segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

AUÊ



(Por  Obanise Xandi)

Sángiri-làgiri,
Olàgiri-kàkààkà-kí Igba Edun Bò
O Jajú Mó Ni Kó Tó Pa Ni Je
Ó Ké Kàrà, Ké Kòró
S' Olórò Dí Jínjìnnì
Eléyinjú Iná 
Abá Won Jà Mà Jèbi
Iwo Ní Mo Sá Di O
Sango Ona Mogba
Bi E Tu Bá Wó Ile 
Jejene Ni Mú Ewure
Bi Sango Bá Wó Ile
Jejene Ni Mú Osa Gbogbo.


(Por Diego El Khouri)

À erva tudo pode
À erva toda luz
Palácios plácidos nas plagas
propícias ao acaso

Toda luz, todo marasmo

Ó filhos de Jah
a luz é vosso poder
ó Iemanjá, rainha do mar
tua luz envolve o meu sofrer

Ó Xangô, ó auê
eu vejo a luz em você
ó Xangô, ó auê
em ti eu sei o que é viver

Ó Xangô, orixá do trovão
teus olhos, todo clarão

Ó Xangô, orixá do trovão
ilumina as paredes vivas
do meu coração

Oyá, Inhansã,
aqui lhe ofereço seu àkàrà
acara-acarajé
Oyá, Inhansã,
os olhos escurecem
nessa triste manhã

Ó partos de Cristo
  bodisatvas da luz
somos "vagabundos do Dharma"
arrancando a voz de tudo

meu amor é ventre baldio
sísmico sonho
nas auguras do precipício
asas fulgurantes 
Líbano e  abismo, na vista
vezes vozes vestem
a vida Sagrada
-- profecias libertárias --

Meu amor é por ti, amiga
meu amor é terra fixa
meu amor é assim, amiga

um clown vagabundo
e sem graça
palhaço anarquista
anjo acorrentado
profeta humilhado,
deus vilipendiado

"a arte é contrária ao pecado?"
Nos seus olhos eu sinto essa madrugada
A fome vem e me sacode
penetra os olhos e me comove

Em seu encalço, João de Aruanda, eu me sinto forte

o êxtase abre a alma
num lapso poético
em transe curando a vida
libação alquímica da Morte
nu em pelo eles percebem
minha barriga mil cortes

doce Karma ferve a calma
libertinos libertos na calda
balsâmica da Morte
e eu preciso da sua noite
ó dávida dos poetas embriagados

é por amor
por amor
por amor
que perfuramos os céus no rasto dos  profetas visionários.




(Por Obanise Xandi)


Sángiri-làgiri,
Que racha e lasca paredes
Ele deixou a parede bem rachada e pôs ali duzentas pedras de raio
Ele olha assustadoramente para as pessoas antes de castigá-las
Ele fala com todo o corpo
Ele faz com que a pessoa poderosa fique com medo
Seus olhos são vermelhos como brasas
Aquele que briga com as pessoas sem ser condenado porque nunca briga injustamente
É em ti que busco meu refúgio.
Se um antílope entrar na casa
A cabra sentirá medo. 
Se Sango entra na casa 
Todos os Orisa sentirão medo.

Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.
(Buddha Sidharta Gautama)

5 comentários:

  1. Salve! As forças do universo nos amparem neste momento de apocalipse!

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  2. Como é bom viver em um país em que pelo menos a liberdade de religião podemos ter. Particularmente isso me faz feliz pois sabemos que a espiritualidade está em todos os lugares e de todas as formas, um dia seremos todos evoluídos moralmente e passaremos a conhecer melhor tudo isso.

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  3. Gostei, meu poeta! O blog está visualmente bonito e seu texto melhora a cada novo trabalho, variado e denso.

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