Cantando al sol como la cigarra/ Después de un anõ bajo la tierra/Igual que sobrevivente/ Que vuelve de la guerra...
Saiba que você é o que come, o que acredita é sua alma, seja escandalosa como o sol, sua vida é o que fazerá dela, não alimente a dor, amor não é dor, sua mente é o que pensas, lembre-se que tudo tem reparos. Seja água correndo na serra…
Como te explico?!!!
Seja mar atlântica, mundana, santa, um montão de coisas! Seja pão que alimenta a fome. Quando se sentir sozinha chore e coloque tudo pra fora como a primavera, abra fendas para o nascimento de coisas novas, jogue o que te machuca fora. Não vais querer que algo morra por dentro. E o mais importante...fale olhando nos olhos, deixe as palavras pertubarem os sentidos das coisas normais, para que elas não sejam tão normais. Saiba que o conhecimento está no apalpar, no pegar, no tocar, está no ouvir para além dos sentidos. Saiba que tudo muda, e que podes encostar na tarde como se ela fosse um barranco. Viva não só das palavras, mas também dos olhos...eles também falam, mais que a boca. Ah e também as mãos...essas sussurram poeminhas de acalanto.
Fale de esperanças, fale de viagens e andanças, fale de portas abertas, fale de alcances, de coisas que te aliviem um pouco mais. Fale de lutas e nunca de esmorecer. Faça uma orquestra de grilos, e saiba que a vida é uma canção que carrega a lua no bolso. Fale de pequeninas coisas, finja não conhecer o que você já sabe, faça poesia das coisas insignificantes.
___________
* Clécia Sant'Ana é atriz, poetisa e cantora
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* Clécia Sant'Ana é atriz, poetisa e cantora
quinta-feira, 11 de abril de 2019
POR: EDU PLANCHÊZ
hoje conversando com diego el khouri, eu na jacarepaguá ( dos troféus que são leões espetados na farda que carrego ora manchada de sangue )
diego el khouri em aparecida de goiania ( dos que sobem nas listras das luzes crescidas nas lágrimas )
diego el khouri em aparecida de goiania ( dos que sobem nas listras das luzes crescidas nas lágrimas )
quarta-feira, 10 de abril de 2019
SÉCULO SINISTRO (II)
Título: Século Sinistro (II)
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 40 x 30 cm
Artista: Diego El Khouri
quinta-feira, 4 de abril de 2019
segunda-feira, 1 de abril de 2019
6 POEMAS DO JOSÉ ZINERMAN NOGUEIRA
ENTRE O DEDO E A FERIDA
ME ARREBENTEI TODO
QUANDO ESCORREGUEI NESTE LODO
ABRIU-SE UMA CRATERA E UMA FERIDA
MOSCAS VAREJEIRAS SOBREVOAVAM EM CIMA
ENQUANTO O SANGUE JORRAVA SEM PARAR
ERA COMO UMA PIMENTA ARDIDA
FUI ATÉ O INFERNO E VOLTEI
GRITAVA DE DOR
E QUEIMAVA COMO FOGO
ENTRE O DEDO E A FERIDA
ARRANCAVA A CASCA TODA FODIDA
SEXO NA MADRUGADA
E(les) quando evitam E(las )
É porque tem razão
Fim do tesão
Entre uma metida
E uma lambida
Quero me sentir (A)traída
A TODOS OS POETAS
QUE PEIDAM E CAGAM
QUE BEBEM OU CHEIRAM
QUE FUMAM OU INJETAM
QUE VIVEM OU VEGETAM
QUE AMAM OU ODEIAM
SEM POESIA
A VIDA FICA VAZIA
MIJO
MIJO EM TUA BELEZA
CRUA E NUA
TALVEZ AMANHÃ ARROTE
EM TUA CARA
TALVEZ ESSA SEJA A TUA TARA
QUERO DESPEJAR TODO ESSE VENENO
DENTRO DA TUA BOCA
QUERO TE DEIXAR LOUCA
O CÉU É O INFERNO AOS AVESSOS
TE DESEJO POR MORTE
NÃO SEI SE TIVE SORTE
DE CONHECER ALGUÉM
QUE DORME COM A LUA
E ACORDA NA RUA
QUALÉ O GRILO ?
TÁ COM GRILO ?
NÃO FUNDE A CUCA NÃO !!!!
QU´ELA NÃO VAI TE PEGAR
PAPAI FOI PRA WOODSTOCK
E A MAMÃE
TOMOU UM ÁCIDO
E FOI VIAJAR
TÁ COM GRILO ?
PERGUNTE AO “GURU” DA TUA GERAÇÃO
QUE FEZ A CABEÇA DE TODO MUNDO
TÁ COM GRILO ?
QUE É ISSO “BICHO” VOCÊ NUNCA FOI ASSIM!!!
TÔ TE ESTRANHANDO CARA
VOCÊ ANDA COM TUA CABEÇA NOS SKY
VIAJA,VIAJA E FICA PIRADÃO
ATÉ AQUELE SONSÃO DOS THE ALLMAN BROTHERS
NÃO TE LIGA MAIS...
O QUE HÁ ENTÃO ???? MEU IRMÃO ???
JÁ SEI
WOODSTOCK ACABOU
E VOCÊ AINDA NÃO ACORDOU, DAQUELA VIAGEM ,
DO PIOR ÁCIDO QUE TOMOU
GOZANDO COM CATERINE
CARINHA DE ANGEL FACE
COM ETERNO FOGO NO RABO
NINGUÉM SEGURAVA CATERINE
ERA UMA VERDADEIRA MÁQUINA
DE FAZER SEXO
GOSTAVA DE JÓIAS CARAS E PERFUMES IMPORTADOS
SEMPRE EM SUA FAMOSA BANHEIRA
A ESPERA DO FREGUÊS CERTO
QUE PAGASSE CORRETO
E LOGO PEDIA QUE COLOCASSE NO RETO
FAZIA DOIS OU TRÊS BOQUETES
SO PARA ALEGRAR O FREGUÊS
QUE MANDAVA VOLTAR DA PRÓXIMA VEZ
JÁ ERA DE COSTUME
ESSE SEU JEITO ESTÚPIDO DE SER
MAS COM SEU CORPO DE MENINA
EXCITAVA QUEM QUISESSE METER
PROVANDO DE SUA URINA
FAZENDO UM GOLD SHOWER COMO NINGUÉM
AINDA ORDENAVA QUE PEDISSEM AMÉM
quinta-feira, 28 de março de 2019
JOSÉ ZINERMAN NOGUEIRA, O HOMEM ZINE
Por: Diego El Khouri
Mais uma entrevista interessante nas páginas desse blog: José Zinerman Nogueira, o homem zine. Desde os anos 70 produzindo conteúdo na cena underground. Pioneiro, por exemplo, em registrar a cena alternativa nacional através de seus vídeos gravados e lançados em vhs, antes mesmo do advento da internet . Fala aí, mr. Zine!!
1) Como foi o seu primeiro contato com fanzines e de que forma começou também a produzir esse tipo de mídia alternativa?
Foi ainda nos idos de 1970 , quando nem conhecia o termo “Fanzine”. Havia nos próprios diretórios do colégio publicações do qual divulgavam informações dos próprios diretórios também chamados de “Jornalzinhos”. Então, tomando como exemplo, resolveria fazer os meus próprios na divulgação de música e quadrinhos do qual chamei de “Little Pig News” uma folha tamanho ofício, com desenhos, colagens e datilografado, trazendo as últimas novidades sobre as Bandas que ouvia na época e programas de TV e de rádio, e lançamentos. Isso foi por volta de 1975.
Em 1978 surgia a primeira publicação em formato ½ ofício, o PIRATA, omicro jornal do rock, trazendo informações sobre a cena musical do momento.
Em 1981 , surgia o “METAMORFOSE” boletim oficial do Raul Rock Clube , Fã Clube do Maluco Beleza Raul Seixas , do qual sou Co-Fundador junto com o amigo pessoal Sylvio Passos.
Em 1991/1992 , outra parceria , o Johnny B. Good
Zine , no formato ½ oficio , e com apenas cinco edições publicadas, de uma loja no centro de SP, do qual era bem eclético indo desde divulgação de Demo-Tapes, Hqs, Poesias, Literatura Beat, Zines e tudo que tivesse um bom astral poderia aparecer nas próprias paginas do fanzine, do qual deixou um grande marco para a época. Nesse mesmo tempo já estava se formando o pré embrião de uma outra publicação que marcou o Underground com suas 45 edições na divulgação nos mesmos moldes que o Johnny B. Good Zine.
No mesmo ano surgia outro avanço tecnológico o “DELIRIO AUDIO ZINE”, ( O PRIMEIRO REGISTRO VIVO DO UNDERGROUND), e uma grande sacada. Feito em fita k-7 e uma espécie de programa radiofônico , com divulgação de Bandas /Demo-Tapes, entrevistas com Fanzineiros , divulgação de lançamentos, e Zines, onde até podia ser ouvido num Walk Man andando de Bike. (A grande onda da época) resultando num total de 21 edições em áudio em fitas k-7 onde era distribuído em shows e gigs por onde eu ia , e para participar era só enviar material.
2) Como surgiu o Vídeo Zine e como era produzir conteúdo em uma época antes da popularização da internet?
Então, em Agosto / 1999 surgia o ARQUIVO GERAL VIDEOZINE, hoje completando 20 anos de existência em prol do Underground, e o primeiro em parceria com a 2 Josés Produções com o amigo e zineiro José Salles. Com cinco volumes lançados e grandes entrevistas com fanzineiros, Poetas, Quadrinhistas, Shows e etc.
Com a saída da 2 José Produções dei continuidade ao projeto com novas parcerias, com o atual Arquivo Geral Videozine Vol 6 disponibilizado na página do Youtube. Para a época foi uma grande sacada e inovação para o Underground, foi um passo a mais, pois agora ao invés de som, tínhamos a imagem agregada e esse. Foi o grande no pioneirismo do Videozine no Underground Brazuca, a princípio feito em Vhs, mas já estou digitalizando todo esse material para o formato Dvd, para que todos possam ter acesso ao mesmo e conhecer um pouco mais da cena naquele momento e sua transição .
E uma grande satisfação pra mim , foi saber através do próprio Henrique Magalhães (Marca de Fantasia), que o próprio Arquivo Geral Videozine estava sendo utilizado como referência e suporte em suas aulas.
3) O fanzine impresso ainda resiste na cena underground. Novas produções surgem cada vez mais. A que se deve esse fator do impresso ainda se manter vivo em tempos virtuais?
Sim , o Fanzine impresso , ainda é o grande charme do Underground , e sempre fui a favor do Fanzine físico , pois possibilita nos uma transitoriedade muito maior que o digital. Você pode levá-lo consigo para onde desejar, enquanto o digital depende de uma série de coisas , como equipamentos, conexão , etc....
4) O que anda produzindo ultimamente?
Sou um grande entusiasta das publicações independentes em todos os tempos, e as minhas últimas inovações estão aqui :
Momento Zine Flash – o primeiro flyer eletrônico do Underground , trazendo notícias da cena alternativa, dos materiais que recebo através de meu endereço postal. No Facebook ver José Zinerman Nogueira.
Zine Story – Registro das publicações undergrounds , e seu histórico com o apoio da Zine House , o mais completo arquivo das publicações independentes.
ZAP HALLUCINATION ZINE, outra grande inovação trazendo lançamentos e divulgação de Zines e de Bandas. Este no meu próprio whats.
5) O que te motiva a criar?
É uma grande paixão antiga, presente no meu dia a dia. Já incorporei os Fanzines na minha própria Vida. ZINE É VIDA, VIDA É ZINE , esse é o grande barato, você poder divulgar o que quiser, ser Free Totalmente , e isso não tem preço, na sua Liberdade de Expressão, essa é a grande sacada, entende .E os Zines estão aí a todo o vapor , sempre a frente mantendo a chama viva das publicações independentes.
6) Uma frase.
NA MINHA VEIA , NÃO CORREM SANGUE E SIM ZINES !!!!
7) Qual o papel que a cena underground tem hoje no Brasil?
Hoje com o cenário das redes sociais e encontros cada vez mais constantes isso é que fortalece e enriquece a cena na divulgação de novas publicações
8) Você, ao longo de sua jornada artística, fez capas de zines e já participou de várias publicações de formas totalmente diferentes. Fale sobre essa sua multiplicidade de produções e como se dá essas participações em zines de outros produtores de cultura alternativa.
Já fiz de tudo um pouco que se possa imaginar no próprio Undergound indo desde : parcerias, ilustração , contribuições , roteiro para Hqs, participação em curta-metragens, organização de encontros de zines/palestras, poesias de várias vertentes, arte postal, videozines , audiozines, sem falar nos “Pitacos” das publicações sempre visto de um ângulo diferenciado dentro dessa bagagem zinística e é por isso que tenho estampado no próprio nome o ZINERMAN .
9) Livro de cabeceira.
Literatura Beat em geral.
10) Fala o que quiser. Mande seu recado.
Agradeço imensamente pelo espaço cedido e oportunidade de poder colocar um pouco dessa experiência que acumulei através dos tempos e espero que possa ser um grande estímulo para os próximos iniciantes na arte impressa dos Fanzines , e um toque a todos: Nunca desista de seus sonhos, as dificuldades existem para todos, mas existem outras alternativas de se produzir com qualidade , é só colocar as idéias em práticas .
!
Contato: Cx.Postal 672 Cep 01031 970 SP SP
sábado, 16 de março de 2019
DIEGO EL KHOURI __ OUTSIDER DO DHARMA
Por: Diego El Khouri
Ser vagabundo é um estado de espírito. Há uma conexão forte na dialética poética em fomentar, dentro do indivíduo, as contradições da alma humana afim de atingir um estado lúdico de êxtase e transformação. Uma torrente multifacetada de sensações ligadas a uma noção de experiência não convencional e que, ao longo da história humana, esteve muito ligada, a todos movimentos de rupturas, sobretudo promovido por uma juventude embevecida de mudança e fuga do lugar comum. Nota-se, por exemplo, a força e influência, dos movimentos no final dos anos sessenta, como a contracultura, a psicodelia e a revolução de maio de 1968 em Paris. Venho de uma seara que bebe nessas fontes. O "olhar não familiar" que Freud tanto falava. A estranheza como produto de criação artística, filosófica e reflexiva. Ser vagabundo é justamente isso. Um desajustado social, é um intrínseco poeta, em boa parte dos casos. Sim (...), sou vagabundo. Um pária, outsider, excluído da lógica comum, expulso da república de Platão por estética existencial. Há inúmeras portas, já dizia William Blake no "Matrimônio do Céu e do Inferno ", e ultrapassar as fronteiras é escapar das bolhas impostas por um sistema segregador que aliena e manipula. Sim. Sou vagabundo . Marginalizado ou marginal? Depende do que se entende desses termos. Entro nas estruturas para incomodar e (ou) mudar. Nota-se a revolução que fiz, por exemplo , na Faculdade de Artes Visuais na UFG (Universidade Federal de Goiás), pouco depois que entrei. Já vivia uma vida de santidade (santidade aqui dentro do contexto leminskiano de mergulho, de entrega total às artes) e romper com determinadas estruturas já fazia parte de um contexto de êxtase e subversão na qual vivia. Uma Universidade voltada às artes e que tinha uma assepsia monumental (quase um hospital mórbido que tolhia a criatividade dos alunos) e que causava, perante a maior parte dos discentes, um medo brutal em produzir qualquer tipo de trabalho artístico . Sem a possibilidade do diálogo (que há anos não era permitido) pichei a faculdade, reuni com os alunos e alguns professores, exceções do caminho (e pela primeira vez propiciar um ambiente para o diálogo entre os vários cursos da UFG), e após ser intimado (em documento oficial) pela mesma, na reunião que fui convocado, cheguei com vários alunos e um movimento sério e articulado começou mudando de vez a cara da faculdade de artes para um ambiente mais artístico e produtivo . Um vagabundo sempre terá a áurea de um bárbaro . Além de vagabundo sou de fato um bárbaro. E venho, ao longo dos anos, refletindo e escrevendo sobre isso. Mas o bárbaro artista trás em si dicotomias antagônicas . A sensibilidade que, em vez de confrontar (e nisso as pessoas se enganam), agrega potência e singularidades bem pessoais. Sou um bárbaro sensível. Escapei , como o diabo da cruz, de toda zona de conforto . Não é atoa que, aos 14 anos de idade, depois de ter lido todos os livros da vasta biblioteca da minha família, passei, de forma sistemática, a ler e copiar à mão os livros que pegava regularmente na biblioteca da cidade que morava, para gradualmente ser um artista com mais ferramentas. Um bárbaro poeta é sobretudo um ser excessivo. Causo incômodo e admiração. Não há como controlar a receptividade do meu trabalho. Para alguns sou um inútil social... para outros não passo de um junkie imoral ... e outro grupo me vê como um artista genial... é tudo muito excessivo e , creio, que isso se deve realmente a poética daquilo que apresento (ou represento em arte). O desconforto que causo, em algumas pessoas , me incomodava. O fato de ter uma mente e uma experiência existencial nada convencional, e a forma como enxergavam isso, também , de alguma forma, me incomodava. Transformei as "flores em clísteres de êxtase". Abarquei em mim todos os pecados. A tentação tem meu nome. E minha vagabundagem é iluminada pelo Dharma de Jack Kerouac. O banal me escapa do peito mesmo que eu corra atrás de uma estabilidade que se encontra nesse banal. Transito em várias linguagens. Encaro a arte, e isso digo em todas as entrevistas, como um laboratório criativo. A junção insólita entre o idílico e o torpe. A cultura de rua e hermetismo intelectual. Uma afronta que choca os mais reacionários. E sobretudo quem não é um vagabundo como eu. Sim... sim, sou vagabundo .. Vagabundo iluminado... outsider do dharma... a contradição entre o bárbaro e o poeta... entre o maloqueiro e o intelecual... o imaculado e o podre.. e assim "gero uma estrela cá dentro". E assim ultrapasso fronteiras e fixo meus olhos no olho livre , delirante e vertiginoso da Existência .
Ser vagabundo é um estado de espírito. Há uma conexão forte na dialética poética em fomentar, dentro do indivíduo, as contradições da alma humana afim de atingir um estado lúdico de êxtase e transformação. Uma torrente multifacetada de sensações ligadas a uma noção de experiência não convencional e que, ao longo da história humana, esteve muito ligada, a todos movimentos de rupturas, sobretudo promovido por uma juventude embevecida de mudança e fuga do lugar comum. Nota-se, por exemplo, a força e influência, dos movimentos no final dos anos sessenta, como a contracultura, a psicodelia e a revolução de maio de 1968 em Paris. Venho de uma seara que bebe nessas fontes. O "olhar não familiar" que Freud tanto falava. A estranheza como produto de criação artística, filosófica e reflexiva. Ser vagabundo é justamente isso. Um desajustado social, é um intrínseco poeta, em boa parte dos casos. Sim (...), sou vagabundo. Um pária, outsider, excluído da lógica comum, expulso da república de Platão por estética existencial. Há inúmeras portas, já dizia William Blake no "Matrimônio do Céu e do Inferno ", e ultrapassar as fronteiras é escapar das bolhas impostas por um sistema segregador que aliena e manipula. Sim. Sou vagabundo . Marginalizado ou marginal? Depende do que se entende desses termos. Entro nas estruturas para incomodar e (ou) mudar. Nota-se a revolução que fiz, por exemplo , na Faculdade de Artes Visuais na UFG (Universidade Federal de Goiás), pouco depois que entrei. Já vivia uma vida de santidade (santidade aqui dentro do contexto leminskiano de mergulho, de entrega total às artes) e romper com determinadas estruturas já fazia parte de um contexto de êxtase e subversão na qual vivia. Uma Universidade voltada às artes e que tinha uma assepsia monumental (quase um hospital mórbido que tolhia a criatividade dos alunos) e que causava, perante a maior parte dos discentes, um medo brutal em produzir qualquer tipo de trabalho artístico . Sem a possibilidade do diálogo (que há anos não era permitido) pichei a faculdade, reuni com os alunos e alguns professores, exceções do caminho (e pela primeira vez propiciar um ambiente para o diálogo entre os vários cursos da UFG), e após ser intimado (em documento oficial) pela mesma, na reunião que fui convocado, cheguei com vários alunos e um movimento sério e articulado começou mudando de vez a cara da faculdade de artes para um ambiente mais artístico e produtivo . Um vagabundo sempre terá a áurea de um bárbaro . Além de vagabundo sou de fato um bárbaro. E venho, ao longo dos anos, refletindo e escrevendo sobre isso. Mas o bárbaro artista trás em si dicotomias antagônicas . A sensibilidade que, em vez de confrontar (e nisso as pessoas se enganam), agrega potência e singularidades bem pessoais. Sou um bárbaro sensível. Escapei , como o diabo da cruz, de toda zona de conforto . Não é atoa que, aos 14 anos de idade, depois de ter lido todos os livros da vasta biblioteca da minha família, passei, de forma sistemática, a ler e copiar à mão os livros que pegava regularmente na biblioteca da cidade que morava, para gradualmente ser um artista com mais ferramentas. Um bárbaro poeta é sobretudo um ser excessivo. Causo incômodo e admiração. Não há como controlar a receptividade do meu trabalho. Para alguns sou um inútil social... para outros não passo de um junkie imoral ... e outro grupo me vê como um artista genial... é tudo muito excessivo e , creio, que isso se deve realmente a poética daquilo que apresento (ou represento em arte). O desconforto que causo, em algumas pessoas , me incomodava. O fato de ter uma mente e uma experiência existencial nada convencional, e a forma como enxergavam isso, também , de alguma forma, me incomodava. Transformei as "flores em clísteres de êxtase". Abarquei em mim todos os pecados. A tentação tem meu nome. E minha vagabundagem é iluminada pelo Dharma de Jack Kerouac. O banal me escapa do peito mesmo que eu corra atrás de uma estabilidade que se encontra nesse banal. Transito em várias linguagens. Encaro a arte, e isso digo em todas as entrevistas, como um laboratório criativo. A junção insólita entre o idílico e o torpe. A cultura de rua e hermetismo intelectual. Uma afronta que choca os mais reacionários. E sobretudo quem não é um vagabundo como eu. Sim... sim, sou vagabundo .. Vagabundo iluminado... outsider do dharma... a contradição entre o bárbaro e o poeta... entre o maloqueiro e o intelecual... o imaculado e o podre.. e assim "gero uma estrela cá dentro". E assim ultrapasso fronteiras e fixo meus olhos no olho livre , delirante e vertiginoso da Existência .
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