sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A CRÍTICA ÁCIDA DE REGIS TADEU

Por: Diego El Khouri

Mais uma entrevista nas páginas delirantes desse blog. O mergulho na cultura e na arte que perambula e se fixa na sociedade. Cada humano é um universo. Cada universo uma visão. Dessa vez Regis Tadeu foi o entrevistado desse blog. Regis é um baterista, crítico musical e apresentador de programas de rádio, além de um grande colecionador de discos e cds. Como baterista, Regis tocou nas bandas Muzak, Subúrbio (considerada o embrião da banda Ira!), Ness, Made in Brazil e Jacqueline.



1)  Você   tocou  nas  bandas Muzak, Subúrbio (considerada  o embrião da  banda Ira!), Made in Brazil e Jacqueline. Como  foi essa experiência e o que mudou, de forma mais evidente,   na indústria fonográfica de lá pra cá?

 As experiências foram sensacionais e ajudaram a moldar a personalidade musical multifacetada que carrego até os dias atuais. O Muzak acaba de voltar às atividades, inclusive, com o tio aqui novamente na bateria.
A mudança mais evidente foi o fim do monopólio das gravadoras na comercialização da música. Elas se tornaram meras distribuidoras, algo impensável décadas atrás. Em contrapartida, a maneira como o público passou a ouvir/consumir música piorou muito. Ninguém mais presta atenção a nada. As músicas simplesmente viraram “trilha sonora para alguma coisa que você esteja fazendo”...
 

2) Embora seja dentista de  formação, estreou,    a convite da revista Cover Guitar, como  jornalista  em 1994. Você costuma defender, em seu trabalho, a liberdade de expressão e a sinceridade e conhecimento por aquilo que se propõe a dizer. Como manter essa  personalidade contundente  em tempos tão reacionários como este em que vivemos ?


Muito fácil: basta não abaixar a cabeça perante o ‘bundamolismo’ reinante’ e sempre oferecer bons argumentos para embasar suas opiniões.
 

3) Você tem um discurso crítico  bastante ácido perante a música brasileira atual. Afirma que vivemos um emburrecimento cultural em todas as linguagens possíveis da arte. A que se deve esse declínio cultural? Acredita que é um processo consciente de sabotagem do ensino criado pelo poder que controla a política (os financiadores de campanhas, etc.) ? 

O declínio surgiu a partir do momento em que as escolas e faculdades diminuíram o grau de exigência para que os alunos fossem aprovados. Viraram “fabriquinhas de diplomas”, nas quais os alunos são tratados como “clientes/fregueses” e saem para o mercado de trabalho completamente despreparados em todos os sentidos, principalmente em termos de cultura. O termo “sabotagem” é muito forte, mas é inegável que um povo burro é mais facilmente manipulável por parte dos governantes, que é exatamente o momento que vivemos hoje... 
 



4) E hoje em dia? Alguma coisa  se salva na música atual? Poderia  citar exemplos de bandas e/ou músicos (as)?

Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, a música brasileira vive um momento muito rico, mas que permanece totalmente afastado das rádios convencionais e das TVs. Um povo burro tem preguiça em pesquisar. Logo...
Eu levaria semanas citando ótimos exemplos da música brasileira atual. Prefiro que acompanhem a série “Música brasileira vai mal? Você que pensa...” que retomei agora em meu Canal no YouTube - https://www.youtube.com/RegisTadeuOficial - depois de anos escrevendo a respeito disso no Yahoo.



5) A UNICAMP (Universidade  Estadual de Campinas) incluiu na lista de obra obrigatória,  a  partir  do vestibular de  2020,  o álbum Sobrevivendo no inferno, lançado em 1997, do grupo de  rap Racionais MC's. Atitude que rendeu muitos elogios e também severas críticas.  Qual  sua opinião a respeito?

Uma tremenda bobagem. O disco é ótimo e tem letras muito boas, mas dar a ele a importância de outras obras literárias deixadas de lado é uma afronta à inteligência. Certamente foi um tipo de jogada popularesca cujo motivo foge à minha compreensão...

6) Nos primórdios de sua existência,  qual disco (ou discos)  te levaram a ter  essa paixão  por música?

Alguns compactos dos Beatles – “Penny Lane”, “Strawberry Fields Forever”, entre outros – e o primeiro LP do Black Sabbath. Mudaram a minha vida para melhor...

7) O que acha dessas novas plataformas de música como spotify, deezer, etc.?

São importantes para os dias atuais para quem tem um desejo de conhecimento musical um pouco acima da média, mas se continuarem a “trabalhar no vermelho”, serão substituídas por outros formatos. Eu mesmo não uso nenhuma delas.

8) O que acha do  sertanejo  universitário?

Música medíocres com letras cretinas para um público imbecil.

9) E o funk carioca?

Músicas imbecis com letras pavorosas para um público retardado. 

10) Qual  preocupação  tem ao escrever um texto? Em algum  momento  pensa no  receptor?

Preocupação zero. Escrevo o que me der na telha a respeito de qualquer coisa que julgue pertinente em relação ao que eu penso e acredito.
Jamais penso no receptor. Se eu fizer isso, minha espontaneidade já estará comprometida. 


11) Epitáfio.

“Aqui jaz Regis Tadeu, totalmente contra a vontade”.


terça-feira, 21 de agosto de 2018

PELA NEBLINA

Por Fabio da Silva Barbosa Vagando pelos lugares de sempre sem se preocupar se está perdendo tempo ou apenas usando os segundos Enquanto eles querem prolongar ao máximo a existência você se joga de cabeça sem temer a morte A chuva fria molha a roupa As meias rasgadas já estão encharcadas Faz muito tempo que não sente o calor de um lar Mas as ruas não lhe parecem tão más quanto aos demais Não importa do que é feita a grade pois uma jaula é sempre uma prisão A regra social não lhe apetece Não quer caber em uma caixa mesmo se pintada de ilusão Os governos fazem guerras mandando jovens pro caixão enquanto eles riem pra televisão Mas você não quer saber apenas corre pela madrugada sem saber se é noite ou dia Eles te odeiam por isso Não podem suportar sua liberdade Tentam te soterrar com seus olhares de frustração Só que você é mais forte que imaginam e seu corpo magro veste uma armadura de fúria Não querem te entender e você não pede essa tal compreensão

terça-feira, 14 de agosto de 2018

FIO CULTURAL PRODUÇÕES

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Por: Clécia Oliveira

Querido Diego,
estou mais para sentir e viajar nos seus trabalhos do que para qualquer avaliação criteriosa, visto que nem estou à altura em termos de experiências e conhecimentos sobre arte. Nesse caso, falo mais das artes plásticas, que me dizem tanto, mas, meu julgamento passa mais pelo ponto de vista estético e nem tanto pelo técnico, apesar de perceber diferenças, apuração, qualidade entre outras coisas. Há artistas famosos e idolatrados que já pintaram quadros que “não têm graça”, no sentido de não causar impacto ou de não percebermos muitas singularidades. Isso acontece também com músicos, poetas, cineastas, etc. É claro que o valor do artista não muda porque não emocionou em um ou outro trabalho e não dá para todos serem os mais incríveis do mundo. Mas, antes que pense que descerei a lenha em algum trabalho seu, digo que, em relação aos que conheci pela internet, há identidade, sentimentos diversos e profundos, histórias de vida, visões a respeito de sociedade, mundo, e por aí vai. Não passa pelo “sem graça”. Algumas obras são mais explosivas, outras mais singelas ou carregadas de doçura ou de dor, mas todas dizem algo. E o mais interessante é que não cessam. Observá-las em outros momentos rende mais interpretações ou viagens. As impressões e análises podem variar, é claro, dependendo do público, mas alguma coisa acontece. Você tem muito para expressar. E, como você mesmo já disse, se preocupa de fazer da melhor maneira, procura se aprimorar. Acho que você explora várias linguagens, técnicas, formatos para a arte dar conta de sua multiplicidade. Particularmente, tenho carinho especial por algumas telas, mas também não quer dizer que sejam as minhas preferidas ou talvez sejam sim; e nem que acho que sejam as melhores... É que tem outras que me intrigam tanto que estão em outro patamar. Parece que preciso chamar de outra forma e não de “carinho especial”. Na verdade, nem tenho que chamar de coisa nenhuma. Só continuo a rodopiar pensando nelas.
Algumas pinturas têm angústia e sofrimento, mas, ao mesmo tempo, têm cores fortes, quentes, que também podem se relacionar a outras representações do vermelho, laranja, que vão além do sangue, fogo, de arder no caos; podem ir para as paixões e até para algo cheio de vida ao invés de morte.

Com os poemas, acontece algo parecido. Gosto muito do casamento construído quando entrelaça cada palavra e o resultado no todo ou nas partes. Sinto a lascívia, a doçura, o sombrio, a dor, críticas, inquietações e tantas outras coisas separadas ou misturadas que me fazem relacionar essas características ao que já conheço de você. Mas, vamos deixar os poemas pra outra hora.

CARINHO ESPECIAL






Título: Conexão 
Técnica: mista sobre tela
Dimensões: 50 x 40 cm
Artista: Diego El Khouri





Título: Clown na chuva
Técnica: óleo s/ tela
Dimensão: 80 x 100 cm
Artista: Diego El Khouri





Título: Meditação ( A deusa da poesia )
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 80 x 100 cm
Artista: Diego El Khouri



Título: Olhos vermelhos
Técnica: óleo s/ tela
Tamanho: 16 x 22 cm
Artista: Diego El Khouri

INTRIGANTES


Título: Fragmentos 
Técnica: mista
Dimensões: 100 x 70 cm
Artista: Diego El Khouri








Título: Espírito do Tempo 
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 60 x 60 cm
Artista: Diego El Khouri


As intrigantes vão continuar me intrigando. Já virou um exercício particular. Você pode me contar o que quiser sobre essas telas e outras ou não me falar nada. Eu é que não vou perguntar... rs. Acho que obras são colocadas para o mundo para que as pessoas possam recebê-las e “acontecer”. O importante é que atinja e de alguma forma, principalmente sem explicações do próprio artista, mediadores, etc; salvo algum direcionamento essencial que o artista julga necessário.  Mesmo assim, pode ser interessante saber sobre os processos de criação e de construção, sobre a (s) técnica (s) pra quem entende ou não, mas deixando que o público pense, viaje, sonhe...

* Clécia Oliveira: produtora cultural, jornalista, revisora de textos, consultora de produção  textual e diretora da empresa Fio Cultural Produções no Rio de Janeiro (RJ)

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

FEMINISMO DOUTRINÁRIO/ POLÍTICO

Por: Jully Delarge

Ensina a Mulher a ser escrava de um sistema merda. Ao invés de trabalhar na
Raiz Humana, como um todo,
se focam apenas no
Espectro político.
Fazendo o movimento distanciar-se
Da Razão Humana de
Ser.

Separam as puras e as putas,
Dividir para governar...
O palco para a trágica comédia humana do revés, está montado e operando.
A tendenciosidade política é medonha. A propriedade é um roubo, seja ela direcionada para pessoas ou objetos. É um roubo energético, magia para estagnação psíquica.
Grave ação contra a
Criatividade Humana,
Que precisa de mais de uma
Perspectiva válida para
Situar-se no
Mundo.

Os
Movimentos
Sociais,
São mesmo em prol de
Uma sociedade formada por
Livres Pensadores?

O socialismo marxista ainda luta para usurpar o
Capitalismo.
Isso é mera guerra ideológica. Complexo Messiânico. E se a gente não toma cuidado e fica absorvendo ideia alheia sem profunda reflexão, massa de manobra, gado, zumbis sem espaço, é o que somos para os doutrinários intelectualizados.
Peões para massivos
Suicídios,
É
O que
Somos
Para quem
Se excita apenas
Pelo
Poder.

Deixo esses
Questionamentos:
Você e eu
Mulheres,

Queremos mesmo
Cair na armadilha de
Um combate interminável
Pela supremacia?

Ou
Queremos
Simplesmente
Viver
E
Deixar
Que cada um
Se direcione e
Viva
Por
Seus próprios
Sentidos e ideais?

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* Nesse link a entrevista que  fiz  com a artista: 

terça-feira, 24 de julho de 2018

A ARTE DE DIEGO EL KHOURI

Por: Joka Faria

O vermelho sempre presente nas obras de Diego El Khouri. Poeta e artista plástico, mas artista com A maiúsculo.
Presença em várias redes sociais, nos alegra com suas obras.
Poemas muitas vezes longos, na velha linha Beat. Mas o vermelho em sua obra sempre me marca profundamente.
Arrisquei um poema para retratar sua arte.
Dias que descubro o YouTube com seus canais de arte. As bandas de Goiás nos revela um artista promissor e de imensa presença.
Edu Planchez que me falou desse poeta, mas Diego El Khouri flerta com inúmeras artes. Através dele, cheguei em Barata e Nua Estrela.
Gente nos descaminhos das artes. Em dias monótonos. Dias nefastos. Arte que nos liberta na obra, reflexão de Diego El Khouri.
Mais um quadro, suas tintas. Já andou pelas bandas do Río de Janeiro. Mas a velha Goiás é sua casa. E dali sua obra alcança o planeta.
Viva a arte de Diego El Khouri. Nessa jornada de Kaos, de Nietzsche e Jorge Mautner.
Que sua experiência na faculdade gere novas transgressões. Transgredir é preciso. Navegamos em águas incertas nessa democracia.
As redes sociais nos separam e nos aproximam. Viva a arte deste Goiano, além da velha música sertaneja. Goiás nos apresenta um artista pós-vanguardas.
Artista do séc XXI. Vá além dessa dimensão. Diego El Khouri, cuidado com portais!
Viva sua arte nessa hipermodernidade. No fim, cairemos na estrada e nos tornaremos pó, desse vermelho sangue de suas obras…Infinita estrada!
Joka Faria
João Carlos Faria
Julho de 2018

* Retirado do site cultural Entrementes:

segunda-feira, 16 de julho de 2018

AOS 88

Por: Ivan Silva

Aos 88 e ainda mantinha a disposição
de andar pelas ruas


todos os dias


vendendo cantigas que inventava cantando
e transcrevia na hora...


Ninguém comprava. Todos estavam certos
mesmo quando disseram "larga isso,
não dá futuro, vintém, dim dim!"


É, 88 anos de cantiga e caminhando,
na pindaíba, mas não deu o gostinho
ao bando de conselheiros. Viveu e morreu
cantando.

domingo, 15 de julho de 2018

TRÔPEGO

Por: Brasil Barreto

Neste mundo  torto,
fui  ficando manco
de tantos  tropeços
nas pedras  expostas
em restos  de caminhos,
quais, não os  mereço.


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* in  Farpas & Fagulhas; pág. 35

terça-feira, 10 de julho de 2018

RADINHO DE PILHA

Por: Rogério Skylab


Num lapso de instante...
Como quem lê um livro
entre duas estações...
Escrevo rápido pra não dar na pinta.

Escrevo como quem rouba.
Sem chamar nenhuma atenção.
Como quem fabrica uma bomba.
No meio do serviço, sem que ninguém me veja,

eu escrevo nestes segundos fugidios.
O que me coube neste mundo, heim?
Furtar ao tempo o instante.

Encosta o ouvido.
Estamos na época da alta definição.
Escuta esse radinho de pilha.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

MAIS UM PAPO COM O ARTIVISTA FABIO DA SILVA BARBOSA

Por:  Diego El Khouri 

Tive a honra de conhecer esse maluco  em 2009 através do zine O Berro que fazia em parceria com  Winter Bastos e Alexandre Mendes (há  8 anos ele produz o zine Reboco Caído na qual na primeira edição saiu uma entrevista comigo). O grande poeta Glauco Mattoso que me apresentou esse  puta trabalho. Depois em 2010 nos conhecemos pessoalmente quando  ele  morava em Niterói (RJ). Que noites de boêmia e trocas de experiências e trabalhos!  Hoje  Fabio  mora no Rio Grande do Sul.  O entrevistei, para esse blog,  três vezes (essa é a quarta).  Sempre sai coisas  incríveis  desse papo. Os convido a mais essa viagem no universo lúcido e emancipador  de suas palavras:

* Para viajar em   seu universo criativo:





1) Literatura

Nome pomposo. Certas palavras vão sendo utilizadas por grupos que a tornam desagradáveis. Sou contra toda forma de elite, seja financeira ou intelectual. Estas elites são falsas. Privilégios cuidadosamente cultuados para manter as coisas como estão. E, sinceramente, não gosto das coisas como estão. Para você ter uma ideia do que estou falando, dia desses fui convidado para um tal seminário. Falei em uma mesa junto com uns tais poetas. O primeiro que falou cagou tanta vaidade, encaretou tanto a poesia, que ao chegar minha vez me identifiquei como escrevedor e minha produção como qualquer coisa menos literatura. A gente acaba querendo se afastar destas palavras para não ser confundido com esses caras cheios de frufru que enfraquecem a ideia. Produzem algo vazio de significado. O que faço não é a mesma coisa que ele faz, entende? É outro processo. Tô mais pra autista que para artista. Agora, também é aquilo: Isso que pode acabar me fechando em mim, acaba sendo mais abrangente que muita coisa que se vê por aí. Nesse momento, muito artista passa a ter um autismo em grau mais elevado que o meu. Essa linquagem figurada de chamar o ato de se fechar como autismo nem é justa para os portadores da doença, pois, quando vamos analisar o quanto as cabeças que se julgam pensante estão fechadas, vemos que eles estão mais trancados em si do que os enfermos. Tudo gente hipócrita, perdida na umbigolândia. Não podemos confundir o processo de autoconhecimento com o processo egoísta que enfeia tudo. Em tempos como os nossos, onde o fascismo tenta botar a cabeça para fora do bueiro, por exemplo, onde estão os artistas? Onde estão os tais senhores de percepção apurada, por exemplo, se posicionando contra a direita imunda? Muito pelo contrário. Você encontra os caras covardemente não querendo falar de política. Onde estão os intelectuais enquanto imigrantes são postos em gaiolas nos EUA? Onde estão as tais cabeças pensantes enquanto roubam os direitos dos trabalhadores e a corrupção se solidifica a luz do dia? Onde estão os artistas enquanto ditaduras se formam a olhos vistos? Onde estão estas pessoas que se julgam tão importantes? Eu sei onde estou e sei o espaço que minha produção ocupa. Quem acompanha meu trampo também sabe. Tenho mais dois livros prontos e tô na correria para conseguir lançar ainda esse ano. São duas pequenas histórias que refletem muito do nosso mundo. Uma é uma saga urbana, sobre um cara bem ferrado. Outra é sobre um futuro distópico que tem muito a ver com nosso presente. Um dos muitos caminhos que a triste humanidade pode seguir. Eu me aventurando na área da ficção científica. Mas o caminho é sempre difícil para os que não se enquadram, para os que nadam contra a corrente e buscam não fazer parte das panelinhas.


2) Por que escrever?

Cada um com suas motivações e por vezes existem vários motivos em cada um. Eu escrevo por necessidade interna, por gostar dessa ferramenta... Enfim... Por que não escrever?


3)  Zines.

Gosto bastante destes meios de comunicação. Tem um grande cara, o Law Tissot, que certa vez me disse que gostava da idéia de ver os zines como garrafas lançadas ao mar. Também gostei bastante dessa idéia. Produzo o zine Reboco Caído há bastante tempo e já produzi outros pelo caminho. Existem ótimos zines por aí. Acho que é um importante meio de comunicação. Fácil, rápido e barato. É algo tão livre que existe em vários formatos e para diversos fins. Algo que cabe em várias definições.


4) Poesia.

Vide resposta sobre literatura.


5) Cinema.

Gosto bastante. O cinema nacional, para mim, é o melhor do mundo. Embora já faça algum tempo que esteja perdendo muito de sua essência, ainda existem caras na luta pelo verdadeiro cinema brasileiro. E isso não tem nada a ver com o doentio ufanismo patriótico. Quando falo da grande qualidade do nosso cinema, analiso realmente ingredientes muito peculiares dele. O protagonista de um filme nacional, por exemplo, não precisa ter super poderes, vir de outro planeta, ou possuir armas de raio laser. Ele é o porteiro de um prédio, o padeiro, o operário. Poderia citar aqui vários clássicos do nosso cinema. Filmes que mostram as coisas de uma ótica diferenciada, que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo. Ver filmes como o Homem que virou suco, Lúcio Flávio, Pixote, O Rei do Rio, Pra frente Brasil, By By Brasil, Eles não usam Black-tie, Uma Onda no Ar e tantos outros, é um verdadeiro presente. E vir ao mundo é não perder a viagem. Chega a ser difícil buscar exemplos. A gente se sente injusto não cotando vários. Para citar tanta coisa boa precisaria de fazer uma lista enorme. Mas pensa em enorme. Tem muito documentário bom também. O excelente Vladmir Seixas tá com trabalho novo aí na quebrada. Fico triste quando vejo o pessoal jogando dinheiro fora querendo fazer filme estilo norte americano, seguindo o esvaziamento de sentido e significado que representa Hollywood. Não, que não existam bons filmes vindo de outros lugares. Claro que tem. Até dos EUA vem coisa boa. Mas realmente nunca vi nada como o cinema nacional. É algo lindamente combativo e com o que o espectador se identifica de primeira. Aquela coisa que você olha e vê logo que tem a ver, sabe. É algo até difícil explicar, de uma riqueza vastíssima.


6) Drogas.

Nome genérico para rotular grande variedade de substâncias. Existem as lícitas, as ilícitas, as que as pessoas fingem não ser drogas... Existem as ancestrais, que estão há muito tempo com a gente e fazem parte da história da humanidade. Plantas de poder são utilizadas por muitas comunidades antigas e vistas como fontes de conhecimento e saúde há gerações. Algumas destas plantas são utilizadas também em cultos religiosos. Existem também as que enriquecem a indústria farmacêutica, vendidas em drogarias. Outro dia passei por uma destas lojas onde tinha uma grande placa na porta anunciando promoção de remédio. Imagina. Esse meu livro que fala sobre um futuro distópico também discute isso, entre outras coisas. As drogas agem em nosso organismo de acordo com diversos fatores. Existem os fatores culturais, psicológicos, as pré disposições e até mesmo fatores físicos. Alguns conseguem lidar bem com certos tipos de drogas, enquanto outros se tornam verdadeiros escravos zumbis. O maior problema das drogas ilícitas hoje é o modo como são tratadas na maioria dos lugares. A ótica punitivista e preconceituosa é sempre prejudicial ao diálogo e ao conhecimento. O problema das lícitas é seu uso empresarial. Sempre que algo vira fonte de lucro e produção em escala industrial começam os problemas relativos a qualidade e veracidade das informações sobre. A cerveja, por exemplo. Droga largamente consumida e socialmente aceita, mas que hoje conta com o milho transgênico em sua composição em fábricas que produzem em grande escala.


7) Uma frase.

Não pode haver liberdade de reprimir ou tolerância com a intolerância. (FSB – Eu mesmo)


8- Militarização

Atraso

9- Reboco Caído

Vou utilizar uma definição que utilizei para ele no número um e que até hoje cai bem, por mais que tenham passado várias fases durante este tempo de caminhada: zine xerocado, dobrado e grampeado. Um lugar para tudo que vier na cabeça e passar pelo campo dos sentidos. Um ambiente plural, a favor da diversidade.


10- Um poema

Escolher um é sempre difícil, mas vou tentar. Restos Mortais Por Fabio da Silva Barbosa o homem de bronze deitado na calçada encostado na parede no meio da sujeira não desperta interesse ou mera curiosidade dos que passam apressados restos desprezados braços dobrados pernas encolhidas cada parte retorcida em uma tensão pacífica a chuva começa a cair molhando o cadáver que respira ofegante em um bailar de pele e osso


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domingo, 1 de julho de 2018

UM RASCUNHO DE MANIFESTO

Por: Joka  Faria
A poesia é indigesta e mortal. Nem sempre trata do belo e sim realidade crua. Retrato de nossa alma quase inexistente. Mergulha-se em abismos!
Felicidade é algo para tontos e fracos? Vivemos em guerras infinitas contra nossos inúmeros defeitos de fabricação. Não existimos, meras sombras, desespero.
Não sei criar rimas lindas e perfeitas.
Morro com o passar do tempo, sempre implacável.
Solidão, destino desumano.
Obervar, dissecar a vida, bisturi de incertezas.
Bebo constantemente da taça da desilusão.
Mergulho na noite fria e escura de um inverno quase permanente.
Meras sombras aqui e agora, almas corsárias,
“Filhos da Morte Burra”, santa crueldade de Edu Planchez.
Nas tristes manhãs do Rio de Janeiro.
Será que somos o morador de rua no ponto de ônibus, da avenida de nosso bairro?
Não se vê na dor do próximo, dores imperfeitas.
Canto canções nas pinturas de Davi F. F.
A poesia é indigesta!
Retrata nossa mortalidade.
Não existimos, meros nomes em documentos, trabalhadores braçais da decadente escola brasileira.
Não sabemos a língua do povo?
Barões de ossos, almas primitivas.
A poesia é indigesta, a poesia é para poucos.
Nunca escrevi ou li a luz de vela, como na imagem de um sarau por acontecer!
Canto canções, metafísicas de dor, desânimo na desumanidade nossa de cada dia.
Quero ler Piva, quero ler Piva.
Mergulho na caótica poética de Jacek Ricardo Sielawa que nos atormenta desde os anos 80, aponta o dedo para nossa zona de conforto.
A poesia é indigesta!
Como na “Canoa de Ossos” de Ricola.
Poesia indigesta, vômitos de incrédulos, zumbis, mortos.
Dedos apontados contra nossa ingenuidade… Indigesta, indigesta, indigesta.
Não somos, não existimos … meros retalhos de consumo … Redes sociais nos faz sentir pertencentes ao vazio.
Eu, mera dor, poesia indigesta.
Mera solidão, contestação, morte anunciada do fracasso da civilização.
Canções de almas perdidas, o que Diego EL Khouri faz na sagrada universidade federal, que termine o curso e pegue um diploma que não retrata a crueldade do não acontecer das escolas públicas.
Sempre estamos a mentir.
A poesia é indigesta.
Quem vai ao desconcertante ritual de um sarau a luz de vela?
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