terça-feira, 10 de setembro de 2019

PANTERA NEGRA ROCK ' ROLL

Por: Diego El Khouri

outsider da galáxia de parnaso
da cidade-vertigem 
das membranas subcutâneas
alimentadas por lamas e fezes
das ruínas sudoríficas
entregues aos delírios do tempo
da fome invisível dos mendigos
que só tem a rua
para chamar de seu
das caveiras bizantinas
que cospem no sacrário
sêmen e hemoglobina
do pau torto que entorta
a via sagrada dos amores
das ninfas insubmissas
dos cabarés vermelhos
manchados de sangue 
e sífilis 
dos olhos escancarados
da noite
abarcando cus, paus
e bucetas
da língua rota que fode
firme a fossa funerária
da lascívia 
da ancestralidade que
da pele se faz viva
           corrente sanguínea, — Xangô
      orixá do Trovão
pantera negra rock n' roll
diego el khouri na cidade full time
           "delirium tremens"
— marginal ou marginalizado?
têmporas de tempos vermelhos
 tinta escarlate e amarga
e "o povo sangra que o estado caia
em uma piscina de sangue"
         — intenso  fogo fátuo 
           olhos acesos, 
          alma inquieta
povo de aruanda 
beijos sublimes na ancestralidade
"disco voador tatuado"
(sangue nas calçadas)
grito ecoa o grito o grito o grito
da fome da terra cálida 
zumbi dos palmares/dandara
escadarias afro futuristas
 malcomxlutherkingparks
     Pantera negra rock'roll full time




* Foto: I Encontro de Saraus do Rio

Off Flip 2019 em Paraty



quarta-feira, 4 de setembro de 2019

DO FUNDO DAS VÍSCERAS

Por: Diego El Khouri

medíocres poderes
falanges de otários
congresso vendido
fascistas covardes
anjos decaídos
putas no sacrário
polícia bandida
na sombra
assombra noite e dia
estado fudido
fodendo minorias
pretos na cadeia
pra esses milicos
é bem mais lucrativo
eu insisto (!)
não aceito retrocesso
faço do verso minha arma
e da volúpia um eterno carnaval
cagando e andando
pra toda lei que asfixia os passos
não sou carta fora do baralho
artista preto louco no topo
assustando racista otário
Zumbi dos Palmares
meu sangue herdado
greves, brigas e lutas
(pra nós pretos nunca foi fácil)
quem se cala não fala
— nunca me calo — 
calo nas mãos da alma
poesia arrancada
do fundo das vísceras
Marielle Franco está viva
FOGO NOS RACISTAS!!!!!

(Paraty, RJ; 02/07/2019)



* Foto recitando esse poema na Festa Literária Internacional de Paraty 2019


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Título: Marielle Franco
Técnica: Óleo sobre papel

Dimensões: 420 x 297 mm

Artista: Diego El Khouri

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A LUZ DE BUDA (NAM MYOHO RENGE KYO)


Título: A luz de Buda
 (Nam Myoho Renge Kyo) 
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 60 x 50 cm
Artista: Diego El Khouri

terça-feira, 20 de agosto de 2019

FRACTAL BÚDICO

Por: Ikaro Maxx

O riso é via direta & ininteligível para a Iluminação. Aqueles que gargalham, com leveza, sem tons de arrogância, desprezo ou desespero, dão o salto búdico para o estado de graça.


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

LEA SOPHIE BY DIEGO EL KHOURI



Título: Lea Sophie
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 420 x 297 mm
Artista: Diego El Khouri



Título: Lea Sophie na Ilhabela
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 420 x 297 mm
Artista: Diego El Khouri



Título: Lea Sophie
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 420 x 297 mm
Artista: Diego El Khouri



Título: Paraty
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 297 x 420 mm
Artista: Diego El Khouri



Título: O cometa Lea Sophie
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 297 x 420 mm
Artista: Diego El Khouri



Título: O Amor está acima da lei
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões: 420 x 297 mm

Artista: Diego El Khouri

domingo, 21 de julho de 2019

quinta-feira, 18 de julho de 2019

REENCONTRO HISTÓRICO DE POETAS --- VAGABUNDOS DO DHARMA

Por: Diego El Khouri

No Rio  de Janeiro,
 a cidade-vertigem-elétrica-selvagem, Verlaine Edu Planchêz recebe Rimbaud Diego El Khouri para uma libação poética em meio  aos cacos do Século Sinistro.  A voz intensa da Catarina Crystal Blues acaricia  os tímpanos  na melodia atemporal da arte que se eterniza.



quarta-feira, 17 de julho de 2019

NASCIMENTO


 (o Cometa atravessou o peito)

Por: Diego El Khouri

Lua translúcida e mágica. A história  perpassando pelos poros e alma. Memória  viva de uma cidade, de um lugar....A poesia nas calçadas  irregulares de Paraty e a cerveja gelada no bar. Poetas por todos os lados. Música  por todos os lados.  E de repente  nos  conectamos. Somos de países  e culturas  diferentes.  Sou da cidade do sol e você da lua. Vivemos uma noite surreal pelo centro histórico  de Paraty.  até  que enfim encontramos nosso mundo. O meu mundo. O teu mundo. Fumamos  nosso baseado  fumaça  leve iluminando o cais. Conversamos com os olhos e com a boca. A lua intensa iluminava nosso coração. Dias de bebedeira na festa da poesia e estava ali apenas me embriagando no seu olhar... Naquela noite, naquele julho de 2019 (ou poderia ser qualquer ano) ali estava toda minha essência iluminada pelo amor. É impossível dizer o que se passou. Certas coisas não se descrevem com palavras. Certos atos não se desenham em versos. Aquilo foi surreal e intensamente real. Apenas o mar, a lua, as estrelas... Apenas eu e você... Você  tão distante veio para, voluntariamente, abraçar a cara da injusta miséria dessas crianças abandonadas na favela... e dar um norte belo para esses meninos e meninas ausentes e esquecidos pelo estado (estado que insisto em escrever com letra minúscula)... Nossos bolsos com guimbas de cigarro guardadas para o próximo lixo... a gente ria de tudo e de tudo o rosto pintava serenidade... paz... uma paz azul como o mar, iluminado como o céu... as pessoas não existiam mais... seu país distante, minha cidade longínqua... nossas dores e alegrias... nada mais existia... você foi o cometa que atravessou meu peito e deixou marcas profundas na minha alma... na sua alma... Talvez os caminhos não se cruzem mais... Talvez nem mais conversa, nem abraço (aquele abraço demorado cheio de ternura; o melhor abraço de nossas vidas)... Você tem uma história... A minha já se perdeu em um barco à velas que arrancou de mim meu passado... Os detalhes, gostos, jeitos, sinuosidades me transformaram ...  não preciso dizer... sempre digo que “sentir é mais que saber”... Registrar tudo que aconteceu daria mais beleza a esse desabafo-relato... Mas sentimentos não carecem de explicação... os detalhes estão guardados para sempre em nossa memória...  Para viver esse amor o que fazer ? Enfrentar a distância quilométrica que nos separa? Enfrentar um Estado fascista que na terra tupiniquim  mata nossos índios, crianças, negros e pobres? Vencer o abismo cultural contra a cultura respeitada que em sua nação vive cada dia mais? Possuir virtudes (virtudes que não tenho) perante uma história na qual você já estava acostumada? Abrir portas e janelas dessa casa fechada? O que vivemos foi real – surreal. Amor que nos engrandece e nos faz reis e rainhas nessa terra. Não  nos beijamos, nem amor fizemos ... e para nós dois, eu e você, irremediavelmente, foi que a noite mais linda de todas  que vivemos e isso ninguém nos tira.



"BOLSONARO VAI TOMAR NO CU!!!!!!!" FASCISMO NA FLIP PARATY 2019


Por: Diego El Khouri

O fascismo se faz presente no Brasil. A democracia abalada. Fui convidado à me apresentar em um evento literário em Paraty no estado do Rio de Janeiro. Foram dias incríveis na qual revi amigos e tive experiências maravilhosas. Mas o fascismo está em todos os lugares. Todo eleitor do Bolsonaro (sem exceção) não aceita o diálogo e normalmente eles tem sérios problemas de interpretação de texto. Eleitor de bolsonaro que lê livros é algo raro. São, na grande maioria, ignorantes e segregacionistas. Pois bem... a democracia em Paraty, mesmo nesse belo evento e prol da literatura, sofreu mais um ataque gravíssimo. O jornalista Glenn Greenwald, responsável pelos vazamentos da lavajato, foi convidado a dar uma palestra nessa cidade, mas os fascistas aparaceram com carro de som e fizeram tanta baderna que ficou impossível a palestra do jornalista. Até rojão os bolsominions soltaram ocasionando um acidente. Conclusão: Bolsominions são intolerantes, racistas, misóginos e homofóbicos. Muito grave o que aconteceu em Paraty.

BOLSONARO VAI TOMAR NO CU!!!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

IMPRESSÕES SOBRE A OBRA "O LIVRO DOS ABRAÇOS" DO EDUARDO GALEANO


Por: Diego El Khouri

     Sopro de nuvens azuis. Parábolas cortantes de fel e poesia. Cheiro do desassossego no sossego dos passos. Olhar sem ver. A abstração no concreto. A matéria condensada em jogos de palavras. A maré cheia da noite. Todo dia é dia de exílio. “Perdidos em lugar algum, em lugar nenhum”.  Raízes penetrantes.  Culturas infindas. Movimentos de bocas e murmúrios. Toda uma América Latina viva, em chamas. Ditaduras e construções pictóricas.  Ditaduras e paredes calcificadas de arte e merda. Ditaduras e paisagens multifacetadas de cores e sabores.  Ditaduras e sangue e hemoglobina escorrendo calçadas e altares. Ditaduras e colonias. Ditaduras e poder. As  relações humanas e o poder.  “Portinari saiu”. Cade Portinari? Suas pinturas — cheiro de terebentina e aguarrás. A sensibilidade da imagem-poesia. Imagem-vertigem. “ Histórias estilhaçadas que encontram a parte que lhes falta”. “ No muro mordido pelos tiros”... Tiros “atravessando os tímpanos” nas trincheiras do ocidente. Caminho da luz rumo ao ocidente. Acidente. Grito sutil. Estridente. Sutilezas que marcam pegadas. Pegadas ninguém vê. Pegadas que muitos sentem. Entrar sem entrar. Neruda em trincheiras de enxofre e flores. Movimento anti fascista. As asas violentas. A águia não devia estar ali. Aqui “nas cozinhas do subúrbio”  “soprar, suavemente, a palma das mãos.” Alguns sonhos faziam fila. Olhavam ao redor. Eduardo Galeano no Livro dos Sonhos    Toda a América. Suas contradições. Olhar fino de fina poesia. Liberdade semântica. Liberdade visual. Liberdade existencial. O olhar fixo na plenitude do êxtase que lapida emoções.