quarta-feira, 4 de maio de 2016

-- MARIANA VALLE E SUA POESIA --

Por: Diego El Khouri



Mais uma artista interessante nas páginas virtuais desse blog: Mariana Valle. Conheci essa grande escritora no sarau chamado Pelada Poética que acontece toda quarta feira na praia do Leme no Rio de Janeiro (RJ); sarau criado e organizado pelo ator e poeta Eduardo Tornaghi. Abaixo a entrevista que a poetisa me concedeu:







1)        Como foi seu início na poesia?

 Com 12 anos, apaixonada por um amiguinho de escola, escrevi meu primeiro poema. Aí no final do poema, lembrei que tinha um dever de casa de Português para entregar no dia seguinte, no colégio. Devia fazer um texto sobre algo pelo qual eu estivesse esperando. Aí acrescentei  a estrofe: "Eu te espero / Não sei se irá chegar/ Tentarei te esquecer,/ Mas enquanto não consigo/ Continuarei a te amar". Aí quando entreguei o dever, a professora adorou, a família também e todos me incentivaram a continuar escrevendo. E continuo até hoje.

2)         Livros e autores que te marcaram profundamente.

Nelson Rodrigues e Bukowski (os de prosa) são alguns de meus preferidos. Os livros de Érico Veríssimo foram os que me fizeram começar a gostar de ler. E Machado de Assis influenciaram muito meu jeito de escrever, inclusive na minha época de jornalista na TV Globo. Na poesia, curto muito o estilo do Leminski e de alguns amigos escritores, mas confesso que gosto mais de ler prosa do que poesia, apesar de escrever mais poesia do que prosa.




3)        Você se utiliza de algum método para criar? De que forma surgem seus poemas?

Não sou nada metódica. Os poemas surgem das mais variadas maneiras. Na maioria das vezes, escrevo muito rápido. O poema começa a pipocar na minha cabeça e em poucos minutos o escrevo todo. Edito muito pouco meus poemas. Apenas quando não estou muito inspirada é que acontece de eu começar a escrever e parar antes de finalizá-lo e, dias depois, pegar aquela parte e desenvolvê-la até se transformar num poema completo. Me inspiro não só com o que estou sentindo, mas com palavras que leio, que ouço ou imagens poéticas que surgem na minha cabeça. Não preciso estar sentindo aquilo para escrever. O que me inspira é o prazer de criar.


4)        Como é sua relação com outros escritores no Brasil e como vê a cena cultural atualmente?

Conheço pessoalmente muitos escritores que admiro.Outros conheço só de Facebook, mas também admiro. E alguns são meus amigos pessoais, porque conheci nos saraus e/ou em outros lugares e desenvolvi uma amizade real. Acho que o Rio de Janeiro tem muitas opções boas de saraus e muito bons escritores. Eu é que, ultimamente, por conta do meu trabalho no hotel, quase não tenho freqüentado os eventos, mas pretendo voltar aos poucos.



5)        Você é uma grande  freqüentadora de diversos saraus no Rio de Janeiro. Quais os   artistas da nova safra que mais lhe agrada?

Gosto muito da Marla de Queiroz, dos poemas do meu amigo e eterno mestre Cairo Trindade, curto os haikais da Yassu Noguchi, os poemas e textos do Marcos Bassini, os textos da Caró Lago, da Alice Souto, da Thamar de Araújo, da Flávia Cortes, do Jocê Rodrigues, do Vinícius Antunes, dentre outros. Também gosto muito de ler os contos do Julio Damasio, do Thiago Mourão e da Julia Mac Dowell.


6)        Como foi participar do evento S.U.B.A.  comemorando os 75 anos do Vidigal? Nos fale mais   o que seria esse evento.

 O evento SUBA é muito legal. Conheço alguns dos organizadores e fiquei muito feliz de participar mais de uma vez, porque todas as apresentações artísticas que vi lá foram muito interessantes. De alto nível. E participar dos 75 anos do Vidigal foi melhor ainda, porque foi uma festa que contou com mais moradores da Comunidade do que as outras edições do evento e eu pude conhecer vários artistas da comunidade. Acredito no poder transformador da arte e da cultura.


7)        Como andam os incentivos e a abertura de espaços para as formas de expressões artísticas no Rio de Janeiro?

 Espaço tem bastante, incentivo financeiro já é outra história. Acho que o governo investe muito pouco na cultura e na educação. 

8)        Ainda  continuar acreditando na literatura?

 Eu acredito na literatura. Acredito no poder transformador da literatura para quem lê e para quem escreve, mas gostaria de poder acreditar na literatura como meio de sustento para mim e tantos outros escritores também. Ainda não perdi a esperança. Quem sabe um dia eu ainda chego lá?

9)        Qual seria a melhor forma de morrer?

 Dormindo.

10)      Uma poesia pra finalizar.

 Confissão



Como reprimir o que se sente
Quando a emoção lateja
Nas veias, no sangue, na carne?
E a correnteza do sentimento
Arde e treme, perene?
Como não dizer com a boca
O que a pele sem roupa
Tantas vezes já confessou?
Como disfarçar esse calor?
Teu corpo me alucina,
Teu sêmen, minha sina,
O meu êxtase, teu mel.
E nessa babel de gritos e sussurros,
De corpos derretidos no escuro,
Eu me perco e me acho,
E me afasto do resto do mundo,
Em eternos segundos
Em que estou toda em você,
Meu maior prazer.

(Mariana Valle)

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