Uns tempos antes de falecer, meu pai,
meu querido pai, me disse
"o que você fez pela vida?"
eu disse"poemas, canções",
e ele continuou "você não possui nada,
não trabalhou, apenas vagabundou,
se encostou nos outros",
eu nada respondi,
ele não compreenderia,
lembrei de Jack Kerouac
comentando com Neal Cassady
"uns dias antes de morrer, meu pai falou
"me mostre tuas mãos, você não tem calos,
não fez nada pela vida"
"Tinha eu 14 anos de idade
Quando meu pai me chamou
Perguntou-me se eu queria
Estudar filosofia
Medicina ou engenharia
Tinha eu que ser doutor
Mas a minha aspiração
Era ter um violão para me tornar sambista
Ele então me aconselhou
Sambista não tem valor
Nesta terra de doutor, e seu doutor
O meu pai tinha razão"
Meu Pai, o poeta cantor Roberto Paranhos,
casou, fabricou sete filhos,
ele casado com minha mãe
tinha uma namorada chamada Jozete,
segundo minha mãe, ela minha mãe rasgou
todos os cadernos de poesias de Roberto Paranhos,
ali, o poeta morreu,
e eu sabendo disso quis ser poeta,
dei continuidade o que Roberto Paranhos fazia,
"vai bicho, desafinar o coro dos contentes",
e eu fui e continuo,
desafinando a turba que hoje aplaude os fundamentalistas
e as beatas das águas de salsichas
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( edu planchêz pã maçã dylan silattian )

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