terça-feira, 17 de novembro de 2015

FILHAS (OS) DE PORRA NENHUMA

Poema: Edu Planchêz
Desenho: Diego El Khouri





Apago todas as minhas palavras com palavras,

já que não paro de falar,

que a tagarelice se opõe ao meu silenciar,


e é entre as palavras que encontro silêncio,

que abro um novo portal,

estou a empurrar a emperrada porta da existência,

The Doors 1967 rasgando os nenhum motivos

para manter vivo em mim o último passado

de paixões complexas,

Jim Morrison grita, eu grito,

grita Diego El Khouri e Alvaro Nassaralla,

grita Tiça Matta, grita Catarina Crystal,

grita Rosa Maria Kapila

e todos os outros filhos da argila




Nascidos no barro, na borra,

na mancha alucinada William Burroughs,

nascidos e morridos,

em decomposição composição cósmica humana


Viemos da fumaça da mais deliciosa maconha,

agarrados no rabicho, no filete da lâmpada,

ou mesmo das catapultas das paredes

do cérebro metáfora Renato Russo...

e o Doors segue solto

pelas flanelas orientais

que nos acaricia

o sexo e os ouvidos




Mas voltando a tagarelice,

e o silencio estrondo ejaculado por ela,

voltando ao pináculo da alta floresta do darma

de nada fazer sentados nus no muro das herdades

Pelos meandros dos esmiuçados olhos

que nos unem ao porrete, a porra,

ao dramático e arrombante rock sem pai nem mãe




E foda-se essa civilização eunuca

gestada pela gosma televisiva;

que todos se dopem com essas palavras

arrombadas filhas de porra nenhuma


Um comentário:

  1. É interessante como expões seu ponto de vista, mas eu gosto mas dos escritos que transmitem paz. Vejo uma rebeldia, que respeito nesse poema, mas não é o tipo de poesia que eu gosto. Recentemente li um livro de poema do Bukowski, e o cara em seu mundo "particular" consegue transmitir bastante paz. Grande abraço.

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