Por: Edu Planchêz
eu sou gênio? gênio parasita
que segundo meu pai,
sempre se encostou nas pessoas
porque nunca teve pique para trabalhar,
ter uma vida normal, de cidadão comum,
de pessoa digna,
mas apenas consegui encarnar o vagabundo,
o do contra,
o rebelde que pensa demais
que é algo proibido para um filho mais velho,
para um homem responsável
que deve ser exemplo
devia andar mais arrumado, pentear,
cortar os cabelos,
consertar os dentes, ser mais limpo,
falar menos para não incomodar os que dirigem
por essa ruas cheias de curvas
do rio de janeiro da puta que pariu
( Edu Planchêz animal poético )
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
sábado, 22 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
ZÉ DO CAIXÃO
Por: Diego El Khouri
é importante ser morto-vivo
abrir as portas do abismo
com o peito tatuado
de sonho perdido
é dançar na chuva
se lambuzar de cinismo
com o pênis tão fedido
é comer batata frita
na panela tão vazia
de visões suicidas
é nadar contra a corrente
jamais escovar os dentes
comemorando tristes
carnavais
quero correr nu
pela avenida
da anhanguera
à vila alzira
sem nenhum
encontro marcado
-------------
* Eu escrevi esse poema, por incrível que pareça, cerca de meia hora antes de saber de seu falecimento...
* José Mojica Marins,
Nascimento: 13 de março de 1936
Morte : 19 de fevereiro de 2020
é importante ser morto-vivo
abrir as portas do abismo
com o peito tatuado
de sonho perdido
é dançar na chuva
se lambuzar de cinismo
com o pênis tão fedido
é comer batata frita
na panela tão vazia
de visões suicidas
é nadar contra a corrente
jamais escovar os dentes
comemorando tristes
carnavais
quero correr nu
pela avenida
da anhanguera
à vila alzira
sem nenhum
encontro marcado
-------------
* Eu escrevi esse poema, por incrível que pareça, cerca de meia hora antes de saber de seu falecimento...
* José Mojica Marins,
Nascimento: 13 de março de 1936
Morte : 19 de fevereiro de 2020
domingo, 16 de fevereiro de 2020
DESTROÇOS
Por: Diego El Khouri
Preservo o olhar pervertido perante os destroços que estilhaça vento e pólvora. A língua profana do lagarto, os sete cérebros atrás das cortinas e a escama de peixe nas quebradas alimentam a máquina, __ puta esfinge capital. O tirano e seu cabelinho corte nazista vomita merda e seu vômito não tem o brilho e muito menos a sabedoria fulgurante da poesia. __ verme imbecil __ mentiras nos trajes fúteis da hipocrisia. Facínoras fascistas fazem a fome fantasiar higiene assassina __ forc(ç)as do estado. Iluminação explode (!!!!!!), se impodera (ainda. ainda?) mesmo com os tentáculos nas sombras arquitetar ilusões, promover misérias e enriquecer seus mórbidos interesses.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
NAS CONSTELAÇÕES ANÁRQUICAS DA POESIA
Por: Diego El Khouri
nas constelações anárquicas da poesia
um bêbado-poeta-bandido
sob o fel dos arranha-céus
arrasta nuvens dionisíacas
para dentro dos ventres tristes
sísmico sol, rebanho de fetos
abortados pelas quimeras
era das nucleares fomes
das incontáveis tragédias
do sangue sagrado operário
— outsider da galáxia de parnaso —
sombras sonoras
bodisatva do infinito
risco no céu, um raio
cometas
delirium tremens
o precipício...
precipício I
de tanto voar caí
pelos abismos me perdi
senti o que pude aqui
para não me tornar um faquir
precipício II
diabos e serpentes
axioma infernal
lentes
e coisas fúteis
foram
os desertos
(caprichos da lei?)
precipício III
glandes grandes bocas
fogo fátuo
fulgurante
essa carne rasgada
esse pedaço de instante
precipício IV
quente e morno é o cu
que custo a pensar
que cu é quente
por que morno?
precipício V
antes que dante me cale
leve as almas
e os artelhos,
as louças estão na mesa
e o coração
no assoalho
precipício VI
silêncio de terra
em erupção
chamas traiçoeiras
(ah, quanta ilusão!)
precipício VII
virgílio, o poeta do caminho
caminha nos vidros
esfumaçados do agora
precipício VIII
pelo inferno que fere
"prefiro ferir a fenecer"
deixei na escola todo meu medo
de viver só por viver
precipício IX
burocrata da cultura
ou coqueluche do estado
queima, derrama sangue aqui, ali
jamais respinga no senado
precipício X
na madureza do tempo
no abrir das janelas...
causa pranto ou espanto
o ruir do século?
ABISMO-VOLÚPIA
Por: Diego El Khouri
sou um tanto de abismo e um bucado de volúpia. uma dorzinha no peito faz parte de todo outsider da galáxia de parnaso. a chuva molha, me lambe os cabelos, abro a garrafa da solicitude , me embebedo das horas de amor, secular vento suave intenso... deito em tempo para o que se sente e o que se fala sinta. quantas cusparadas nas portas dos sacrários?quantos chutes nos bagos da caretice? quem fere fomes fobias fenece frias fobias? solto o dia, a noite dança. seu pelo, portas, ancas. boca quente, dentro o sereno. duro fato. te desejo mesmo que a faca revele toda a hemoglobina que resta.
domingo, 9 de fevereiro de 2020
PERTO DE QUALQUER COISA
Por: Diego El Khouri
que pétalas de fumaça urram vespas em voluptuosos altares? que fome senil de vida arcaica senhores pálidos vociferam em palanques e palcos? que falta de ritmo falta à poesia para sair da zona confortável? que amor esse que me sussurra tempestades no olho febril da artista de traços atemporais? que olho-vivo sobrevive ao redor dos pivetes abandonados nas periferias das cidades? que xadrez esse que coronéis barrigudos perante multidões de desnutridos arquitetam levianas fábulas? que ventres se alimentam de feijõezinhos esquecidos nos lixos das praças? que pensamentos me devoram perante esse deserto que a miragem redesenhou na perversa pós modernidade ? que blues rascante risca a paisagem com sua melancólica gaita? que vento voraz veste vozes vivas no vórtice veloz vil volúvel -- ventre vestido de vento na vetusta velocidade ? que ainda é cedo ou tarde (?). Fato não é verdade. vozes vacilantes se quebram no ar. os moinhos ainda tem vento. a palavra ainda carrega êxtase e tempestades. resistência resiste. resistência existe. ou volto a ver o rabo perverso do fascismo crescer?
-------------------------
Diego El Khouri;
04, Fevereiro, 2020; Ap. de Goiânia. Perto de qualquer coisa de algum lugar.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
À MAYTE GUIMARÃES
Por: Diego El Khouri
olho que beija sua face. íris cristalina de desejo e afago. chamas de um fogo embriagante. boca. boca que nectariza os passos. boca vermelha. sangue, hemoglobina. boca que embriaga e seduz. volúpia insana. corpo em erupção. tesão e carinho. necessidade de eletricidade. peito com peito. alma envolta em alma. epiderme louca na paisagem insubmissa da poesia-vertigem. te olho com olhos felinos. essa minha boca persegue todo seu corpo. à distância te vejo perto. perto te sinto dentro. boca, te quero nua.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
NEM PROSA, NEM POEMA
Por: Diego El Khouri
À Mayte Guimarães
sou aquele que te olha com os olhos dos olhos dos olhos da beleza. Sou aquele que te acaricia de cima à baixo atravessando os limites abstratos da alma. sou a fome dos seus abraços, esses braços lindos na qual sonhei sentir, o beijo da ventura escarlate na hemoglobina que sente a eletricidade da vida . sinto vc, Mayte, viva em meu peito para a moldura e o conteúdo das artes.
— a poesia, que sua epiderme na minha epiderme se embriaga, é intenso e suave . o vento voraz da paixão que não cessa de nos iluminar. sou qualquer coisa. paraíso e abismo. até fragmentos desse texto que escrevi no impulso que não carece de consertar. Segue em frente essas palavras. nem prosa, nem poema. pensamentos nessa tarde ensolarada.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
OLHAR
Por: Diego El Khouri
o olho que olha
o olho do agora
não é o olho
que olha
o olho
do agora
porque o olho
que olha
o olho
do agora
não é o olho
que olha
o olho
do agora
o olho que olha
o olho do agora
não é o olho
que olha
o olho
do agora
porque o olho
que olha
o olho
do agora
não é o olho
que olha
o olho
do agora
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