quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Poema de Edu Planchêz Maçã Silattian sobre a herança maldita da poesia

 



Uns tempos antes de falecer, meu pai, 

meu querido pai, me disse 

"o que você fez pela vida?" 

eu disse"poemas, canções", 

e ele continuou "você não possui nada, 

não trabalhou, apenas vagabundou, 

se encostou nos outros",

eu nada respondi, 

ele não compreenderia,

lembrei de Jack Kerouac 

comentando com Neal Cassady

"uns dias antes de morrer, meu pai falou 

"me mostre tuas mãos, você não tem calos,

não fez nada pela vida"


"Tinha eu 14 anos de idade

Quando meu pai me chamou

Perguntou-me se eu queria

Estudar filosofia

Medicina ou engenharia

Tinha eu que ser doutor

Mas a minha aspiração

Era ter um violão para me tornar sambista

Ele então me aconselhou

Sambista não tem valor

Nesta terra de doutor, e seu doutor

O meu pai tinha razão"


Meu Pai, o poeta cantor Roberto Paranhos,

casou, fabricou sete filhos, 

ele casado com minha mãe 

tinha uma namorada chamada Jozete,

segundo minha mãe, ela minha mãe rasgou 

todos os cadernos de poesias de Roberto Paranhos,

ali, o poeta morreu,

e eu sabendo disso quis ser poeta,

dei continuidade o que Roberto Paranhos fazia,

"vai bicho, desafinar o coro dos contentes",

e eu fui e continuo,

desafinando a turba que hoje aplaude os fundamentalistas

e as beatas das águas de salsichas

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( edu planchêz pã maçã dylan silattian )



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