quarta-feira, 31 de outubro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
APÓS LER DIEGO EL KHOURI
( Por Queiroz Filho )
Demônios feladores dançam ébrios
Sobre as sangrentas costas do Senhor,
Enquanto um Rufião - Seu cozinheiro!
Vai temperando as carnes judiadas
No Karma das memórias fuziladas...
Cantando: - we are the champions, trouxas!...
De Príapo, o caralho quilométrico,
Assiste-se enroscar-se sobre Eva,
Que o século das Lilitihis, anuncia!...
Oh! Buceta-portal, Anatematize-nos!
Lavando-nos com esse gozo ácido!
Pois há tanto já estamos costumados...
Se Deus existe é um Anjo Kaiowá
Que se matou por nojo aos seus filhos!...
Sobre as sangrentas costas do Senhor,
Enquanto um Rufião - Seu cozinheiro!
Vai temperando as carnes judiadas
No Karma das memórias fuziladas...
Cantando: - we are the champions, trouxas!...
De Príapo, o caralho quilométrico,
Assiste-se enroscar-se sobre Eva,
Que o século das Lilitihis, anuncia!...
Oh! Buceta-portal, Anatematize-nos!
Lavando-nos com esse gozo ácido!
Pois há tanto já estamos costumados...
Se Deus existe é um Anjo Kaiowá
Que se matou por nojo aos seus filhos!...
///
Obrigado, Queiroz Filho!!
Vejam o blog desse grande poeta mineiro:
PAIXÃO ELEVADA
(Por Diego El Khouri)
Tropeçamos bêbados nas esquinas
lúcidos vivemos juntinhos
estrelas cadentes sem correntes
pelos becos imundos sobrevivemos
artistas palhaços da noite que não cessa
eis me aqui nu
amando luas e estrelas
alto
elevado
cabeça nectarizada pelo álcool
ó derradeira noite
que fez me poeta
beija-me com calma
torna-me radiante
quero que a lucidez seja
um precipício constante
sobrevoar em tua calda
ó bailarina errante.
Teus olhos varam corações
que caminham na cidade
solitários nos saraus, nos bares
gritando sem nexo na madrugada
vomitando nos banheiros
e fazendo chantagem
na derradeira noite
que acende as velas mortuárias
da paixão.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
BRINCAR DE DESTINO
(Por Diego El Khouri)
Vejo que vivo
as sombras da ruína.
Amargo estupor.
Criança que no sorriso
se acalenta
envolta em amor.
Se busquei ar
nas plagas azuis
do outro lado da rua
ou
nos confins do mundo
se tentei amar
mesmo quando o sangue
descia pelas ventas
se amolei a faca
e brinquei nos meus pulsos
um destino
a poesia NÃO
não pereceu totalmente
como minha alma, minhas idéias
meu corpo
essa tríade subversiva
da jornada incomum de todo poeta-fogo.
Vejo que vivo
as sombras da ruína.
Amargo estupor.
Criança que no sorriso
se acalenta
envolta em amor.
Se busquei ar
nas plagas azuis
do outro lado da rua
ou
nos confins do mundo
se tentei amar
mesmo quando o sangue
descia pelas ventas
se amolei a faca
e brinquei nos meus pulsos
um destino
a poesia NÃO
não pereceu totalmente
como minha alma, minhas idéias
meu corpo
essa tríade subversiva
da jornada incomum de todo poeta-fogo.
sábado, 27 de outubro de 2012
O QUE...?
(Por Diego EL Khouri)
as encostas bravias
do meu peito
é febre dilacerante
encontro de mares
noite abjeta
decepcionante.
doença bailarina
torpor absoluto
o grito abafa a voz
clamo a mim mesmo
que eu acorde
e durma dentro
do meu mundo.
- mudo -
ambíguo
sem foco
sem renda
perdido
o que dizer?
o que fazer?
dormir
ou acordar?
morrer
ou lutar?
as encostas bravias
do meu peito
é febre dilacerante
encontro de mares
noite abjeta
decepcionante.
doença bailarina
torpor absoluto
o grito abafa a voz
clamo a mim mesmo
que eu acorde
e durma dentro
do meu mundo.
- mudo -
ambíguo
sem foco
sem renda
perdido
o que dizer?
o que fazer?
dormir
ou acordar?
morrer
ou lutar?
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
FANTASMAS DAS ESTÉTICAS
(Por Joka Faria)
“Nós, “clowns de Shakespeare,” últimos sobreviventes da ordem visionária sísmica poética planetária , filhos de Baco, herdeiros de Xangô, orixá do trovão, iluminados por João de Aruanda e Marquês de Sade, propomos a destruição das conquistas platônicas e cristãs no que se diz a respeito da valorização excessiva e insensível da razão. Não queremos racionalidade absoluta. ( Diego El Khouri)

Meus fantasmas tentam tomar conta de mim, às vezes saem na frente. Eu em silencio, combato este bom combate. Parece que vou suncubir diante destes demônios, que no fundo são partes de mim. A luz parece sumir. E para aliviar, navego e leio poetas que tentam alcançar uma fresta de luz neste imenso abismo em que vivemos. Assisto peças de teatro de uma época da Rússia, antes da revolução. Estas nossas revoluções de fora, nunca de dentro, nos trazem muita dor. Parece que me esvazio nesta noite, tenho sede de palavras. Viver não tem sentido se não nos descobrirmos e passamos a vida toda tentando nos achar. Vejo as discussões sobre as estéticas da escrita e de fato elas não me dizem nada. A poesia concreta tem a seu favor que junta as artes plásticas e as palavras, em busca de algo novo. Mas a poesia concreta já teve seu tempo, assim como qualquer gênero literário. O que nos trazem de novo hoje? Cadê os poetas que falam com certeza deste universo midiático em que vivemos? Que coisa… numa charge esta lá o livro Retinas. Devo lançar outras obras e perco-me em labirintos e ausência de debates sobre o que é escrever em nossos dias.
Qual a função do escritor, do poeta do artista? E já não tenho respostas e não ouço nada que vale a pena. Só repetições de velhos debates em caras novas. Nisto compreendo a critica de Edu Planchez aos concretos. Mas quem se lança a debates? Ninguém se expõe! Gostei de um escrito de Diego El Khouri, na verdade um delírio poético que me fez notá-lo. Mas quem quer saber de transformações reais, nestes dias de eleições municipais? Nem a um debate político que busque um novo pais.
Abro a janela de meu quarto para respirar um pouco. E dou de cara com Jack London em minha porta. Veio me perguntar se já o li e sinto-me envergonhado. Ando a ler somente apostilas de um curso de Pedagogia que faço, faz parte da vida. A cidade não se inspira, vejo uma cidade quase morta, asfixiada. Cadê a juventude? Os papos sempre são os mesmos, um anarko individualismo que reflete a alienação dos pseudos intelectuais da nova geração. Não entenderam nada das propostas e da vida de um amigo que circulou pelas periferias da velha Europa e das cenas alternativas, mas talvez ele não soubesse se expressar.
A vida segue aqui ou em qualquer lugar e tenho milhões de livros para devorar. E paredes e mais paredes para atravessar. Vejo-a longe. Leonora? Cadê você? E um corvo grita: nunca mais nunca mais. É Edgar Alan Poe, um grande escritor que morreu abandonado numa rua de Nova Iorque. José Omar de Carvalho visitou seu tumulo, Zé nunca mais.
Tento compreender o escrito e a ânsia de vomito despejada por El Khouri. Estou ruminando estas palavras lançadas por tantos e tantos ao longo da historia. A poesia se faz viva e nunca morre. Cadê a rebeldia de nosso presente? Já não tenho paciência para ouvir o passado que passou, estou vivo hoje e só hoje que contemplo novos rebeldes. A vida sempre segue. Mas o que é não querer esta racionalidade absoluta que canta El Khouri.
E este cartesianismo e pragmatismo que assola a política e que não deixa espaço para novas idéias. E este homem que só busca saciar o próprio estomago e deixa a espiritualidade de lado. Que busca um sexo de luxurias e não de transformação e amor? Não deixo de me incluir nesta humanidade demoníaca que se afunda na lama do abismo. A vida segue nesta ou em qualquer dimensão.
Vejo-me à beira de um abismo, alguém segura minha mão e diz que nesta vida deveria aprender três valores. Será que já cheguei a esta resposta? Seguir em frente é fácil, desvendar-se gasta uma eternidade. Quero a arte que transforma. Quero a amizade que me traga sabedoria. Quero o amor que me eleve. Eu aqui, mortal a respirar estes ares quase sem oxigênio. Saudade de minha sagrada Mantiqueira e de meu infinito Oceano Atlântico. Quero adentrar ao mundo da inefabilidade … Cadê os poetas? Ainda restam poetas nesta torta humanidade? A vida segue … E os Bardos irão cantar dentro da floresta…Há uma grande ciranda que nos trará novamente a eterna Celebração ao Renascimento da Poesia e do Humanismo, assim bradou Alen Ginsberg. E assim continuaremos a dançar e cantar… Celebremos a poesia, pois somos CELEBREIROS…
JOKA
joão carlos faria
joão carlos faria
Texto de Joka Faria retirado do blog: http://entrementes.com.br/2012/08/fantasmas-das-esteticas/
terça-feira, 23 de outubro de 2012
AMOR LIVRE
(Por Diego El Khouri)
Por te amar tornei a felicidade signo intocável
vento fugaz...
os olhos vidrados
na madrugada nada dizem
a não ser
que
a fome
que alimenta nossos corpos
é combustível poético
pássaro
que
canta machucado
"vencido em meu castigo"
pernoitado em insólitas paragens
que
a burrice ariana
trás
vou te amando
preso
submisso
e criminoso
nessa louca liberdade
que o desejo FAZ.
Por te amar tornei a felicidade signo intocável
vento fugaz...
os olhos vidrados
na madrugada nada dizem
a não ser
que
a fome
que alimenta nossos corpos
é combustível poético
pássaro
que
canta machucado
"vencido em meu castigo"
pernoitado em insólitas paragens
que
a burrice ariana
trás
vou te amando
preso
submisso
e criminoso
nessa louca liberdade
que o desejo FAZ.
TRAZEI TENTACIÓN
(Por Diego EL Khouri)
Nessa mania de adendos,
desaprendi a voltar.
Brasil Barreto
Cidade cinza
gosto de maracujá
noite-vivo
acordo em
Jacarepaguá.
Claro,
tô num bar escuro.
(breu
sujo
sei)
Noite adentro
caio em tudo.
Lapa linda
dos vagabundos
trazei as meninas
ao ventre-mescalina.
Baixo Leblon
mergulho no mar,
tentación.
Nessa mania de adendos,
desaprendi a voltar.
Brasil Barreto
Cidade cinza
gosto de maracujá
noite-vivo
acordo em
Jacarepaguá.
Claro,
tô num bar escuro.
(breu
sujo
sei)
Noite adentro
caio em tudo.
Lapa linda
dos vagabundos
trazei as meninas
ao ventre-mescalina.
Baixo Leblon
mergulho no mar,
tentación.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
COMPREM, BANQUEM, ME ALIMENTEM
(Por Diego EL Khouri)
Ninguém percebeu os esforços sobre-humanos
que me foram necessários para ser
igual aos outros.
Charles Baudelaire
Com o rosto amassado
na retumbante madrugada
vejo os cindo dedos de minha mão direita
pressionados firmes em minha face amarga.
E choro compulsivamente em silêncio.
Por que Marcela, vês em mim a Liberdade
se as grades fazem parte do meu dorso calejado?
Por que me olhas assim espantada?
Não percebes o quanto sofro,
o quanto me maltrato?
A primavera sutil vem, eu sei,
mas o que isso importa nessa cidade?
Não há mais vida nem morte.
Só os dedos cravados em minha face.
Um egoísmo brutal e safado
que me faz igual a esses poetas sem graça.
Avenida Goiás. Na esquina me embriago.
Vender poesias pra leigos é o que mais faço.
Entre eles eu fico em silêncio, calado.
Me confundo com o barulho dos carros
e a fumaça que vomitam da cannabis.
Como disse; poetas sem graça.
Em vez de me tratarem como louco
quero que apenas comprem meu livro num preço nada camarada.
Ninguém percebeu os esforços sobre-humanos
que me foram necessários para ser
igual aos outros.
Charles Baudelaire
Com o rosto amassado
na retumbante madrugada
vejo os cindo dedos de minha mão direita
pressionados firmes em minha face amarga.
E choro compulsivamente em silêncio.
Por que Marcela, vês em mim a Liberdade
se as grades fazem parte do meu dorso calejado?
Por que me olhas assim espantada?
Não percebes o quanto sofro,
o quanto me maltrato?
A primavera sutil vem, eu sei,
mas o que isso importa nessa cidade?
Não há mais vida nem morte.
Só os dedos cravados em minha face.
Um egoísmo brutal e safado
que me faz igual a esses poetas sem graça.
Avenida Goiás. Na esquina me embriago.
Vender poesias pra leigos é o que mais faço.
Entre eles eu fico em silêncio, calado.
Me confundo com o barulho dos carros
e a fumaça que vomitam da cannabis.
Como disse; poetas sem graça.
Em vez de me tratarem como louco
quero que apenas comprem meu livro num preço nada camarada.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
TIROS A ESMO
(Por Diego EL Khouri)
Na ponta de meus olhos
deixei a febre estampada
de minha loucura
e apenas abro os braços
inúteis de meu campo
que é a miragem doce e vulgar
que presenteio aos tolos,
ordinários, bêbados e mesquinhos
com a fábrica extraordinária da poesia
extraída de uma intensa vida
que rápido se vai...
Sofro, bebo, xingo
e consumo um, dois, três amores...
- não me limito ao abismo -
existo, insisto, bebo muito,
finjo, minto, falo, penso,
olho, grito, bebo, venero, renego,
deleito, me deito ao simples toque
do beijo que anuncia madrugadas,
sofro toque, genética doentia,
sinto dores, drogas, nuvens,
suspiros, carinhos, desejos, flores...
Ah que linda noite essa que delineio
em cima de fomes suicidas
e tormentos de primeira classe
na solidão socialista!
há uma menina que sorri
ao meu lado
mil portas, mil bares
no coração da alegria exaltada!
E choro, grito, berro por fora e por dentro...
Que existência estranha é essa!
Que praia linda ainda a se formar
nessa alma arisca, louca e destrambelhada
que estraga tudo nos momentos cruciais!
Convulsões, delírios, espasmos
na madrugada infinda...
"Mas não, não cante comigo"
esse cântico de agonia!
pois é o meu verso
que me mantém vivo
e a poesia o único crime
que não cessa de criar castigos!
Não me calo! Não me entrego! não me sujo!
Ouçam!
Não me calo! Não me entrego! não me sujo!
Outubro, 2012
Na ponta de meus olhos
deixei a febre estampada
de minha loucura
e apenas abro os braços
inúteis de meu campo
que é a miragem doce e vulgar
que presenteio aos tolos,
ordinários, bêbados e mesquinhos
com a fábrica extraordinária da poesia
extraída de uma intensa vida
que rápido se vai...
Sofro, bebo, xingo
e consumo um, dois, três amores...
- não me limito ao abismo -
existo, insisto, bebo muito,
finjo, minto, falo, penso,
olho, grito, bebo, venero, renego,
deleito, me deito ao simples toque
do beijo que anuncia madrugadas,
sofro toque, genética doentia,
sinto dores, drogas, nuvens,
suspiros, carinhos, desejos, flores...
Ah que linda noite essa que delineio
em cima de fomes suicidas
e tormentos de primeira classe
na solidão socialista!
há uma menina que sorri
ao meu lado
mil portas, mil bares
no coração da alegria exaltada!
E choro, grito, berro por fora e por dentro...
Que existência estranha é essa!
Que praia linda ainda a se formar
nessa alma arisca, louca e destrambelhada
que estraga tudo nos momentos cruciais!
Convulsões, delírios, espasmos
na madrugada infinda...
"Mas não, não cante comigo"
esse cântico de agonia!
pois é o meu verso
que me mantém vivo
e a poesia o único crime
que não cessa de criar castigos!
Não me calo! Não me entrego! não me sujo!
Ouçam!
Não me calo! Não me entrego! não me sujo!
Outubro, 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
DUBITO
(Por Diego EL Khouri)
me beija
quando fechares
os olhos cegos de dia
que é assim que
a manhã escurece
e beba
beba
mais um pouco do meu vinho
que é cálice liberto
entregue a linda profanação do século
e
gesticula
xinga
chora
queimando bandeiras, renegando pátrias
cuspindo cédulas
pés descalços na areia
para deixar digitais no mundo
sem objetivo algum
busque a filosofia que mais lhe agrada
principalmente se desagrada aos outros
se nomeie deus
sem imposto, sem capital
e quando voltares
verás uma noite bela
paralisada no útero da lua
em sêmens borbulhantes
flores desabrochando em contornos contínuos
fruto maduro de cactos florescentes, cachoeiras em volúpia suprema
da montanha o seio da dádiva
do alimento a planta que como
o fumo que enxergo deuses
verás Virgílio beijarás Beatriz
e escorregaremos numa festa de sabão
para o princípio gerador da alma humana
que é
o
Dubito,
ergo cogito, ergo sum
sábado, 6 de outubro de 2012
AOS REACIONÁRIOS DA LINGUAGEM
(Por Diego El Khouri)
A palavra não é estátua de bronze
é viagem lisérgica na sombra da noite,
terremoto instantâneo,
espasmo, espanto, loucura e açoite.
LAPA
(Por Diego El Khouri)
sóis contidos na atmosfera lenta
são as vozes que se anunciam no âmago
já adormecido da manhã tristonha
pura maciez de pele- carmim
pura boca molhada nessa manhã azul morena que transita pensamentos
corre olhos pela epiderme moscadeira
gosto de volúpia e pecado
nesses copos que arcos direcionam
minha vida de séculos na noite-crápula
ó quanta dor
pelo estômago repousa
após uma internação em São Paulo (!)
há uma triste final de tarde em qualquer comércio vagabundo
lei do mercado
"céu trágico"
camadas de ódio e uma infância trancafiada
no futuro que passou
"epíteto de ordem abstrata
aplicada a um ser material"
"se imagina um adorador nato do fogo"
as punhaladas sucessivas buscam saída
por toda minha barriga
Rio de Janeiro, cidade das possibilidades,
crianças putrefatas
o lindo corcovado
exuberante e covarde
uma fina corrente sanguínea sobrevoa ipanema
curicica estou
e as dores nupciais da arte
pelos vãos do caminho sobressaem
não há dinheiro a se conquistar
punhado de vermes
os anjos estão em greve
ermos túmulos de merda
ontogonias formas sucessivas de crimes
boletim de ocorrência senhor el khouri
lapa dos bares que me seduzem
e da beleza que queima a alma
de pau duro
o amor subtrai angústias
agora sim não há portas
o sentido se perdeu
o que mudou?
apenas um solitário abajur na caverna
o amor em frangalhos
lapa das putas transitórias, dos travestis, das drogas e do abraço correspondido
em corpos suicidas
copos vazios, torpes famintos, boca aberta em transe,
e esse silêncio que se apoderou de mim há mais de ano
e que agora
cansa
e me cansa.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
BERRO
(Por Diego El Khouri)
sou o grito em silêncio
dessas lágrimas que não cessam
filho ingrato de ordens falidas
busco ou não busco meu regresso?
as paredes caíram, todas, todas...
enfim o desejo concretizado
por oito anos perdidos no vácuo
e agora o que fazer? para onde ir?
"que imagens santas destruir?"
os versos aqui caíram no vazio
deixar o menor registro possível
dessa existência que é " a via
máxima do gozo eternamente incompleto"
derrubar mais paredes e portas
subjugar todas verdades falsas
amarrar uma corda na viga
ter os pés amantes do vento
balançando de um lado para o outro
num delicioso contentamento
ah que belo tormento
beber todo álcool
antes que acabem com o carnaval
enrabar um por um
filas de opressão e mesquinhez
em qual lado você está,
cumpade translúcido da manhã suja,
catando vermes psicóticos
na opressão familiar-nação?
que paisagem bela
essa que se oferece ao eco de tua voz
parece com a dor
que trago em meu estômago
e a tremedeira de minhas pernas e mãos
ausente do álcool confortador
beijei a Morte todas às vezes que pude
e beijaria outras vezes se pudesse
mas agora é ela que me beija
ela que acende as nervuras de meu peito
e as fissuras de meu pâncreas sem receio
só ela mesmo, só ela, para cobrir me de vestes
num invólucro manto
que roubei dos céus
só ela, ela apenas, o doce Karma que me abraça
e não me mostra as chaves
dessa vil existência
só ela , só ela mesmo meu irmão diáfano,
que tem a paciência de ouvir essa voz calada
sem perguntar absolutamente nada.
Rio de Janeiro, 2012
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