Por: Mariana Valle
o céu aqui está mais azul
menos poluído, mais lindo
e pelo que tenho lido
o canal de Veneza
está uma beleza
voltou à cor original
até coelhos saíram da toca
em Milão, em bacanal
se multiplicando
como só eles fazem, afinal
golfinhos reaparecem
a fauna agradece
e tudo volta a florir
como tinha que ser
eu não sei você
mas eu acho
que essa CoVid
mesmo tão pequenininha
mostra o quanto
a gente mesquinha
ambiciosa e desenfreada
não pode fazer nada
diante da hora exata
em que é infectada
sem conseguir respirar
não dá pra comprar ar
pagar para não morrer
a natureza é de todos,
mas humanos abusam
e estão sendo obrigados
a devolvê-la aos bichos
a limparem o próprio lixo
fazerem a própria comida
reinventarem a própria vida
é, a Covid convida
a voltarmos à essência
coisa que a ciência não explica
nem os repórteres no jornal
a natureza sim é rica
e se cansou de nosso mal
– 28/03/2020
terça-feira, 31 de março de 2020
segunda-feira, 30 de março de 2020
BOLSONARO GENOCIDA
Por: Diego El Khouri
Já estava claro nas entrelinhas seu desprezo pela democracia, sua atração pela tortura, a necessidade de criar uma crise monumental afim de possibilitar uma uma "guerra civil matando pelo menos 30 mil pessoas" , (como ele mesmo disse nessa entrevista: se morrer inocentes tudo bem), além de seu apreço ao nazismo, como afirmou numa entrevista ao CQC na "máquina da verdade", ainda nos trazendo a luz a informação que lutaria sim a favor de Hitler na Alemanha e que um parente seu lutou no exército nazista e que perdeu inclusive uma perna na guerra. Além de declarações racistas, misóginas, xenófobicas, homofóbicas terríveis como pouquíssimas vezes alguém teve coragem de dizer nesse país em rede nacional, indo além da postura agressiva segregadora do grupo fascista brasileiro integralista (o maior grupo fascista do mundo fora da Itália). Seu discurso aliado a figuras como Malafaia e Edir Macedo é uma tendência perigosa que essa crise terrível do corona vírus, a maior epidemia no país desde 1918, abriu os olhos de muitas pessoas equivocadas ou alienadas por uma mídia corporativa que serve aos interesses norte americanos e sionistas naquilo que alguns cientistas políticos estão chamando desde 2014, devido inúmeros golpes simultâneos pela América Latina, de "recolonização da América ".
Que os deuses nos protejam!
sexta-feira, 27 de março de 2020
POR: EDUARDO MARINHO
O príncipe Charles foi contaminado pelo coronavírus. Pensa num cara protegido. Esse é o "futuro rei do Reino Unido da Grã-Bretanha" - grande merda, também acho, tudo o que a colonização levou de bom aos seus colonizados foi pago em sangue, sofrimento, escravização, saque, tortura e morte, em todos os lugares onde se impôs.
O que quero dizer é que ele é um dos caras mais protegidos do mundo, com serviço secreto e todo o aparato do império britânico. E pegou o tal covid-19. Detalhe é que ele teve com a rainha mãe dele há poucos dias, não sei se já fizeram exame nela. Devem ter feito na família real toda, talvez não divulguem por questão de segurança nacional, que nem aqui.
Tem mais. A assessoria dele afirmou que não se pode saber onde ele pegou o vírus, devido à sua agenda superlotada de compromissos há semanas. Se o cara tá apresentando sintomas, há duas semanas ele se contaminou e tá contaminando por aí. E seus compromissos são com mega-milionários, banqueiros, mega-industriais e financistas, manobradores geopolíticos em interesse próprio, às custas do sofrimento de bilhões, da escravização, do enquadramento, do controle e compra de consciências e conhecimentos.
Talvez eu esteja sendo primitivo, mas gostaria que esses caras pegassem mesmo esse ou qualquer outro vírus e fossem transferidos de planeta. Não sei se seria o suficiente, mas já seria um adianto.
E aí já imagino o trampo da espiritualidade. Por mais que os macabros interesses manobrem, forças muito além da sua percepção atuam e operam nas transformações necessárias, contando com as sintonias que já se encontram em função na coletividade humana. Ali, na porta de passagem pra outras dimensões, devem fazer uma triagem entre os que vão ficar por aqui pra ajudar na construção e os que vão na transferência pra outra situação evolutiva, mais sintonizada com a freqüência vibracional que apresentam.
Atenção, prudência, visão ampla e profunda e muita intuição. Sentir vem antes do saber. E o saber vem, a seu tempo, quando estamos em condições de receber e de assimilar.
quinta-feira, 26 de março de 2020
O SONHO NÃO ACABOU PORRA NENHUMA -- DELÍRIOS UTÓPICOS DE CARLOS PRADO
* Retirado do canal Midia Ninja
quarta-feira, 25 de março de 2020
HÁ CÁLCULOS NESSA LOUCURA
Por: Breno Altman
Tratar o neofascista Bolsonaro como “louco”, por conta de seus últimos atos e do discurso de hoje, me perdoem os que discordam, atenua e despolitiza a intensidade da oposição que devemos fazer.
O energúmeno opera a campanha contra o coronavírus, à semelhança de Trump, a partir de um cálculo frio, ainda que cheio de riscos.
Ele tenta se colocar como defensor dos interesses dos milhões de micros, pequenos e médios empresários que constituem sua base eleitoral, se situando sozinho de um lado do ringue contra todas as demais forças políticas, de outro lado, que advogam medidas mais fortes para mitigação ou supressão do vírus, mas que afetariam mais pesadamente a economia, a renda e o emprego.
Caso os números de infecção e morte comecem a declinar, ele apontará o dedo contra seus adversários, acusando-os de terem adotado providências desnecessárias e destruidoras da atividade econômica.
Se os números sobem, ele também irá para o ataque, embora com menor credibilidade, claro, denunciando como ineficientes as estratégias de contenção.
O que lhe importa é avançar na consolidação de seu poder, e das frações burguesas que representa, sobre o Estado brasileiro.
Pretende derrotar, ao mesmo tempo, a oposição de esquerda e a direita tradicional, e vê a luta contra o coronavírus como uma janela de oportunidade.
O fascismo sempre coloca seus interesses políticos e de classe acima de qualquer outra questão, mas isso está longe de ser loucura.
Precisa ser combatido e desmascarado por sua essência, para que possamos formar uma consciência mais avançada que leve à derrubada não apenas de Bolsonaro, mas de todo o projeto e do bloco de poder que ele representa.
Tratar o neofascista Bolsonaro como “louco”, por conta de seus últimos atos e do discurso de hoje, me perdoem os que discordam, atenua e despolitiza a intensidade da oposição que devemos fazer.
O energúmeno opera a campanha contra o coronavírus, à semelhança de Trump, a partir de um cálculo frio, ainda que cheio de riscos.
Ele tenta se colocar como defensor dos interesses dos milhões de micros, pequenos e médios empresários que constituem sua base eleitoral, se situando sozinho de um lado do ringue contra todas as demais forças políticas, de outro lado, que advogam medidas mais fortes para mitigação ou supressão do vírus, mas que afetariam mais pesadamente a economia, a renda e o emprego.
Caso os números de infecção e morte comecem a declinar, ele apontará o dedo contra seus adversários, acusando-os de terem adotado providências desnecessárias e destruidoras da atividade econômica.
Se os números sobem, ele também irá para o ataque, embora com menor credibilidade, claro, denunciando como ineficientes as estratégias de contenção.
O que lhe importa é avançar na consolidação de seu poder, e das frações burguesas que representa, sobre o Estado brasileiro.
Pretende derrotar, ao mesmo tempo, a oposição de esquerda e a direita tradicional, e vê a luta contra o coronavírus como uma janela de oportunidade.
O fascismo sempre coloca seus interesses políticos e de classe acima de qualquer outra questão, mas isso está longe de ser loucura.
Precisa ser combatido e desmascarado por sua essência, para que possamos formar uma consciência mais avançada que leve à derrubada não apenas de Bolsonaro, mas de todo o projeto e do bloco de poder que ele representa.
sábado, 21 de março de 2020
HOJE ME SINTO EM STALINGRADO, PRESO NUMA CELA
Poema: Edu Planchêz
Pintura: Diego El Khouri
hoje me sinto em stalingrado, preso numa cela
que tem internet e tv a cabo
para vermos todas as outras celas...
todos os encarcerados de roma,
todos os encarcerados do rio de janeiro...
preocupam-se com o que irão comer pelas próximas horas,
pelos próximos dias, com suas mãos lavadas com o sabão
dos desesperados, com o sabão dos que emanam esperança
----------------------
Pintura: Diego El Khouri
hoje me sinto em stalingrado, preso numa cela
que tem internet e tv a cabo
para vermos todas as outras celas...
todos os encarcerados de roma,
todos os encarcerados do rio de janeiro...
preocupam-se com o que irão comer pelas próximas horas,
pelos próximos dias, com suas mãos lavadas com o sabão
dos desesperados, com o sabão dos que emanam esperança
----------------------
Título: Século Sinistro
Técnica: Mista s/ papel
Dimensões: 297 x 210 mm
Artista: Diego El Khouri
quarta-feira, 18 de março de 2020
PERSEGUIDOS
Por: Ikaro Maxx
perseguidos
erguidos
insones
sonâmbulos repicando sinos
de menstruação em praias inorbitáveis
mais uma noite sem meu bem
mais uma noite sem meu rim
mais uma noite sem meu pau
mais uma noite...
sem sombras
o animal criava um céu
só de cochichos estranhos
arranhava nuvens
& vitrolas apareciam
os laços anêmicos na ponta
das ostras
dos sexos
os mantras que dormiam
em lábios roxos
perseguidos
insones
bandidos turvos
barbas & cabelos de ameixa
pele de marés encaixotadas
vento batendo os cílios da manhã
ventiladores para espíritos perturbados
cocaína pingando das torneiras
mais uma noite sem eu
mais uma noite sem lembrar
como foi amanhã
sem rosto a vestir
o oceano me assombrava
com seu vestido de soluços
& me passava a mão
em intrigantes desportos
os lábios de mel
me deixaram apodrecer num beco
com anjos estupradores
celebrando um réquiem
para meus ossos regurgitados
na constelação dos comas
está gravada
o destino de uma Nação estúpida
& eu fujo
para os braços de um Impossível
armado com a fúria dos ventos
& a doçura das crianças
abandonadas
erguidos
insones
sonâmbulos repicando sinos
de menstruação em praias inorbitáveis
mais uma noite sem meu bem
mais uma noite sem meu rim
mais uma noite sem meu pau
mais uma noite...
sem sombras
o animal criava um céu
só de cochichos estranhos
arranhava nuvens
& vitrolas apareciam
os laços anêmicos na ponta
das ostras
dos sexos
os mantras que dormiam
em lábios roxos
perseguidos
insones
bandidos turvos
barbas & cabelos de ameixa
pele de marés encaixotadas
vento batendo os cílios da manhã
ventiladores para espíritos perturbados
cocaína pingando das torneiras
mais uma noite sem eu
mais uma noite sem lembrar
como foi amanhã
sem rosto a vestir
o oceano me assombrava
com seu vestido de soluços
& me passava a mão
em intrigantes desportos
os lábios de mel
me deixaram apodrecer num beco
com anjos estupradores
celebrando um réquiem
para meus ossos regurgitados
na constelação dos comas
está gravada
o destino de uma Nação estúpida
& eu fujo
para os braços de um Impossível
armado com a fúria dos ventos
& a doçura das crianças
abandonadas
terça-feira, 17 de março de 2020
PANDEMIA
Por: Mariana Valle
não sou profeta, sou poeta,
e como tal apenas sinto, não sei,
mas não minto e vos direi
que a doença da vez
não é só a tal corona
e essa lei
de quarentena
que nos fez
mudar toda a rotina
o assunto é sério
não acredito em mistérios
e sim no que diz a ciência
é preciso cuidado, calma
disciplina e paciência
mas nada assim funciona
se não houver consciência
creio mesmo
que a maior doença
é a da violência das almas
nesta hora que pede calma
e não mais agressividade
como podem ainda estar brigando
para serem donos da verdade?
para poderem lacrar com os amigos
destilando ignorância e crueldade?
como podemos
lado A, lado B
tanto eu como você
querer ditar lugar de fala
viralizar toda essa raiva
disseminar competição?
não, eu digo não
já estamos todos doentes
nessa de estarmos crentes
que podemos continuar
a agir assim
é preciso dar um fim
a esse vírus que não vai embora
justamente agora
em que todos correm risco
e o futuro é inseguro
arrisco-me a dizer
que não há mais aquele muro
entre ocidente e oriente
dividindo toda gente
entre o bem e o mal
o mal está dentro de nós
todos nós
e não só no vírus da COVID
mas é preciso que a gente se ligue
que ele também está no meio de nós
ele, o bem, nessa hora atroz
em que depende da gente ir além
ser mais inteligente
e usar o caos pra evoluir
aprender e seguir
numa limpeza interna
não adianta estocar álcool em gel
e acreditar que vai pro céu
porque é “cidadão de bem”
e deixar outros cidadãos sem
não adianta se limpar por fora
e continuar imundo por dentro
em seu isolamento
infectado por essa loucura
de achar que a cura
é se guardar em bolhas higienizadas
de ideologias compartilhadas
estamos todos no mesmo mundo
e somos obrigados a conviver
mesmo nesta hora em que não dá pra ter
muita gente junto
eu poderia estender o assunto
e falar dias sobre isso
porque é meu compromisso
transformar em poesia
toda a minha agonia
mas acho que já me fiz entender
sobre esssa tal pandemia
que ainda vai crescer
eu ainda confio,
tanto em mim como em você
que podemos aprender
com toda essa loucura
se desatarmos esses nós
não estamos sós
e temos a cura
ela está dentro de nós
Mariana Valle – 17/03/2020
segunda-feira, 16 de março de 2020
POR: EDU PLANCHÊZ
brasilande de sá barreto, poeta,
irmão de mais de três décadas,
de vivências indescritíveis, parceiro orgânico,
de idas e vindas, falar de ti é falar de mim mesmo,
cumpriste tua lenda pessoal de forma brilhante,
parabéns! muito pra falar, muito pra calar, vc faz falta,
antes do carnaval vc pediu
para tua sobrinha me ligar,
pedindo para eu e minha mulher catarina crystal
para passarmos
o carnaval contigo em itaipuassu, irmão, não foi possível,
os entraves do dia a dia nos enroscaram em provações, perdão
companheiro querido, a gente viveu muitas coisas juntos,
o balcão poético, uma carona de jatinho até sampa
para comprarmos papel para imprimirmos nossos libretos
de mimeógrafo, criamos a marca POESIA ARTETÔNICA,
dividimos muitos baseados, muitas piadas, almoços, jantares,
lasanhas deliciosas na alvaro alvim... a gente sempre dividiu,
esse é o nosso troféu
barreto, tu sabes que temos o mesmo coração
nam myohorengue kyo!
Teu aliado Edu Planchêz
----------
"Antes de qualquer coisa é importante entender que Barreto viveu literalmente (e integralmente) a experiência existencial/ experimental de ser poeta. Respeito muito isso!!!"
( diego el khouri )
irmão de mais de três décadas,
de vivências indescritíveis, parceiro orgânico,
de idas e vindas, falar de ti é falar de mim mesmo,
cumpriste tua lenda pessoal de forma brilhante,
parabéns! muito pra falar, muito pra calar, vc faz falta,
antes do carnaval vc pediu
para tua sobrinha me ligar,
pedindo para eu e minha mulher catarina crystal
para passarmos
o carnaval contigo em itaipuassu, irmão, não foi possível,
os entraves do dia a dia nos enroscaram em provações, perdão
companheiro querido, a gente viveu muitas coisas juntos,
o balcão poético, uma carona de jatinho até sampa
para comprarmos papel para imprimirmos nossos libretos
de mimeógrafo, criamos a marca POESIA ARTETÔNICA,
dividimos muitos baseados, muitas piadas, almoços, jantares,
lasanhas deliciosas na alvaro alvim... a gente sempre dividiu,
esse é o nosso troféu
barreto, tu sabes que temos o mesmo coração
nam myohorengue kyo!
Teu aliado Edu Planchêz
----------
"Antes de qualquer coisa é importante entender que Barreto viveu literalmente (e integralmente) a experiência existencial/ experimental de ser poeta. Respeito muito isso!!!"
( diego el khouri )
quarta-feira, 11 de março de 2020
O NOSSO IRMÃO POETA BRASILANDE DE SÁ BARRETO
Por: Edu Planchêz
ele foi para a outra margem,
o coração do quântico pensamento
confia nas verdades das muitas dimensões,
aqui, ele desmaterializa-se para noutra textura
verter-se em águia
no pico das águias
acompanhado por nitiren daishonin
e outros seres celeste vindos das dez direções do universo,
ele, o nosso irmão poeta brasilande de sá barreto,
flutua, recebe dos sois e das estrelas
o néctar da grande felicidade,
o beijo sagrado de albarã e suas meninas
que banham-se no límpido lago de antigamente
quinta-feira, 5 de março de 2020
A POESIA ATEMPORAL DO BRASIL BARRETO
Por: Diego El Khouri
Recebi hoje cedo a triste notícia do falecimento do poeta Brasil Barreto que desencarnou ontem ( 04 de Março, 2020) na cidade do Rio de Janeiro... Um turbilhão de pensamentos atravessam meu olhar. Lembro daquelas noites na Lapa perambulando de bar em bar ao lado desse querido amigo. Conheci Barreto através do bardo cancioneiro irmão aliado Edu Planchêz no ano de 2012. Lembro que mesmo doente sua força e coragem eram admiráveis. Era um aglutinador de pessoas. Desses contatos e experiências surgiam suas poesias. Lembro que dizia não curtir os punks, mas eis que de repente encontro ele numa mesa rodeado de punks e enchendo a cara, e me confessa depois: não gosto de ficar sozinho. Era uma grande figura. Ávido de conhecimento. Gerador de polêmicas. Fez muita coisa interessante nas artes: produziu shows, publicou livros, escreveu artigos... Uma das experiências mais intensas que tive na vida foi quando o poeta me levou para assistir ao um ensaio do grupo Tá na rua do grande teatrólogo Amir Haddad. Duas horas de ensaio visceral. Não vi nada tão intenso quanto aquilo (aquela noite renderia alguns textos interessantes)!!!!!! Certa noite na Lapa Brasil Barreto me presenteou com dois de seus livros: o FARPAS & FAGULHAS (pela editora Giramundo; ano :1996) e ESTIVA (um livro artesanal de 1998 pela Edições Urbana).
O artista morre e a obra fica.
_____ Antes de qualquer coisa é importante entender que Barreto viveu literalmente (e integralmente) a experiência existencial/ experimental de ser poeta. Respeito muito isso!!! _____
nam myoho renge kyo
Abaixo poemas de sua autoria:
ARAL
Sequer coexisto no cio
Silencioso dos Deuses...
na dança dos ponteiros
aporto manhãs
onde velas e luares
apagaram-se por si.
Minhas pernas se entrelaçaram
num solitário caminhar,
rumando em ermo espiral.
Insisto nesse desdestino
no meu silêncio tibetano.
Açude de agonia, de servis gritos
engasgados em meus desenganos:
Tudo nos parece verdadeiro
quando os olhos, não se abrem.
Espelhos d'água em nuvens rasas
vigiando suas carcaças
engolidas em redemoinhos
em tarde de temporal
na imensidão d'um mar de "ARAL".
TEOREMA
As lesmas dissimulam
sua preguiça ao sol,
deixando para trás
um visgo multicolorido,
passeiam na epiderme do vento
como dançarinas no dorso do poema,
no ritmo lento
de quem decifra o teorema.
ALGEMAS
Sob o manto da noite
abri o elo metálico
das algemas
fugi dos meus algozes
com a chuva nos olhos
corri para o esplendor
da manhã
que por pura ironia
nascia de mãos dadas
com um novo dia.
escorria de minha boca
um largo sorriso
solto em noite de folia
anuncia dessa alforria.
RESSONÂNCIA
Nas artérias dos meus dias
corre um leve desejo profano,
e peço, aquieta-te coração
deixa de tanto desassossego.
Vivo querendo endomingar
as agonizantes segundas-feiras,
e digo, calma meu coração
haja o que houver asserene-se.
Tão logo pela manhã, ouço
os berros, soltos das baias
nos longínquos matadouros,
urros e mugidos pendurados,
carcaças enganchadas a ferro
não escapam dos cutelos
nem do brilho afiado das lâminas
nas brechas rosáceas da carne
numa fria sangria desatada
arquitetando silêncio em osso
calado nos dias da semana,
suprimento diário dos mercados
atraindo os consome-dores.
INSÔNIA
Parte do meu corpo
insiste em dividir-se,
meu lado esquerdo
completamente adormecido,
aquece minha carcaça.
Enquanto meus tormentos
declinam à minha direita.
Surgem revelações noturnas
de pálidas belezas;
nos remetendo a tempos
de profundidade estrelar,
a pontos luminosos sem idade.
Tropeçamos em noites de insônia
avalanches de eternas indagações,
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