quinta-feira, 6 de junho de 2013

TÍTULO DO QUADRO: CLOWN NA OUTRA NOITE

(Por Diego El Khouri)


Picotados raios dialogam violentos na espátula que com o vermelho sangue e o preto noite esboçados está na tela. Edvard Munch é uma das vozes que lembro e reinvento. A sensação louca e torpe do momento também. Verde árvore da vida se embrenhando no meio das trevas. O grito desbragado. O desespero que precisa berrar. Clown novamente no centro dos raios. A espátula insistente em vários trabalhos. (Diego El Khouri)

terça-feira, 4 de junho de 2013

TÍTULO DO QUADRO: CAMINHO

(Por Diego EL Khouri)



 O caminhante, representado em muitas telas que pintei, aqui representado como o fio condutor da luz. O sépia na rédea do movimento aparentemente tranquilo. Campo florido e nebuloso que só as cores traduzem. A existência modelando formas, criando possibilidades. (Diego El Khouri)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: A MOÇA QUE SONHA

(Por Diego El Khouri)


O sonho do êxtase. A mesma cor da alvorada daquele dia que me impressionou. Desde então nunca vi nada igual. Aquela sensação foi única, intraduzível. A pintura tenta resgatar isso. O impossível. A moça dorme num sono profundo. Parece morta. Talvez viva. Viva ou morta? O sonho perdura. E a fantasia como fica? A cachoeira ao fundo. A água lava deformidades da alma. Higieniza as chagas. Ela ao fundo fica. Apenas o que se vê é movimento vertical. Um pouco distante da moça. Silêncio (...). Essa moça. Mãe-natureza, sonho, poesia. (Diego El Khouri)

terça-feira, 28 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: CLOWN



(Por Diego El Khouri)



Clown (identidade humana) no centro dos raios. Menino na roda viva do caos. A espátula ardente lançada sobre a tela de forma voraz, orgíaca, elétrica. Traços rápidos. Fusão de cores quentes e frias. Nietzsche dizia que homem se esconde atrás de máscaras. Os raios sensorialmente percebidos como cortes na pele, na alma. O menino que quer se libertar de um futuro medíocre. A espátula criando os raios como faca na carne. Gigantesco coração negro sustentando a cabeça. Um coração costurado bem no meio. A boca representando algo que os olhos desmentem. (Diego El Khouri)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: O OLHO DE LÓTUS

(Por Diego El Khouri)


olho vivo de lótus no seio do universo. O vermelho da alvorada sempre presente. Tinta a óleo, colagem, desenho, pintura. O caminhante novamente representado. Cada quadro uma técnica diferente que trabalha a mesma ideia. Aquele que caminha para voltar (em pesamento, busca) e aquele que caminha para continuar (em passos, corridas). O olho-luz, o olho-d’água, o olho-amor, o olho-poesia. O olho é uma mão revestida de volúpia e sarcasmo. O olho te abraça e beija. O olho produz o escarlate do coração, o vermelho do desejo. A moldura em colagem representando o caos urbano em contradição com a meditação bucólica, a iluminação (o sonhado budhi). Mas Siddartha Gautama já dizia, “só há um tempo que é fundamental despertar. Esse tempo é agora”. (Diego EL Khouri)

domingo, 26 de maio de 2013

TÍTULO DO QUADRO: SOMA, PSIQUE, NOUS

(Por Diego El Khouri)



“O centro do centro do mundo, do meu mundo.” O corpo (soma) e a alma (nous) digladiando com a psique (mente). A psique-erupção, a psique-aurora, a psique- árvore da vida do sangue que pulsa e caminha sem cessar. O homem no centro do centro de si mesmo ,dentro e fora de seu mundo. O eterno caminhante. Filósofo-porrada, filósofo do martelo como Nietzsche dizia. A cidade ao fundo contrastando com o deserto caótico que reside no interior e cria inevitavelmente forma no exterior. Extremamente excêntrico, paradoxalmente reflexivo. Um coração derretido dentro de uma pequena jaula. Um coração gigantesco a observar o homem dono de sua existência. Em outras formas e visões o coração é o vulcão em erupção ao fundo que também é a árvore da vida que simultaneamente é o desespero interior e a sensação do indesejado fim. A moldura negra da tinta vacilante, uma moldura bêbada como é a própria existência. Uma vida que sonha equilibrar a psique ao lado do nous e soma. Se tornar um consigo mesmo. (Diego El Khouri)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

SOBRE MINHA PINTURA

(Por Diego EL Khouri)

“A minha voz persegue o que os meus olhos não alcançam”. Através das inúmeras vozes que falam através do pincel, oriento o traço nas cores vivas que bailam desnudas na contradição da vida intensa, na excentricidade delirante dos sentidos e sobretudo na subversão poética dos costumes que é a raiz das artes plásticas no mundo contemporâneo. A minha pintura aponta para vários caminhos. As cores fortes e os traços rápidos (por vezes lento e tranquilo, porém este em menor escala) rompem o equilíbrio das formas para atingir um nível em que uma figura sobreponha a outra dando texturas grossas e infectadas de imagens na obra. Vejo algo belo. O trágico perdendo sua veste e penetrando em temas não muito explorados nem no mundo das artes como a religião, a fé, dogmas, tradições, teorias, etc. Isso está bem claro no quadro que intitulei “A Igreja, o Clero e o Prazer”. O moralismo e sua face contrária se beijando. A hierarquia perigosa da religião ainda com cores quentes num flerte sempre presente com o sépia e o preto. A aurora, o nascimento, a explosão. O vermelho e o amarelo em excesso. Nisso muitos quadros casam. A fase agora é “alvorada embutida na tela”. Prato cheio para acelerar a corrente sanguínea dos receptores atentos e ao mesmo tempo lançar na mente dos mais afoitos a volúpia que se comunica com diversos temas e ideias mesmo que não seja explicito em todos os quadros. Sartre já dizia que o espectador traduz o sentido da obra de acordo com que consegue alcançar tendo em vista suas próprias experiências. Cada pessoa deve ser autor de suas visões. Delacroix já dizia que “a execução na pintura deve sempre ter improvisação”. O fim não necessariamente deve ser igual ao começo. Mesmo antes de me formar alguns anos atrás na turma técnica de Artes Visuais Basileu França e expor em vários locais já produzia intensamente meus desenhos e quadros, vendia e participava de exposições. Agora o momento é das cores quentes, vibrantes, com pequenas camadas de nebulosidade e escuridão; o mistério na pele exposta. O paradoxo como raiz. Edifício em escombros – outra imagem contida nas telas. Disse numa entrevista que concedi em março de 2010 para Law Tissot do Rio Grande do Sul que grande parte do meu processo de criação “ é contra o sono, o marasmo e o pensamento reacionário” e que a “ arte tem que fugir do lugar comum e da mesmice.” Ainda concordo com isso, mas prolongo esse pensamento dizendo também que arte é a beleza plena andando na corda bamba sem medo algum. “É preciso dar o sangue”. Estar ligado com seu tempo. Ousar, sentir, subverter, implodir e explodir. Millet estava certo. Na arte não há espaço para covardes e minha pintura é o retrato vivo dos olhos que lacrimejam sem medo, do carinho terno das manhãs sem pudor e o beijo colhido na poesia feroz e delirante de alguns pensadores.


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título do quadro: A Igreja, o Clero e o Prazer
técnica: tinta a óleo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

E ESSAS RUAS QUE NÃO SÃO AS RUAS DE 1928 E QUE SÃO AS RUAS DE 1928...



(Por Edu Planchêz )
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E essas ruas que não são as ruas de 1928...
e que são as ruas de 1928...
conhecem meus pés de madeira,
conhecem e desconhecem minha fama
de não possuir fama

Diz meu filho: " Edu, põe a roupa"
E eu ponho a roupa de todas as leituras
que fiz e que faço do que não deve ser lido
E tenho e tinha a missão de torcer
os nervos do planeta que me ignora,
e que por muitas vezes também ignoro

E vejo Jack Kerouac, Allen Ginsberg
e Diego El Khouri entrarem pela porta
que inventei na parede que existe
apenas na imaginação dos que negam a imaginação

Imagino ver uma grande bolha de palavras obscenas
( na compreensão menor)
despencar das nuvens sobre as casas,
sobre as pequenas famílias que se fecham
para as outras famílias que são também suas famílias

Estou no Brasil, no túnel do tempo,
na entrada e na saída
das correntes que controlam os oceanos
e os ares que sobem para além das últimas
camadas da atmosfera
Não sou um avião,
um homem, uma ave,
um roedor infiltrado nas costuras das roupas
dos seguem o apito das moedas,
dos que sobem no muro do progresso
protegidos por tanques

segunda-feira, 20 de maio de 2013

ILÍCITA VIAGEM


(Por Diego El Khouri)

hoje paralisei o mar
para nele extrair a essência do belo
mas não me viram
nem atravessaram portas, janelas
muito menos vagões de carga
ou caminhos possíveis
pois eu não existo, eles não existem
você não existe

Moléculas soterradas uma em cima das outras
nas cordilheiras que desabrocham amores
com nudez sem pecado
traduzo minha poesia
no engodo carnal
que o alimento produz

sou raio, sombra, tempestade
quem rouba o fogo, controla os elementos
herdeiro direto de Rimbaud
cliente compulsivo da ilícita viagem
amante ardente
bom bebedor de vinho
sou isso tudo
                     a luz, o sol

olhos vidrados que o mundo não conhece
tenho delírios que nem a viagem obedece
seguro a terra em minhas mãos
e o beijo molha ainda mais as vulvas
suspensas na paisagem do amor

estou aqui sentado
numa segunda-feira ensolarada
fumando mais um cigarro
de cueca e caneta em punho
observo estrelas que procuram
portas e janelas inexistentes
observo (...)
                        observo
o mar paralisado, as costas da terra cansada
e o beijo voraz na sua boca
que não acaba mais.

Rio de Janeiro, maio, 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

SARAU EM SANTO ANTÔNIO DE GOIÁS


Acontece nesse sábado, dia 11 de maio de 2013 sarau de poesias em Santo Antônio de Goiás na casa do escritor Ney Gonçalves a partir das 21:00. Para mais informações, falar com o escritor Ney Gonçalves: (62) 8157-2926


Santo Antônio de Goiás

(Por Marcos Alves Lopes)

Na terra dos Antônios
terra fantástica dos poetas
Bacco tomará o rumo do além
E Apolíneo, mais uma vez
morrerá nos braços de ninguém

Na subjetividade do poeta
rumaremos à utopia
e Marx -lukács
serão nossa companhia

Sentados frente à frente
lado a lado ou em pé
que entre o primeiro Antônio


* Pintura: Baco
Autor: Caravaggio