Por Fabio da Silva Barbosa
Uma poesia para você por no espaço que achar mais adequado:
A dor e o horror de se viver na geleira artificial de um mundo hipócrita, covarde, esterelizado e de uma bondade cruel e conformista
estamos na época da positividade tóxica
onde não devemos nos rebelar
sentir raiva ou gritar
tudo tem de ser limpo, calmo e cheio das tais boas vibrações
fico escutando seu discurso de bom moço
enquanto o mundo despenca
nos precipícios criados
pela humanidade suicida
enquanto escuto sua voz fraca e baixa
como a merda de um guru exotérico
finco as unhas em minha face
deixando a carne se abrir em rasgos infames
as garras vão desenhando sucos profundos na pele
enquanto a ardência nos lembra que toda essa loucura é real
que o horror é a vida
e a vida foi transformada em todo esse lixo terrível que nos cerca e sufoca
o sangue escorre grosso
e as marcas permanecem por um longo tempo
lembrando que a dor não irá nos tirar
deste fúnebre pesadelo
que se arrasta através dos dias
futuro perdido de uma geração apática
escrava das frias telas, da farsa algoritma e da estéril "realidade" virtual
que nada tem de real na existência superficial
perdendo a vida para a inteligência artificial
que nada tem de inteligência e que transforma a humanidade em algo banal
é realmente surreal
como este triste animal
consegue abrir mão da saúde mental
por algo que vale tão pouco
como a escalada social ou o carimbo de aceito em algum clube boçal
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