terça-feira, 21 de julho de 2026

A dor e o horror de se viver na geleira artificial de um mundo hipócrita, covarde, esterelizado e de uma bondade cruel e conformista

  Por Fabio da Silva Barbosa 


Uma poesia para você por no espaço que achar mais adequado:


A dor e o horror de se viver na geleira artificial de um mundo hipócrita, covarde, esterelizado e de uma bondade cruel e conformista


estamos na época da positividade tóxica 

onde não devemos nos rebelar

sentir raiva ou gritar

tudo tem de ser limpo, calmo e cheio das tais boas vibrações


fico escutando seu discurso de bom moço 

enquanto o mundo despenca

nos precipícios criados

pela humanidade suicida


enquanto escuto sua voz fraca e baixa

como a merda de um guru exotérico 

finco as unhas em minha face

deixando a carne se abrir em rasgos infames


as garras vão desenhando sucos profundos na pele

enquanto a ardência nos lembra que toda essa loucura é real

que o horror é a vida

e a vida foi transformada em todo esse lixo terrível que nos cerca e sufoca 


o sangue escorre grosso

e as marcas permanecem por um longo tempo

lembrando que a dor não irá nos tirar

deste fúnebre pesadelo

que se arrasta através dos dias


futuro perdido de uma geração apática 

escrava das frias telas, da farsa algoritma e da estéril  "realidade" virtual

que nada tem de real na existência superficial

perdendo a vida para a inteligência artificial

que nada tem de inteligência e que transforma a humanidade em algo banal


é realmente surreal

como este triste animal

consegue abrir mão da saúde mental

por algo que vale tão pouco

como a escalada social ou o carimbo de aceito em algum clube boçal

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