segunda-feira, 20 de maio de 2013

ILÍCITA VIAGEM


(Por Diego El Khouri)

hoje paralisei o mar
para nele extrair a essência do belo
mas não me viram
nem atravessaram portas, janelas
muito menos vagões de carga
ou caminhos possíveis
pois eu não existo, eles não existem
você não existe

Moléculas soterradas uma em cima das outras
nas cordilheiras que desabrocham amores
com nudez sem pecado
traduzo minha poesia
no engodo carnal
que o alimento produz

sou raio, sombra, tempestade
quem rouba o fogo, controla os elementos
herdeiro direto de Rimbaud
cliente compulsivo da ilícita viagem
amante ardente
bom bebedor de vinho
sou isso tudo
                     a luz, o sol

olhos vidrados que o mundo não conhece
tenho delírios que nem a viagem obedece
seguro a terra em minhas mãos
e o beijo molha ainda mais as vulvas
suspensas na paisagem do amor

estou aqui sentado
numa segunda-feira ensolarada
fumando mais um cigarro
de cueca e caneta em punho
observo estrelas que procuram
portas e janelas inexistentes
observo (...)
                        observo
o mar paralisado, as costas da terra cansada
e o beijo voraz na sua boca
que não acaba mais.

Rio de Janeiro, maio, 2013

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